Sobre o Autor

Victor Hugo

Victor Hugo (26 de fevereiro de 1802 - 22 de maio de 1885) foi um escritor francês, autor de Les Miserábles (Os Miseráveis).

Sol e Lua O homem pensa. A mulher sonha. Pensar é ter cérebro. Sonhar é ter na fronte uma auréola. O homem é um oceano. A mulher é um lago. O oceano tem a pérola que embeleza. O lago tem a poesia que deslumbra. O homem é a águia que voa. A mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço. Cantar é conquistar a alma. O homem tem um farol: consciência. A mulher tem uma estrela: esperança. O farol guia. A esperança salva. Enfim, o homem está colocado onde termina a terra. A mulher, onde começa o céu!

O orgulho dizia sim, mas a velha cabeça, que abanava silenciosamente, respondia tristemente não. Tinha horas de abatimento. Faltava-lhe Marius. Os velhos têm tanta necessidade de afeição como de sol. A afeição aquece.

Marius tinha sempre dois trajes completos; um velho, para todos os dias, outro novo, para as ocasiões extraordinárias. Ambos eram negros. Tinha só três camisas, uma trazia vestida, outra estava na cômoda, e outra na lavanderia. Renovava-as a medida que iam ficando usadas. Mas como estava quase sempre coçadas, abotoava o casaco até o pescoço.

Nada é mais poderoso do que uma idéia que chega no momento certo.

Os velhos necessitam de calor afetivo como do sol.

O medo nasce da ignorância.

As pessoas não carecem de força, carecem de determinação.

As suas mágoas queimavam-lhe a alma como uma fornalha.

Há pais que não amam os filhos, mas não existe um só avó que não adore o neto.

Uma amante não deve rir, porque isso nos encoraja a anganá-la. Vendo-a alegre, afugentamos os remorsos, se a vemos triste, volta-nos a consciência.

Quero beber. Quero esquecer a vida. A vida é uma invenção hedionda não sei de quem. Parte-se o pescoço a viver. A vida é uma armação prestes a vir abaixo.

Estamos todos condenados à morte, mas com um tipo de adiamento indefinido.

Tudo o que o rodeava, aquele jardim pacífico, aquelas flores odoríferas, aquelas crianças ruidosamente alegres, aquelas mulheres graves, e simples, aquele claustro silencioso, penetrava-o lentamente, e a pouco e pouco a sua alma compunha-se de silêncio como o claustro, de perfume como as flores, de alegria como as crianças.

Estranho desarranjo interior que quase o incomodava.

Nesta idade, os rostos dizem tudo. A palavra é inútil. Há jovens cuja fisionomia diz mais do que a boca. Olha-se para eles e fica-se a conhecê-los.

Errar é do homem, passear é do parisiense. No fundo, espírito penetrante, e mais pensador do que parecia.

O ponteiro que avança no mostrador avança também nas almas. As opiniões atravessam suas fases.

A amante era uma sepultura!

Os encontros temperados com um pouco de missa são os melhores. Não há nada mais mimoso do que uma olhadela que passa por cima de Deus.

Não ver as pessoas, permite supor-lhes todas as perfeições.

...Era um daqueles homens que se tornam curiosos unicamente em razão da sua longevidade, e que são estranhos porque noutro tempo se pareceram com toda a gente e agora não se parecem com ninguém.

Quebrar os laços que as unem parece ser instinto de certas famílias miseráveis.

Essa criança vivia na ausência de afeição como as ervas daninhas que nascem nas covas.

O riso é como o sol; afugenta o Inverno do rosto humano.

A felicidade que inspiramos tem algo de encantador que, longe de enfraquecer, como todos os reflexos, volta para nós mais radiosa.

O medo é mudo. Além disso, ninguérm guarda melhor segredo do que uma criança.

Os cemitérios aceitam o que lhes dão.

Não basta ser bêbedo para ser imortal.

Não ser escutado, não é motivo para calar.

Um raio de sol horinzontal iluminava o rosto de Cosette, que dormia com a boca ligeiramente aberta, tendo o aspecto de um anjo a beber luz.