Livros de Raul Seixas

Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio.

Sobre o Autor

Raul Seixas

Raul dos Santos Seixas (28 de junho de 1945, Salvador, Bahia - 21 de agosto de 1989, São Paulo) foi um músico brasileiro.

Melhores Livros de Raul Seixas

Mais frases de Raul Seixas

Só há amor quando não existe nenhuma autoridade.

Todos os partidos são variantes do absolutismo. Não fundaremos mais partidos; o Estado é o seu estado de espírito.

Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade.

Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade

Pare o mundo que eu quero descer...

A desobediência é uma virtude necessária à CRIATIVIDADE.

A formiga é pequena, mas elas são um exército quando juntas

Há Homens que nascem póstumos.

Do materialismo ao espiritualismo é uma simples questão de esperar esgotarem-se os limites do primeiro.

Quando lhe jurei meu amor, eu traí a mim mesmo...

Quero dizer agora o oposto do que eu disse antes Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...

Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos

Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu

Meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar

De que o mel é doce é coisa que eu me nego a afirmar, mas que parece doce eu afirmo plenamente

A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal

O sonho do careta é a realidade do maluco.

Não existe Deus senão o homem

Quem não tem colírio usa òculos escuros.

Ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida.

Nada mais é coerente se virar de trás pra frente, tanto fez como tanto faz...

Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio.

-Deus tem mais de mil nomes: dinheiro ídolos gurus carro cigarro drogas o Salvador livros desejos insatisfeitos sexo neurótico status sonhos muletas casa hobbies cinema TV rádio e a pergunta POR QUÊ?

Sim, curvo-me ante a beleza de ser às vezes zombo de mim mesmo ao término de uma inteligente e aguçada constatação. Ermitão do insólito, poeta da dúvida Entretanto duvido a dúvida por ser dúvida fruto de uma premissa lógica Mas nego, afirmo e não duvido de nada Prisioneiro sem grade desse silêncio eterno.

Logica e razão são coisas da terra. Eu divido as coisas da terra, coisas do universo e coisas da coisa. E as coisas da coisa, minha filha, essas é que são o negócio, entende? Quem é que pode explicá-las?

A desobediência é uma virtude necessária à CRIATIVIDADE.

Não diga que a vitória está perdida se é de batalhas que se vive a vida.

Eu perdí o meu medo, o meu medo da chuva Pois a chuva voltando prá terra traz coisas do ar. Apendí o segredo,o segredo da vida Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar...

Deus é aquilo que me falta para compreender o que eu não compreendo

Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez.

O meu egoismo é tão egoista que o auge do meu egoismo é querer ajudar.

Faça o que tu queres, pois é tudo da lei...

Sou o que sou porque vivo da minha maneira... Você procurando respostas olhando pro espaço, e eu tão ocupado vivendo... Eu não me pergunto, Eu faço!

Querer o meu não é roubar o seu!

Sonho que Se Sonha só,é só um sonho que se sonha só,Mas Sonho Que Se Sonha Juntos É Realidade. TE AMO...FELIZ !!!TE AMO...FELIZ!!!TE AMO...FELIZ !!!!

****E nas mensagens que nos chegam sem parar, ninguem pode notar estao muito ocupados pra pensar*****

Não diga que a vitória está perdida. Tenha fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!

Um sonho sonhado só é apenas um sonho,Um sonho sonhado junto é realidade.

Aprendi o segredo da vida, vendo as pedras que sonham sozinhas no mesmo lugar

Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...

Eu perdi o meu medo, o meu medo da chuva pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar Aprendi o segredo, o segredo da vida vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar

Nunca é tarde demais pra começar tudo de novo...

Eu não sou louco, É o mundo que não entende minha lucidez...

¨Eu prefiro ser essa metamorfosse ambulante, do que ser aquela velha opinião formada sobre tudo¨

Tem gente que a vida inteira, fica travando inutil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que ta o coringua do baralho.

-Deus tem mais de mil nomes: dinheiro ídolos gurus carro cigarro drogas o Salvador livros desejos insatisfeitos sexo neurótico status sonhos muletas casa hobbies cinema TV rádio e a pergunta POR QUÊ?

em um show, ele disse o seguinte: olha aqui, esse show, essa pequena amostra, uma amostra compacta de alguns rocks, no tempo de 50, nos primordios, mas eu vou incluir um meu aqui, que pediram, é o rock das aranhas. Bom, vocês sabem, que existe, um dicionário, que saiu agora, chamdo dicionario da censura, o dicionario da censura é o seguinte: todo compositor brasileiro tem aobrigação dereceber um dicionario dessa grossura, com todas as palavras proibidas. Inclusive, uma palvra proibida, eu não sei porque, éé, povo, gente, universidade... escola, não pode se falar disso em música, inclusive pintou apalvra aranha depois de mim... eu fui o percursor da aranha... depois de Deus

Se esse amor ficar entre nós dois Vai ser tão pobre amor, vai se gastar Se eu te amo e tu me amas E um amor a dois profana O amor de todos os mortais Porque quem gosta de maçã Irá gostar de todas Porque todas são iguais Se eu te amo e tu me amas E outro vem quando tu chamas Como poderei te condenar Infinita tua beleza Como podes ficar presa Que nem santa no altar Quando eu te escolhi para morar junto de mim Eu quis ser tua alma, ter seu corpo, tudo enfim Mas compreendi que além de dois existem mais O amor só dura em liberdade O ciúme é só vaidade Sofro mas eu vou te libertar O que é que eu quero se eu te privo Do que eu mais venero Que é a beleza de deitar

