Livros de Giacomo Leopardi

Sobre o Autor

Giacomo Leopardi

Giacomo Leopardi (29 de junho de 1789 - 14 de junho de 1837) foi um poeta italiano, nascido em Recanati na Itália, é um dos maiores poetas da lírica italiana. A sua obra revela muito péssimismo, melancolia e cepticismo.

Melhores Livros de Giacomo Leopardi

Duas verdades em que os homens em geral nunca acreditarão: a primeira, a de não saber nada, a segunda, a de não ser nada. Acrescente a terceira, que depende muito da segunda: a de não ter nada a esperar depois da morte.

O sentimento da vingança é tão agradável, que muitas vezes o homem deseja ser ofendido para se poder vingar, e não falo apenas de um inimigo habitual, mas de uma pessoa indiferente, ou até mesmo, sobretudo em alguns momentos de humor negro, de um amigo.

Não há nada que demonstre tão bem a grandeza e a potência do intelecto humano, nem a superioridade e a nobreza do homem, como o fato de ele poder conhecer, compreender por completo e sentir fortemente a sua exiguidade.

O tédio é de certo modo o mais sublime dos sentimentos humanos. O não poder ser satisfeito por nenhuma coisa terrena nem, por assim dizer, pela terra inteira. Por isso o tédio é pouco conhecido dos homens sem importância, e pouquíssimo ou nada dos outros animais.

Oh, como é bom / na juventude, quando a esperança / ainda é longa, e breves são o nosso passado doloroso / e a lembrança das coisas passadas, / mesmo se foram tristes e se a vida presente ainda é dolorosa como essa lembrança.

Quem tem a coragem de rir é senhor do mundo.

Quem não tem um objetivo quase nunca sente prazer nas suas ações.

Aquele que não tem um objetivo, raramente sente prazer em qualquer empreendimento.

Quase todos os prazeres da imaginação e do sentimento consistem em recordações. (...)Estão no passado antes de estar no presente.

Do hábito da resignação nasce sempre a falta de interesse, a negligência, a indolência, a inatividade, e quase a imobilidade.

Nenhuma qualidade humana é mais intolerável do que a intolerância.

Os homens envergonham-se não das injúrias que cometem, mas daquelas que recebem . Porém, para fazer com que os ofensores se envergonhem, não há outro caminho senão o de devolver-lhes a ofensa.

Um homem será tão menos e tão mais dificilmente grande quanto mais for dominado pela razão.

A paciência é a mais heróica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência heróica.

Acreditaria que a embriaguez tivesse sido para os homens a primeira ocasião e a primeira causa do riso; outro efeito próprio e particular do género humano.

São raros os patifes pobres.

Nada é mais raro no mundo que uma pessoa habitualmente suportável.

As desgraças não requerem pranto, mas conselho.

A imaginação é a primeira fonte da felicidade humana.

É curioso ver que quase todos os homens de grande valor têm maneiras simples; e que quase sempre as maneiras simples são tomadas como indício de pouco valor.

Tem-se muito mais temor do ódio ou da cólera dos homens do que esperança no seu afecto e na sua gratidão.

O efeito mais determinado, e quase a soma dos efeitos que produz num homem de raro e elevado espírito o conhecimento e a experiência dos homens, é o ato de torná-lo muito indulgente em relação a qualquer fraqueza maior e excessiva, qualquer pequenez, tolice, ignorância, estupidez, maldade, vício e defeito alheio, natural ou adquirido....

Nenhuma opinião, verdadeira ou falsa, mas contrária à opinião dominante e geral, estabeleceu-se no mundo instantaneamente e com base numa demonstração lúcida e palpável, mas à força de repetições e, portanto, de hábito.

A morte não é um mal: porque liberta o homem de todos os males, e ao mesmo tempo que os bens tira-lhe os desejos. A velhice é o pior dos males: porque priva o homem de todos os prazeres, deixando-lhe deles todos os apetites; e traz consigo todas as dores. Não obstante, os homens temem a morte e desejam a velhice.

Ninguém se sente tão completamente desiludido com o mundo, nem o conhece tão profundamente, nem o odeia tanto que, observado por ele com benevolência por um instante, não se sinta em parte reconciliado com ele.

Natureza nobre é aquela / que tem coragem / de olhar nos olhos / o destino comum, e que com franca língua, / sem subtrair nada da verdade, / confessa o mal que nos foi dado como destino / e a condição baixa e frágil do homem.

Não apenas os homens, mas o género humano foi e sempre será necessariamente infeliz. Não apenas o género humano, mas todos os animais. Não apenas os animais, mas todos os seres a seu modo. Não os indivíduos, mas as espécies, os géneros, os reinos, os sistemas, os mundos....

Nada é vergonhoso para o homem de espírito, nem é capaz de fazê-lo sentir vergonha e provar o desagradável sentimento dessa paixão, a não ser apenas o ato de envergonhar-se e de enrubescer.

Não existe maior indício de ser pouco filósofo e pouco sábio do que desejar uma vida inteira de sabedoria e filosofia.

Irmãos, a um mesmo tempo, Amor e Morte, / criarei a sorte. / Coisas assim tão belas / no resto do mundo não há, não há nem nas estrelas.