Sobre o Autor

Victor Hugo

Victor Hugo (26 de fevereiro de 1802 - 22 de maio de 1885) foi um escritor francês, autor de Les Miserábles (Os Miseráveis).

As horas de êxtase nunca são mais do que um minuto.

Os bons pensamentos têm os seus abismos, tal como os maus.

Cosette já não vestia andrajos, estava de luto. Saía da miséria e entrara na vida.

As crianças têm seu canto da manhã, como os pássaros.

A natureza humana é assim. As outras emoções ternas da juventude, se as houvera, haviam caído num abismo.

Só deus nesse momento, via o triste espetáculo. E sem dúvida a mãe! Há coisas que fazem abrir os olhos dos mortos nos seus túmulos!

Quando a ouviam falar, diziam: É um policial; Quando a viam beber, comentavam: É um carroceiro; Quando a viam dar ordens a Cosette, garantiam: É um carrasco.

Com muito pouco trabalho, seria útil; é negligenciada, e por isso torna-se daninha. Então arranca-se. Quantos homens se assemelham À urtiga! (...) Não há nem ervas más nem homens maus. Só há maus cultivadores.

Quando o viram semear dinheiro, disseram: É um comerciante; Quando o viram ganhar dinheiro, disseram: É um ambicioso; Quando o viram recusar honrarias, disseram: É um aventureiro; Quando o viram recusar a sociedade, disseram: É um bruto.

Existia entre os personagens grotescos esculpidos na parede um de quem Quasímodo gostava mais e com quem às vezes conversava. Uma ocasião a cigana ouviu-o a dizer: - Oh! Porque não sou de pedra como você!

A noite veio. Ela achou-a tão bela, o luar tão doce, que fez um giro pela galeria que circundava a igreja. Sentiu com isso um grande alívio porque a terra lhe pareceu calma, vista lá de cima da catedral.

Visto que só a catedral lhe bastava, voltava o rosto para os homens que o desprezavam. Aquelas figuras de santos, bispos, reis e mesmo as esculturas de monstros não o assustavam. Era com elas, estátuas mudas, que Quasímodo se expandia e ficava horas a conversar.

Quasímodo sentia mover-se dentro de si uma alma feita à sua imagem. Essa desgraça em que vivia tornou-o mau. Era mau porque era selvagem, era selvagem porque era feio. Mas não nasceu malvado. Desde muito cedo sentira, por parte dos homens, o escárnio, o espezinhamento e a rejeição. Só encontrou ódio ao seu redor.

Desejo, primeiro, que você ame,e que, amando, também seja amado.E que se não for, seja breve em esquecere esquecendo não guarde mágoa.Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que você tenha amigosque, mesmo maus e inconseqüentes,sejam corajosos e fiéis,e que pelo menos em um deles você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim,desejo ainda que você tenha inimigos,nem muitos, nem poucos,mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeitode suas próprias certezas. E que, entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro. Desejo, depois, que você seja útil,mas não insubstituível. E que nos maus momentos,quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,não com os que erram pouco, porque isso é fácil ,mas com os que erram muito e irremediavelmente,e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros. Desejo que você, sendo jovem,não amadureça depressa demais,e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer,e que, sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós. Desejo por sinal que você seja triste.não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubraque o riso diário é bom,o riso habitual é insosso e o riso constante é insano. Desejo que você descubra,com a máxima urgência,acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta. Desejo ainda que você afague um gato,alimente um cuco e ouça o joão-de-barroerguer triunfante o seu canto matinal, porque, assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja,e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantasmuitas vidas é feita uma árvore. Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,porque é preciso ser prático.E que pelo menos uma vez por anocoloque um pouco delena sua frente e diga isso é meu, só para que fique bem claro quem é o dono de quem. Desejo também que nenhum de seus afetos morra,por ele e por você,mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar, sofrer e sem se culpar. Desejo por fim que você, sendo um homem,tenha uma boa mulher,e que, sendo uma mulher,tenha um bom homeme que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.E se tudo isso acontecer, não tenho mais a te desejar.”

Se no momento em que fôsse esmagar uma formiga, ela unisse suas duas miseráveis patinhas numa prece a mim dirigida, eu me mostraria bondoso com ela. Por que então não há de Deus mostrar-se bondoso comigo?... Suplico-lhe que vos dê a vida eterna... a vós...a mim...a todos.

Um sopro, quase uma respiração, agitava os matagais.

Os livros são amigos frios e seguros.

O seu prazer era passear pelos campos.

De tudo o que a catedral possuía, o que mais o tornava feliz eram os sinos. Acariciava-os, amava-os, falava-lhes e compreendia-os. Tinha ternura por todos eles, embora tivessem tirado sua audição.

A catedral era tão familiar ao corcunda que este se encontrava em todas as partes. Em tudo se via o homem que amava. Ele era a alma do monumento.

Vivem somente os que lutam.

Amar é saborear nos braços de um ente querido a porção de céu que Deus depôs na carne.

- Maldição! - Dizia ele. - Eis como é preciso ser! Basta ser belo e nada mais!

É que o amor é como árvore. Rebenta por si próprio, penetra profundamente em todo o nosso ser e continua muitas vezes, a verdejar sobre um coração em ruínas.

- Oh! Bom e honrado solo de Paris! Maldita essa escada que cansaria até os anjos!

Essas injúrias passavam despercebidas tanto pelo padre como pelo corcunda. Quasímodo era surdo demais e Cláudio pensador demais.

E que fogo interior era esse que fazia brilhar seus olhos?

Amar é metade de crer.

Quarenta anos é velhice para a juventude, e cinqüenta anos é juventude para a velhice.

Rejeito a prece de todas as igrejas... Creio em Deus.