Gitã Às vezes você me pergunta Por que é que eu sou tão calado Não falo de amor quase nada Nem fico sorrindo ao teu lado... Você pensa em mim toda hora Me come, me cospe, me deixa Talvez você não entenda Mas hoje eu vou lhe mostrar... Eu sou a luz das estrelas Eu sou a cor do luar Eu sou as coisas da vida Eu sou o mêdo de amar... Eu sou o medo do fraco A força da imaginação O blefe do jogador Eu sou, eu fui, eu vou.. Eu sou o seu sacrifício A placa de contra-mão O sangue no olhar do vampiro E as juras de maldição... Eu sou a vela que acende Eu sou a luz que se apaga Eu sou a beira do abismo Eu sou o tudo e o nada... Por que você me pergunta? Perguntas não vão lhe mostrar Que eu sou feito da terra Do fogo, da água e do ar... Você me tem todo dia Mas não sabe se é bom ou ruim Mas saiba que eu estou em você Mas você não está em mim... Das telhas eu sou o telhado A pesca do pescador A letra A tem meu nome Dos sonhos eu sou o amor... Eu sou a dona de casa Nos pegue pagues do mundo Eu sou a mão do carrasco Sou raso, largo, profundo... Eu sou a mosca da sopa E o dente do tubarão Eu sou os olhos do cego E a cegueira da visão... Euuuuuu! Mas eu sou o amargo da língua A mãe, o pai e o avô O filho que ainda não veio O início, o fim e o meio O início, o fim e o meio Euuuuu sou o início O fim e o meio Euuuuu sou o início O fim e o meio...

Medo da Chuva É pena Que você pense Que eu sou seu escravo Dizendo que eu sou seu marido E não posso partir Como as pedras imóveis na praia Eu fico ao teu lado, sem saber Dos amores que a vida me trouxe E eu não pude viver... Eu perdi o meu medo O meu medo O meu medo da chuva Pois a chuva voltando prá terra Trás coisas do ar Aprendi o segredo O segredo, o segredo da vida Vendo as pedras que choram Sozinhas no mesmo lugar... Eu não posso entender Tanta gente Aceitando a mentira De que os sonhos Desfazem aquilo Que o padre falou Porque quando eu jurei Meu amor eu traí a mim mesmo Hoje eu sei! Que ninguém nesse mundo É feliz tendo amado uma vez Uma vez... Eu perdi o meu medo O meu medo O meu medo da chuva Pois a chuva voltando prá terra Trás coisas do ar Aprendi o segredo O segredo, o segredo da vida Vendo as pedras Que choram sozinhas No mesmo lugar Vendo as pedras Que choram sozinhas No mesmo lugar Vendo as pedras Que sonham sozinhas No mesmo lugar...

Que capacidade impiedosa essa minha de fingir ser normal o tempo todo.

A verdade é que Jesus está em minhas músicas.

Sou timido e sensivel a flor da pele, no palco é a hora de vomitar.

A saudade é um parafuso que quando a rosca cai só entra se for torcendo porque batendo não vai. Mas quando enferruja dentro nem distorcendo não sai.

O ciúme é só vaidade.

As nuvens vagueiam no espaço sem lar nem raiz. O ódio não é o real é a ausência do Amor...

Eu me utilizo de todos os meios da Sociedade de consumo, penetro no Sistema, mas como um veneno.

A coisa mais penosa do nosso tempo é que os tolos possuem convicção e os que possuem imaginação e raciocínio vivem cheios de dúvida e indecisão.

Eu compus metamorfose ambulante aos 12 anos de idade ou menos.

Pagam para ver um Deus, alguém que lhes aponte o caminho em cima do palco mas eu não sou um lider. Eu sou o lider dos lideres.

Enquanto todos praguejavam contra o frio, e fiz a cama na varanda!

Tente. Levante sua mão sedente e recomece a andar. Não pense que a cabeça aguenta se você parar. Tente outra vez.

Ninguém tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender.

Lá vou eu aqui de novo falar de mim, por que não consigo mas falar de ninguém. Lá vou eu aqui de novo tentando me conhecer, porque sei que a gente não conhece ninguém. Acabei de tomar meu Diempax, meu Valium 10 e um Triptanol 25, e a chuva promete não deixar vestigios. Eu olho a janela, e quando vou percebendo algo me transporto para Feira Velha e não sei se sinto saudade ou se eu não tenho medo de morrer. Mergulho no baú. Revejo, repasso as minhas teorias, fico me perguntando por que eu não choro e qual a última vez que chorei. Fico com raiva de minha bobagem, digo que é isso mesmo, tocar o barco pra frente. Levanto e fico achando que o ser humano é engraçado.

[As Condições] Show das nove até meia-noite. Papo. Atender colegas e não colegas. Dormi três horas. Acordo ás sete, pego o avião. Medo. Salto no Rio. Fila de táxi. Chego em casa vejo Simone (minha filha). Tv Globo. A irritação dos diretores e contra-regras. Eles estão certos: filmaram novela até cinco da manhã e estão sem dormir. Você já tem camarim? (a bicha camareira). Eu me lembro de você no Chacrinha, ficava nos corredores. Calçaram meus sapatos, escovaram meus cabelos, me maquiaram e me sorriram. Volto pra casa correndo. Arrumo algo. Almoço em Ipanema, na Montenegro. Sol - praia - táxi - aeroporto São Paulo ou Rio? Fila - avião - São Paulo - táxi - hotel - rápido. Restaurante perto do show. Show - papo. Atender colegas e não colegas. Hotel: aviso para não ser pertubado. Acordo ao meio-dia. Pra mim tem café!!! Voltamos a dormir. A camareira mete a chave na porta e espia se tem gente e me acorda. Dou um PORRA bem alto e ela some. Ela tem razão: mora longe, ganha pouco, tem que arrumar o quarto no período da manhã, senão tem que ficar depois da hora. Eu me arrependo. Também tenho razão?? Os táxis são violentos; matariam os passageiros por prazer. Estão certos; as condições em que se vive nas cidades são propícias pra enlouquecer. Vírus da cidade. Você enlouquece e joga o jogo se suicidando dia após dia.

Eu sou um pacifista, trabalho pela paz e para um mundo melhor. Trabalho contra os caretas do mundo, contra o torpor, a imprecação, contra a arapuca que nos foi armada e durante séculos vivemos conformados, presos nela comendo o alpiste que nos dão. E o pior é que os que prepararam a arapuca também caíram nela, comem do mesmo alpiste e não sabem disso. Trabalho para sair da arapuca com todos os que estão querendo ser pássaros livres outra vez. Os que estão cegos ficarão soterrados dentro dela quando ela desabar. Sou um pacifista, a mando de forças exteriores. Pensando que estão por cima, os imbecis vivem dentro do mesmo esquema: a neurose, a preocupação criminosa e doentia de manter-nos a todos dentro da armadilha. Mas é preciso sair dela de qualquer maneira, é a única salvação ou seremos eternos pássaros tristes, presos numa arapuca com alpiste racionado. Eu quero ver o mundo do cume alto de uma montanha!!!

