Livros de Jostein Gaarder

Quando penso nas cartas da paciência de Frode, tenho a impressão de que o equilíbrio da natureza desapareceu por completo.

Sobre o Autor

Jostein Gaarder

Jostein Gaarder (nascido no dia 8 de agosto de 1952, em Oslo, Noruega) é um escritor norueguês . Ele é autor de romances, contos e histórias infantis.

Melhores Livros de Jostein Gaarder

Mais frases de Jostein Gaarder

O ensino da filosofia não precisa ser complexo, intricado. Tem a ver com curiosidade, a mania de fazer perguntas, algo que perdemos na cultura ocidental quando envelhecemos.

O sol também não tem luz própria. Ele é apenas um espelho que reflete a luz de Deus.

Para que se deveria, em meio à grande ausência de limites, colocar a todo custo um limite qualquer?

No espelho da parede, vemo-nos passar sorrateiros na penumbra, vemos que nós mesmo somos os seres enigmáticos que queremos caçar

“Nós vivemos dentro de um grande conto de fadas, do qual ninguém faz realmente ideia”. (A garota das laranjas, p. 110).

Uma única pergunta pode ser mais explosiva do que mil respostas.

A história é como um grande conto de fadas. A única diferença entre os dois é que a história é de verdade.

E embora estivéssemos vendo as mesmas estrelas, estávamos infinitamente longe uns dos outros.

Se nosso cérebro fosse tão simples a ponto de entendê-lo, seríamos tão tolos que continuaríamos sem entendê-lo.

Pois quando a gente entende que não entende alguma coisa é que a gente está prestes a entender tudo.

Pois maior que tudo é o amor. E o tempo nem de longe consegue apagá-lo com a mesma rapidez com que apaga as lembranças.

Nascer é receber de presente o mundo inteiro

Quando penso nas cartas da paciência de Frode, tenho a impressão de que o equilíbrio da natureza desapareceu por completo.

Não sabia que as pessoas também podiam naufragar em aventuras. Hoje sei que todo mundo deve ter muito cuidado com elas.

A vida é uma loteria gigante, da qual só se vêem os ganhadores.

Mas aquilo não me impressionou muito. Meus pensamentos estavam em outro lugar... E em outro tempo.

Vivo com tanta emoção porque sei que só tenho uma vida.

Não consigo me acostumar a ti, meu companheiro de caminhada que levo em meu pulso. Tua verdade é brutal. Cospes os segundos como balas de uma metralhadora. E teu arsenal é suficiente para te servir, leviano Nada. Teus números são os números de mortos. Teu pulsar é frio como a foice.

- Se existe um Deus, ele não só é um ás em deixar vestígios, mas, sobretudo, um mestre em se esconder. E o mundo não é dos que falam além da conta. O firmamento continua calado. Não há muito mexerico entre as estrelas. Mas ninguém ainda se esqueceu da grande explosão. Desde então, o silêncio reinou ininterruptamente, e tudo o que existe se afasta de tudo. Ainda é possível topar com a Lua. Ou com um cometa. Não espere que o recebam com amáveis clamores. No céu não se imprimem cartões de visita.

O sopro do tempo nos perpassa, nos carrega e se incorpora a nós. Depois de desprende de nós e nos deixa cair. Somos arrebatados como num passe de mágica e depois novamente abandonados. Sempre há alguma coisa fermentando, à espera de tomar nosso lugar. Isso porque não temos um solo firme, sob os nossos pés. Não temos sequer areia sob os nossos pés. Nós somos areia!

Subito me senti infinitamente triste por todos nós, seres humanos, que acabamos nos acostumando com uma coisa tão incrível, tão imperscrutável como a vida. Um belo dia acabamos achando evidente o fato de existirmos... e então... bem, só então voltamos a pensar que um dia teremos de deixar esse mundo!

(...) Deve ser ainda mais estranho pensar que é estranho ser aquilo que se é. Creio que ninguém nunca vai encontrar uma pedra que acha estranho ser uma pedra. E com certeza nenhuma tartaruga acha incrível ser uma tartaruga. Mas parece que certos seres humanos acham estranhissímo ser um ser humano.(...)

O curinga (...) é um caso à parte; uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é seu lugar. Por isso pode ser separado do monte sem que ninguém sinta falta dele.

A terra gira para que todas as pessoas do mundo possam olhar para o espaço em todas as direções. Assim cada um pode ver as estrelas e tudo o que existe de qualquer lugar onde esteja... Não importa onde você mora, não há nenhum único pedacinho da glória do céu que ficará escondido de você.

- É verdade... Está aí uma coisa misteriosa. Existem cerca de cinco bilhões de pessoas neste planeta. Mas a gente acaba se apaixonando por uma pessoa determinada e não quer trocá-la por nenhuma outra. O Dia do Curinga

Criaturas são belas, mas todas perderam a razão, exceto uma. Só o curinga do jogo não se deixa iludir.

A paciência é uma maldição de família. Há sempre um coringa que não se deixa iludir. Quem quer entender o destino, tem de sobreviver a ele.

Isso se explica pelo fato de que a imagem que você tem do que quer fazer sempre é incomparavelmente superior às cópias a que você tenta dar forma com as mãos.

Se realmente existe um Deus, ele deve estar brincando de esconde-esconde com as suas criações.

Não é o castelo de areia a coisa mais importante na brincadeira da criança. O mais importante é a imagem de um castelo de areia que a criança tem na cabeça antes de começar a construir o castelo. Por que outra razão você acha que ela destrói com as mãos o castelo que acabou de construir?

Para as crianças, o mundo - e tudo o que há nele - é uma coisa nova; algo que desperta a admiração. Nem todos os adultos vêem a coisa dessa forma. A maioria deles vivencia o mundo como uma coisa absolutamente normal. E precisamente neste ponto os filósofos constituem uma louvável exceção. Um filósofo nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. Para ele ou para ela o mundo continua a ter algo de incompreensível, algo até enigmático, de secreto. Os filósofos e as crianças têm, portanto, uma importante característica comum. Podemos dizer que um filósofo permanece a vida toda tão receptivo e sensível às coisas quanto um bebê.

Tenho certeza absoluta de que um curinga continua perambulando pelo mundo. Ele se encarregará de não permitir que o mundo se acomode. A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tilintantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: Quem somos? De onde viemos?

Não se pode experimentar a sensação de existir sem se experimentar a certeza que se tem de morrer(...). É igualmente impossível pensar que se tem de morrer sem pensar ao mesmo tempo em como a vida é fantástica.