Prefiro ser Essa metamorfose ambulante Eu prefiro ser Essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo... Eu quero dizer Agora o oposto Do que eu disse antes Eu prefiro ser Essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo... Sobre o que é o amor Sobre o que eu Nem sei quem sou Se hoje eu sou estrela Amanhã já se apagou Se hoje eu te odeio Amanhã lhe tenho amor Lhe tenho amor Lhe tenho horror Lhe faço amor Eu sou um ator... É chato chegar A um objetivo num instante Eu quero viver Nessa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo... Sobre o que é o amor Sobre o que eu Nem sei quem sou Se hoje eu sou estrela Amanhã já se apagou Se hoje eu te odeio Amanhã lhe tenho amor Lhe tenho amor Lhe tenho horror Lhe faço amor Eu sou um ator... Eu vou desdizer Aquilo tudo que eu Lhe disse antes Eu prefiro ser Essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo... Do que ter aquela velha, velha Velha, velha, velha Opinião formada sobre tudo.

Eu já entrei vinte vezes no escritório do psicanalista Depois paguei ao médico e depois fui ao dentista Para ver o que eu tenho e não consigo dizer. Perguntei a toda gente que passava na rua Ao patrão, à minha sogra, à São Jorge na lua Mas nenhuma dessa gente conseguiu me responder. Por causa disso eu fui pra casa e fiquei pensando Se era eu que estava errado com as minhas maluquices Ou se era o mundo todo que estava me enganando. Arrumei as malas Deixei as perguntas na gaveta Procurei saber o horário do próximo cometa Me agarrei em sua cauda e fui morar noutro planeta.

Eu sei que determinada rua que eu já passei Não tornará a ouvir o som dos meus passos Tem uma revista que eu guardo há muitos anos E que nunca mais eu vou abrir Cada vez que eu me despeço de uma pessoa Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez A morte, surda, caminha ao meu lado E eu não sei em que esquina ela vai me beijar Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque, Na música que eu deixei para compor amanhã? Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro? Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada, E que está em algum lugar me esperando Embora eu ainda não a conheça? Vou te encontrar Vestida de cetim Pois em qualquer lugar Esperas só por mim E no teu beijo Provar o gosto estranho Que eu quero e não desejo Mas tenho que encontrar Vem Mas demore a chegar Eu te detesto e amo Morte, morte, morte que talvez Seja o segredo desta vida Qual será a forma da minha morte Uma das tantas coisas que eu nao escolhi na vida Existem tantas... um acidente de carro O coração que se recusa a bater no próximo minuto A anestesia mal-aplicada A vida mal-vivida A ferida mal curada A dor já envelhecida O câncer já espalhado e ainda escondido Ou até, quem sabe, O escorregão idiota num dia de sol A cabeça no meio-fio A morte, tu que és tão forte Que matas o gato, o rato e o homem Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres Me buscar Que meu corpo seja cremado E que minhas cinzas alimentem a erva E que a erva alimente outro homem como eu Porque eu continuarei neste homem Nos meus filhos Na palavra rude que eu disse para alguém Que não gostava E até no uísque que eu não terminei de beber / Aquela noite...

A maioria de nós passa a vida inteira poupando felicidade, tão preocupados em não morrer que acabamos por não viver. Passamos a vida como lagartas rastejantes por medo da metamorfose e do desconhecido; e assim apodrecemos sem termos tido um único momento como borboleta. Se tememos a morte é apenas por não termos vivido. Na verdade morrer sem ter vivido é o único pecado que existe.

Há uma recompensa para os escolhidos, o saber conhecer entre muitos o tem aliado. Não há medo entre as crianças. As crianças são o nome do Novo Rei. Oh! Divino Deus, Eu, humilde servo teu Servo eternos dos teus segredos loucos Me rendo a tua luz Eu chego à você Tão com medo Tu és meu Senhor.

Sou tão bom ator que finjo ser cantor e compositor e vocês acreditam. A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal. Ninguem tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender. Todos os partidos são variantes do absolutismo. Não fundaremos mais partidos; o Estado é o seu estado de espírito. Só há amor quando não existe nenhuma autoridade. O sonho do careta é a realidade do maluco. A desobediência é uma virtude necessária à CRIATIVIDADE. Ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida. Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio. Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez. Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos. A formiga é pequena, mas elas são um exército quando juntas. De que o mel é doce é coisa que eu me nego a afirmar, mas que parece doce eu afirmo plenamente. Nunca é tarde demais pra começar tudo de novo. Há Homens que nascem póstumos. Que capacidade impiedosa essa minha de fingir ser normal o tempo todo. Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu.

Se você acha que tem pouca sorte Se lhe preocupa a doença ou a morte Se você sente receio do inferno Do fogo eterno, de Deus, do mal Eu sou estrela no abismo do espaço O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço Onde eu tô não há bicho-papão Eu vou sempre avante no nada infinito Flamejando meu rock, o meu grito Minha espada é a guitarra na mão Se o que você quer em sua vida é só paz Muitas doçuras, seu nome em cartaz E fica arretado se o açúcar demora E você chora, cê reza, cê pede... implora... Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho Eu quero é ter tentação no caminho Pois o homem é o exercício que faz Eu sei... sei que o mais puro gosto do mel É apenas defeito do fel E que a guerra é produto da paz O que eu como a prato pleno Bem pode ser o seu veneno Mas como vai você saber... sem provar? Se você acha o que eu digo fascista Mista, simplista ou anti-socialista Eu admito, você tá na pista Eu sou ista, eu sou ego Eu sou ista, eu sou ego Eu sou egoísta, eu sou, Eu sou egoísta, eu sou, Por que não...

Deus - o que é? E não quem é D eterminação E nergia U niverso S uperior Ei-lo descrito e traduzido por essa gramática racionalista que define tudo em apenas cinco letras. Poderia também ser: D esnecessário E nigmático U surpador S afado Eis a minha gramática: Quando a razão afirma que Deus é a causa do mundo, só existe um termo concreto, somente um lado de experiência que é o mundo, enquanto o outro Deus é totalmente suposto. Deus seria então uma afirmação inverificável; uma pura hipótese que pretende explicar os fatos, mas que está impossibilitado de explicá-los. Lembrando as palavras de Laplace: Deus? Não necessito desta hipótese. Nós temos direito de procurar a causa no mundo, mas não de inventar uma causa do mundo. É tudo muito fácil: Por que o mundo existe? Invoca-se Deus, e pronto!! Brunschvicg, numa crítica semelhante à de Kant, pergunta: Mas as exigências do princípio de causalidade não nos levarão a reclamar uma causa para Deus? A existência de um criador que não foi criado por nada está caindo em contradição com o princípio em nome do qual dizemos que Deus veio do nada como causa primeira. Ora, se aceitarmos um Deus sem causa, não podemos aceitar também, e mais simplesmente, um mundo sem causa? O Universo me espanta e não posso imaginar que este relógio exista e não tenha um relojoeiro.

Enxugue estas lágrimas Não fique triste assim Um dia voltarei meu bem Aqui não é o fim Dê-me tua mão É teu o meu coração Não vou te esquecer Não fique a temer Pois o nosso amor Não foi em vão

Eu devia estar sorrindo e orgulho por ter finalmente vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa...

As pessoas não morrem, só acordam do sonho da vida.

Combinar rock com baião foi a fórmula certa pra chamar a atenção. Mas foi só o começo.

Vote nulo, não sustente parasitas.

Do passado me esqueci. no presente, me perdi. se chamarem... ... diga que saí!

Eu perdi o meu medo da chuva. Pois a chuva, voltando pra terra, trás coisas do ar.

Viva a Sociedade Alternativa!

A Sociedade Alternativa é a chave da felicidade

O numero 666 é Aleister Crowley.

Sonho que se sonha junto é realidade.

Eu sou o corpo Raquítico que o teu olho desprezou sou a saliva das bocas que tua boca beijou sou o velho que pede esmola sou a criança que chora desprotegida de amor.

Por que que os sonhos foram feitos pra gente não viver?

Eu não sei aonde eu to indo.. mas eu sei que eu tô no meu caminho.

Na cidade de cabeça pra baixo, a gente usa o teto como capacho.

Eu que ja andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que ele me falou...

Se eu fosse burro, não sofria tanto.

Não sei onde eu to indo Mas sei que eu to no meu caminho Enquanto você me critica, eu to no meu caminho.

O dia apresentava como que envolvido por uma névoa branco-acinzentada e chegava a lembrar o famoso fog da Inglaterra. No ar pairava uma coisa mágica que só os ingleses também sentem como uma coisa natural, que faz parte deles, que nasceu com eles. Eu caminhava absorto e atento ao mesmo tempo, completamente envolvido por tudo o que estava à minha volta, e ao mesmo tempo completamente tomado pelo ambiente que me envolvia em seu clima a cada instante, me levando a esquecer que existia qualquer outra coisa que não fosse aquilo. E foi nesse estado que de repente fui tomado de surpresa e volta à realidade, por um barulho alto, estridente e agressivo pela surpresa com que se fez ouvir. Parei como um gesto de defesa e precaução instintivo, sentindo o coração acelerado e o sangue correndo em todo o meu corpo, me colocando todo em posição de ataque contra o que havia se intrometido em minha privacidade de uma maneira tão inconveniente. E qual não foi minha surpresa ao deparar com um ser nunca visto por mim nem parecido, em qualquer parte do mundo ou em qualquer coisa. Era como um velho de longas barbas brancas, nu, magro, mostrando as costelas que lhe pulavam no corpo. Os cabelos longos e lisos caídos pelas costas e braços finos e ossudos, um sorriso meio sarcástico dentro de um ar inteligente (gosto muito de pessoas com ar inteligente) e um olhar azul onde se poderia ver claramente uma segurança e uma certeza de saber que ali o que podia conduzir as coisas era ele, e não eu como sujeito fraco e medroso com o fato de temer o inesperado. - Ei, você também é um inesperado para mim (disse ele como se eu tivesse dito qualquer coisa a esse respeito), pois nunca o vi antes e você invadiu o meu ponto. Quase sem conseguir balbuciar qualquer palavra, respondi: - Que... Que é você? - O que você quiser que eu seja - respondeu-me como se isso fosse fácil para mim de entender. Depois de alguns segundos, sentindo aquela presença que me fixava e transmitia milhões de sentimentos nunca antes experimentados por mim, tentei entabular uma conversa.. - Olha, não estou entendendo nada, não sei como nem de onde você apareceu, mas o que é que você quer? - Ora - disse o velho -, como já disse, você entrou no meu ponto. Eu estava descansando aqui quando você me pisou me ignorando completamente. Voê acha que pode sair por aí pisando nas pessoas, como se elas não existissem? - Mas eu não o vi. Não havia nada aqui a não ser essa àrvore, algumas pedras e grama... - E você diz que isso é só? Eu sou isso tudo. Eu sou a grama deste lugar e estando em contato com a árvore sou também um pedaço dela, e as pedras também me compõem. - Ora, mas isso existe em todo esse lugar, e até agora não havia ninguém reclamando nem comigo nem com ninguém. Onde estão os outros? - Ah, eles normalmente quando vêem vocês (humanos) se aproximando, ou se escondem embaixo da terra ou voam e ficam esperando que vocês passem para que possam voltar aos seus devidos lugares. Mas eu já estou velho e me cansa muito todo esse exercício de subir e descer. Vocês deveriam sentir mais as coisas em volta de vocês, não acha? - Sim, sim, você está certo, mas realmente estamos acostumados a fazer isso como se fosse nada. - Ah, ah, aí que está. Vocês não querem se aperceber do que existe por que é muito mais cômodo desconhecer do que tomar consciência, não é? isso implica cuidado, cautela, respeito e consideração, e pra vocês, já pude notar que é bastante dificil. Oh, vocês são tão complicados. É só uma questão de despertar os sentidos e desenvolvê-los, já que eles fazem parte de vocês. Mas sente aí. Não há ninguém por perto no momento. Aceitei o convite e sentei ao lado daquela figura que se espalhou pelo chão como uma sombra-água, sem forma e descontraída. Seus olhos agora estavam fixos numa folha que lhe roçava os lábios, e comeu-a inesperadamente. - OK, venha comigo. - E, sem me dar tempo para pensar, levou-me com ele para sua forma, para seu mundo. (1977)

A LEI DA INSEQUABILIDADE Muita gente ainda hoje se pergunta se é insequapível ou não. A resposta é clilófricamente simples: A lei da insequapibilidade pode ser explicada baseando-se no método do Diafragma de Aquiles. Tomando-se por base os crepúsculos de diferentes dimensões, alia-se ao pentagrama diluvial pela quinta lei de Newton, lei esta referente à gravitação das histórias em quadrinhos em torno dos velocípedes. Daí onde a teoria vigente entra em desacordo com a referida insequapibilidade. Insequapíveis? Sim, porém insequapóveis em certos aspectos, quando examinados pelo oblíquo lado da patinete. Fórmula (Segundo ou terceiro Godofredo IV do Irã) I - Retumblências transpurcar com azôto de carbono. II - 3% de Rataclenas quentes. III - 6 litros de pisceleto à gampôla na manteiga. Fórmula algébrica da insequapibilidade: X3 + nada = ou parecido.

Estou perdido na varanda de Mercúrio sem asas para perseguir meu eco. Estou dominado pela rainha Medusa, sentada na sua poltrona de veludo verde com seus nove cães de prata ao lado. Estou agora em labirintos de anis, onde mordomos gentis sorriem bemóis.Me cumprimentam cordialmente, centauros errantes nos pastos lilases do lado de fora. Cavalgo em renas de rendas em desvairada velocidade para, angustiado, alcançar seus cabelos de nylon que enfeitam a bandeira dos sonhos. E lá se vai eu. Estou correndo no sangue das verdes veias duma idéia que brotou da fonte do ano que passou. Sento-me no amarelo.Estou chorando em hipérboles!Estou perdido na varanda de Mércurio sem asas para perseguir meu eco.Estou no espaço cósmico.Na plasmibiose do universo que se agiganta e me engole.Estou há bilhões de anos-luz distante de mim mesmo. Gentes de cera lustrosa arrastam seus corpos em direção á porta do nada.Suco de clorofila borbulha em espumas verdosas em canecos de bronze, onde anões bebem sem boca. Agora onde estou eu não sei. Nem nunca soube. Estou no cume do arco-íris?Na parte da roxa daquele transferidor? Sei lá. Nem m`importa. Sentado, sozinho, sem medo de cair, ás sete horas de cores e uma mistura, eu pouso pacato em plutão, montado numa borboleta gigante, tranquila, quieta e colorida. Pouso pacato em plutão, com um guarda-chuva e uma máquina de costura (daquelas singer antigas de pedal, que vovó usava para fazer gorrinhos para mim). E a chuva não promete deixar vestigios.

Jesus era tão bom, humilde e sábio que ele não queria ser adorado, muito menos ser pop star, ele queria apenas fazer com os homens enxergassem o caminho do bem e do mal para que pudéssemos escolher, mostrar que todos nós temos Deus dentro de nós e não precisamos de intermediários pra falar com Ele, mas a humanidade ainda não aprendeu isso, mesmo em 2000 anos.

Talvez o certo para você é o errado para mim. Claro, cada um é cada um, ninguém é igual a ninguém. Não vai ser por isso que vamos nos desentender. Duas pessoas discutirem e não chegarem a uma conclusão igual, é a melhor prova de que cada ser humano tem o seu valor e identidade própria.

Eu já fui de vários jeitos Jeitos que não eram eu Demorei a encontrar meu caminho Trilhando caminhos que não eram o meu Mas ao longo dos caminhos Encontrei muitas flores E também muitos espinhos Descobri vários amores Enfrentei vários temores Pelas beiras dos caminhos E eles foram se fundindo Todos em uma coisa só Os caminhos, os amores E os temores Tudo o que encontrei Tentando ser o que não era eu Transformou-me no que eu sou E formou o caminho Que finalmente era o meu...

Eu sei que determinada rua que eu já passei Não tornará a ouvir o som dos meus passos Tem uma revista que eu guardo há muitos anos E que nunca mais eu vou abrir Cada vez que eu me despeço de uma pessoa Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez A morte, surda, caminha ao meu lado E eu não sei em que esquina ela vai me beijar Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque, Na música que eu deixei para compor amanhã? Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro? Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada, E que está em algum lugar me esperando Embora eu ainda não a conheça? Vou te encontrar Vestida de cetim Pois em qualquer lugar Esperas só por mim E no teu beijo Provar o gosto estranho Que eu quero e não desejo Mas tenho que encontrar Vem Mas demore a chegar Eu te detesto e amo Morte, morte, morte que talvez Seja o segredo desta vida Qual será a forma da minha morte Uma das tantas coisas que eu nao escolhi na vida Existem tantas... um acidente de carro O coração que se recusa a bater no próximo minuto A anestesia mal-aplicada A vida mal-vivida A ferida mal curada A dor já envelhecida O câncer já espalhado e ainda escondido Ou até, quem sabe, O escorregão idiota num dia de sol A cabeça no meio-fio A morte, tu que és tão forte Que matas o gato, o rato e o homem Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres Me buscar Que meu corpo seja cremado E que minhas cinzas alimentem a erva E que a erva alimente outro homem como eu Porque eu continuarei neste homem Nos meus filhos Na palavra rude que eu disse para alguém Que não gostava E até no uísque que eu não terminei de beber / Aquela noite...

Não existem respostas porque não existem perguntas. Eu não pergunto absolutamente mais nada. As coisas são, e pronto. Nós seres humanos, somos verbos. Somos e estamos, é a única coisa que nos sabemos. E é bonito assumir essa coisa de somente ser… Está todo mundo perguntando até hoje e ninguém tem resposta. Mas ser por ser é bom, torna a vida mais leve e menos violenta. Se todo mundo pensasse assim, as coisas certamente seriam mais fáceis.

Você alguma vez se perguntou por que Faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar? Mas voce faz, sem saber porquê, você faz!

O amor é uma coisa real, e a gente nunca deve se esquecer.

Ninguém presica fazer Nenhuma coisa que não tenha vontade.

Quanto mais conheço a humanidade mais eu amo os meus cachorros...

Eu conheço bem a fonte que desce daquele monte ainda que seja de noite ainda que seja de noite porque ainda é de noite no dia claro dessa noite...

Porque quando eu jurei meu amor eu traí a mim mesmo. Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez, uma vez...

Ninguem tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender.

Quem manda não ser burro, não sofria tanto

Rock n Roll não se aprende nem se ensina.

Entre, vem correndo para mim Meu princípio já chegou ao fim E o que me resta agora É o seu amor

Tanto faz a vida como a morte O pior de tudo eu já passei...

Convence as paredes do quarto e dorme tranquilo, sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo.

Sua vida, seu bem único, só pertence a você. Faça dela o que quiser.

A coisa mais penosa do nosso tempo é que os tolos possuem convicção e os que possuem imaginação e raciocínio vivem cheios de dúvida e indecisão.

Basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo.

Tente me ensinar das tuas coisas Que a vida é séria e a guerra é dura, se não puder cale essa boca E deixa eu viver minha loucura.

Tem dias que a gente se sente um pouco, talvez menos gente.

O homem é o exercício que faz.

O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço

Presa fácil da minha cerebrotânica labilidade À terrível lucidez do medíocre. Negar que é pestilento, jamais. O mais e o menos são valoráveis. Porém de nada se extrai Da média-ocridade Idade da pedra. Me incomoda A dúvida que, mascarada em cão, Ladra e morde enfermamente. Não quero interferências banais Interferindo no meu espírito.

•A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal. •Eu não sou louco. É o mundo que não entende minha lucidez... •Só há amor quando não existe nenhuma autoridade.

Cada vez que eu passo por um dia aqui, ali, catando, olhando, pensando, eu vou adquirindo um novo conceito das coisas que me cercam. Acho que parei num lugar; parece que meus conceitos próprios chegaram. Dúvidas de mim já não tenho. Sei dos caminhos e de como eles são. O dia a dia fez de mim um homem mais calmo, mais sereno, menos desvairado. Nós (você, eu, Sérgio, Walter) somos velhos e estamos caminhando para nascer, e enquanto não nascemos levamos nosso cão raivoso para passear. Amizades mais calmas, mais escolhidas (achei boa companhia), bom papo, cervejas em botecos longe da fumaça e da poluição, pois esta cidade não pára!! Eu preciso dar um descanso à máquina. Já não há escapatória para a nossa civilização. Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos. Há dias calmos aqui também. Manhãs que passam manhosas entre os móveis e automóveis e a gente vai percebendo, aos poucos, que o capim do parque ainda é verde. A gente enche os pulmões, pega um tema e sai assoviando. Só ando de ônibus. Cheguei à conclusão que eu me aborreço 99% menos. Ônibus não é tão mau quanto eu pintava. Em cada carta eu lhe falo um pouco sobre esse movimento Cavernismo, que é um movimento de tendências universalistas. (Carta inacabada ao irmão Plínio Seixas) 1970

Carta a um Amigo Sabe Francisco Eu vi pela televisão Notícias que falam do mundo Mergulhado em confusão Parece Francisco Que tudo o que você falou Somente os peixes e as aves É que prestaram atenção Você disse que é melhor Amar que ser amado Mas tem gente que ainda vive Dando amor pré fabricado Você que um dia arrancou A roupa do teu corpo e ousou Mostrar com sua nudez Coisas que outro homem jamais fez Venha de novo Fazer outra revolução Pois quem sabe dessa vez O mundo preste atenção

Só há amor quando nenhuma autoridade existe. Essa coisa autoridade é uma das coisas mais perigosas da vida. Eu não quero ser autoridade. Nós temos e podemos criar um mundo novo. Ó gente! Eu estou perguntando a vocês, cabe a vocês achar essa resposta. Se aceitar a verdade de outrem não será a sua resposta. Há um imenso trabalho para fazermos juntos, isso nos acrescenta uma enorme responsabilidade. Devemos ser revolucionários; dentro em nós deve se operar uma profunda revolução psicológica.

Desabafo de Segunda-feira É impossível para o espelho da alma refletir na imaginação alguma coisa que não esteja diante dele. É impossível que o lago tranqüilo mostre em sua. profundeza a imagem de qualquer montanha ou o retrato de qualquer árvore ou nuvem que não exista perto do lago. É impossível que a luz projete na terra a sombra de um objeto que não exista. Nada pode ser visto, ouvido ou de outro modo sentido, sem ter essência real. O resto é excesso. Na luta contra o mal o excesso é bom; quem é moderado em anunciar a verdade está apresentando apenas uma meia-verdade. Esconde a outra metade com receio da cólera do povo. Não vou me surpreender se os pensadores disserem de mim: É um homem de excessos que se volta para o lado mais desagradável da vida e não apresenta nada mais que desgraças e lamentações. Se não entende, cumpadre, na casa da ignorância não há espelho no qual se possa ver a alma. A vida, mestre, é uma escuridão que termina na explosão da luz do dia. Sempre!

Já me borrei de tanto rir ouvindo o infinito sempre explicado. Se sendo é um verbo, prefiro ficar sendo calado.

O povo brasileiro não tem tempo pra ler, anda muito ocupado para poder pensar.

Tudo tem exatamente a mesma importância, a mesmíssima importância, ou seja, nenhuma.

Você tem todo o direito de tentar me ensinar das tuas coisas, porque a vida é séria e guerra é dura, mas se eu não quiser aprender tudo, deixe eu viver minha loucura, pois nunca criticarei a sua.

Eu sou só um ator que interpreta o papel de cantor e compositor. Um magro abusado.

Eu perco pra malandro, perco pra ladrão, perco pra espertinhos e espertões, perco na transação bancária, nos juros e na taxa diária. Ah, mas na sabedoria é que eu ganho de vocês, essa ninguém me tira.

O punk é um modismo que não atinge o governo e vai acabar sendo engolido pelo sistema.

Conserve seu medo mas sempre ficando sem medo de nada, por que dessa vida de qualquer maneira não se leva nada.

Levante sua mão sedenta. E recomece a andar. Não pense Que a cabeça agüenta se você parar.

Nunca se vence uma guerra lutando sozinho.

Decálogo Ao pé do monte Sinai A voz do anjo gritou O solene momento do início Da soberania do Estado-Senhor A trombeta fatídica da lei Que o mundo inteiro escutou: Não te reunirás Não te imprimirás Não lerás Respeito aos que te representam Fiel vais pagar o orçamento Vais amar o teu governo Que é teu Deus e Senhor. [1984]

Texto Sem Título [1976] Aí então o mundo todo estava com um pano no pescoço, e o chefe dos soldados gostou e disse que todos tinham que usar aquilo. Foi assim que até hoje (mesmo no calor e mesmo sem pescoço grande) é que seu pai usa gravata. Tia Lúcia gosta muito de diamantes de perfumes franceses. Ela gosta por que diamante é uma pedra muito difícil, poucas pessoas têm, e ela acha bonito. Eu não gosto por que não preciso mesmo, mesmo, dele. Ele só fica ali pendurado no pescoço, e além disso ele não serve para brincar. E outra coisa, eu sou uma pessoa diferente dela e é por isso que ela gosta de diamantes e eu não. Vamos fazer um brinquedo: vamos inventar uma palavra qualquer. V-a-l-o-r. O que que isso quer dizer? Valor é a maneira de cada pessoa ser diferente das outras. Cada um dá valor àquelas coisas que cada um gosta, certo? É como dar nota. Eu dou nota 10 a minha bicicleta e dou 0 ao diamante. Eu tenho um valor para cada coisa do mundo. Eu tenho muitos valores, quer dizer, tenho muitas notas que eu dou a tudo que eu gosto e que eu não gosto. Todo mundo tem também seus valores, suas notas. Quer ver? O padre. O valor dele é a reza. Ele acha que se a pessoa rezar vai sempre estar contente. Mas o padre, coitado, ele não sabe que tem gente que está contente sem precisar rezar. Eu não gosto de ficar triste. Ficar triste é chato, por que a gente só fica triste quando está fazendo o que não gosta. Veja só, porque se você está fazendo o que gosta você só pode estar feliz da vida; e, por falar em vida, você sabe o que é vida??? - Vida é viver contente. Basta você fazer o que gosta e nunca o que outra pessoa diferente lhe manda fazer. Claro, né? Aí todo mundo fica vivendo contente. - Mas como é então que pode tanta gente diferente um do outro viver junto assim como lá na cidade? Parece que todo mundo é igual por que todo mundo trabalha, e se todo mundo trabalha é por que todo mundo é igual. - Não, tem muita gente que trabalha porque se não trabalha não tem dinheiro pra comprar comida e aí morre magrinho. - Quem inventou o dinheiro? - Não sei quem, mas foi um homem alto e louro. Mas isso foi há muito tempo. - Pra que o dinheiro? - Do dinheiro foi feito para que todo mundo tenha que trabalhar para comprar comida. Se não trabalha não come. Você trabalha para alguém e essa pessoa lhe paga, lha dá o dinheiro. - Mas então quem trabalha e não gosta é uma pessoa muito triste, coitada. - Pois é, mas você não deve ter pena dela porque se essa pessoa não faz o que gosta é porque é burra e não sabe como é fácil ser feliz.

As vezes eu me olho no espelho Sinto medo, medo de mim Eu não me conheço Sou esquisito Sou humano Uso óculos, como, bebo, fumo e defeco Mijo Olho-me no espelho E esse da-me de volta quem saiu Eu riu, alto, assustado e engraçado. Duas longas coisas saindo do corpo: são os braços Buracos, pelos, peles, nariz ponteagudo Duas orelhas presas na minha cabeça Olho os dedos, meus olhos, me assusta. Falo, sinto emoções e tomo cerveja Rídícula coisa, ali em pé em frente ao espelho Eu me vejo de fora Faço uma abstração mental do que eu nunca vi Que sou humano, e me vejo. É esquisito. É realmente esquisito. Procuro-me no espelho Enão me acho. Só vejo aquilo ali. Parado. Um monte de carnes equilibradas por ossos duros que me mantem em pé. Ali no espelho. Eu sei que não sou aquilo, e o que sou, o espelho não pode me mostrar... AINDA... eu não brilho... ainda... fornecido por D. Maria Eugenia Seixas 08/90

Eu do Sol Hoje a janela me ofereceu uma paisagem Ofereceu-me o pôr do sol muitos, eu sei, em meu lugar seriam capazes de poetar de escrever em tintas coloridas ou belas palavras O cenário que se apresentava ante minha janela Eu, eu porém estava neutro eu havia visto aquilo antes muitos exaltaram o lilás-avermelhado do céu teceriam espíritos iluminados das nuvens ressuscitando formas Ontem, eu teceria também, mas hoje estou neutro sem forças, somente existindo ontem, eu disse, que lindo azul eu sou que lilás-avermelhado eu posso ver eu posso, eu posso ver pois a natureza é incolor Natureza morta somente átomos em profusão dominam o que percebemos erradamente como formas numa gestalt que no fundo não há nada de belo é só você, você, você os poetas descritivos estão redondamente enganados ao invés de exaltar a beleza da natureza falsa deveriam dedicar odes a si próprios exaltando nosso eu que sem dúvida é maravilhoso e incrível pois é com esse mecanismo complexo que nos leva a perceber tais fotografias O pôr do sol Eu me ponho às 6 horas na Bahia e às 7 no Rio Eu sou o céu com andorinhas Eu sou o mar com seus peixes Eu sou o mundo inteiro assim piso no lugar que cheguei aqui está minha ode que faria ontem Eu sou o sol que belo lilás estou, que faço aqui, porque me ponho criatura cheia de porquês e vivo e gracioso cérebro que linda massa acinzentada, oh máquina poderosa, força de energias mil faze-me crer que estou vivo que existo nesse Brasil Ô mago do cosmos, poderoso mais que Alexandre poderoso mais que eu possa conceber ou imaginar entre tu e as tripas aparentemente parecidas diferes em criação desde tempos já idos Oh, massa molecular eu sou o azul lilás que essa janela me trás

Por favor... Por favor... Já que eu nasci, eu só preciso de alguem Alguem como eu, preciso com jeito de me dar amor. Me sinto só... aaahhh... Quero carinho Por favor, eu tenho medo Não to apelando pra ninguem Só estou normal - te gritando Por favor !!! Estou só !!! Ninguem pode me dar o que eu sei que ninguem tem, Mas... Por favor !!! ô ô ô olhe a vida !!! Feitos pra sentir uma coisa que não existe. Eu só sei gritar... não sei cantar AAAHHH ! Não vou cantar Se posso gritar AHHH !!!

Cada vez que eu cumprimentava uma pessoa, dava três giros em torno do próprio corpo. Eu era o próprio rock. Eu era Elvis quando andava e penteava o topete. Eu era alvo de risos, gracinhas, claro. Eu tinha assumido uma maneira de vestir, falar e agir que ninguém conhecia. Claro que eu não tinha consciência da mudança social que o rock implicava. Eu achava que os jovens iam dominar o mundo.

Sou punk: ”Amanheci determinado a mudar, agora vou ser punk até apodrecer. Apodrecer para incomodar, com meu mau cheiro empesteando o teu jantar. Eu sou punk, nojento, e mais, eu quero é matar minha vozinha, botar veneno na cerveja do meu pai. Não acredito mais em nada, vou cuspir na cara da empregada. Eu sou punk nojento, vulgar, demais.

Ele vivia assim em plena depressão ultimamente. Solidão!!! Solidão!!! Eu sou testemunha que ele queria que Kika voltasse morar com ele. Ele precisava de uma família, sentia falta. Ela não voltou, teve medo! (não a culpem) a barra era pesada demais. Ele se deixou morrer, sem se cuidar. Ele era um suicida em potencial. Deus cuide de sua alma, meu filho, minha dor! escrito por: D. Maria Eugênia Seixas.

Oculos A grande novidade agora sou eu usando óculos. Todos fazem perguntas ao ver-me de cara nova, e a todos eu pareço dever uma explicação. Astigmatismo, digo. Uma rizada forçada, uma pileria sem graça e vamos partindo para outro. No entanto esse óculos veio me benificiar. Certas pessoas que não gostavam do meu aspecto pessoal passaram a gostar do novo eu. Acham que assim eu pareço gente direita, e parecer é muito importante para essa gente. Posso afirmar que é muito interessante ter um par de óculos de vidro pendurado nas orelhas e e nariz. Hoje pela tarde encontrei um conhecido que me perguntou tolamente. _Voce está usando óculos agora? É? E eu lhe respondi: Ontem eu tomei banho de óculos, sabe? Agente fica enxergando tudo chuviscado... embaça o vidro...

Culpo minha pobre e velha mãe e meu magro e triste pai, por me jogarem na vida e ousadamente me colocarem o nome de Raul. Eis-me! Culpo ao meu próprio escárnio de repetir tres vezes o mesmo erro, se é que qualquer um desses tres tenham a mesma lucidez dilacerante do que a dor do absurdo do ser. Nada é mais que um nada mergulhado no oceano de uma dor de chibata chamada Deus! Que este tenha o meu perdão. Só peço que um raio de amor venha do espaço, e blind as tres para que a escuridão da santa divina ignorãncia lhes vedem a visão do apocalipse, amem!

Sem Titulo (1984) Eu não quero ficar em silêncio Não mais! Eu não quero escrever no banheiro Jamais. Eu não quero ficar no escuro Não mais! Eu não quero me sentir solitário Nunca mais. Eu não quero viver com quem é fraco Não mais! Eu não quero me sentir tenso Jamais. Eu não quero sofrer Não mais Eu não quero peso nas costas Nunca mais. Eu não quero deixar de sorrir Jamais Eu não quero andar de passo leve Não mais. Eu não quero viver gastando palavras Pra quem não me ouve jamais! Eu não quero dúvidas de quem não me aceita, não mais! Eu não quero o silêncio De quem não me preenche com palavras de paz.

Metido a escrever (1984) (Por que se eu não escrevesse por certo morreria) Eu, louco do absurdo Cansado de cansaços Desmorono-me em breves reticências Meus dentes caem Meus lábios doem de tanto arder Ardor de falar Palavras inúteis Poeta do caos Imbecil como uma criança Imprudente como uma mulher Estômago ácido-espelho-da língua?

Sem Titulo (1984) Eu minha lanterna e o peixe Felipe. Cheio de coisas para botar pra fora e não tenho quem ouça. - Quem tem um ouvido aí? O que eu despejo no papel do caderno? Caderno tem ouvido? Será que ele entende minha angústia? Será que as linhas frias do caderno me bastam? Ahhh! que besteira enorme é escrever, e no entanto se não o fizesse eu por certo morreria... Mas... Morreria de fato... mesmo. Escrever... escrever... escrever... Tudo já foi escrito; mas não importa.

Eu não posso entender tanta gente aceitando a mentira, de que os sonhos desfazem aquilo que o padre falou. Porque quando eu jurei meu amor eu traí a mim mesmo, hoje eu sei! Que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez, uma vez...

Eu sou canceriano E meu signo ascendente é Leão Leão luar de câncer Louco de nascença Filho da Bahia Que já não faz mais A minha cuca,minha tia Graças aos demônios Deuses,totens meus Eu nasci louco Dou graças a deus como um anormal Não durmo a noite Não tenho mais medo Do livro Baú do Raul

Prefiro Ser Louco, Em Um Mundo Onde Os Normais, Constroem Bombas.

Porque que sempre a solidão vem junto com o Luar?