Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, foi um poeta, compositor e improvisador brasileiro. É considerado um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina.

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, foi um poeta, compositor e improvisador brasileiro. É considerado um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina.

Frases e Pensamentos

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    "CANTE LÁ QUE EU CANTO CÁ

    Poeta, cantô da rua,
    Que na cidade nasceu,
    Cante a cidade que é sua,
    Que eu canto o sertão que é meu.
    Se aí você teve estudo,
    Aqui, Deus me ensinou tudo,
    Sem de livro precisa
    Por favô, não mêxa aqui,
    Que eu também não mexo aí,
    Cante lá, que eu canto cá.
    Você teve inducação,
    Aprendeu munta ciença,
    Mas das coisa do sertão
    Não tem boa esperiença.
    Nunca fez uma boa paioça,
    Nunca trabaiou na roça,
    Não pode conhece bem,
    Pois nesta penosa vida,
    Só quem provou da comida
    Sabe o gosto que ela tem.
    Pra gente cantá o sertão,
    Precisa nele mora,
    Te armoço de fejão
    E a janta de mucunzá,
    Vive pobre, sem dinhêro,
    Trabaiando o dia intero,
    Socado dentro do mato,
    De apragata currelepe,
    Pisando inriba do estrepe,
    Brocando a unha-de-gato.
    Você é munto ditoso,
    Sabe lê, sabe escreve,
    Pois vá cantando o seu gozo,
    Que eu canto meu padece.
    Inquanto a felicidade
    Você canta na cidade,
    Cá no sertão eu infrento
    A fome, a dô e a misera.
    Pra sê poeta divera,
    Precisa tê sofrimento.
    Sua rima, inda que seja
    Bordada de prata e de oro,
    Para a gente sertaneja
    É perdido este tesôro.
    Com o seu verso bem feito,
    Não canta o sertão dereito
    Porque você não conhece
    Nossa vida aperreada.
    E a dô só é bem cantada,
    Cantada por quem padece.

    Só canta o sertão dereito,
    Com tudo quanto ele tem,
    Quem sempre correu estreito,
    Sem proteção de ninguém,
    Coberto de precisão
    Suportando a privação
    Com paciença de Jó,
    Puxando o cabo da inxada,
    Na quebrada e na chapada,
    Moiadinho de suó.
    Amigo, não tenha quêxa,
    Veja que eu tenho razão
    Em lhe dize que não mexa
    Nas coisa do meu sertão.
    Pois, se não sabe o colega
    De quá manêra se pega
    Num ferro pra trabaiá,
    Por favô, não mexa aqui,
    Que eu também não mexo aí,
    Cante lá que eu canto cá.
    Repare que a minha vida
    É deferente da sua.
    A sua rima pulida
    Nasceu no salão da rua.
    Já eu sou bem deferente,
    Meu verso é como a simente
    Que nasce inriba do chão;
    Não tenho estudo nem arte,
    A minha rima faz parte
    Das obra da criação.
    Mas porém, eu não invejo
    O grande tesôro seu,
    Os livro do seu colejo,
    Onde você aprendeu.
    Pra gente aqui sê poeta
    E fazê rima compreta,
    Não precisa professô;
    Basta vê no mês de maio,
    Um poema em cada gaio
    E um verso em cada fulô
    Seu verso é uma mistura
    É um ta sarapaté,
    Que quem tem pôca leitura,
    Lê, mais não sabe o que é.
    Tem tanta coisa incantada,
    Tanta deusa, tanta fada,
    Tanto mistéro e condão
    E ôtros negoço impossive.
    Eu canto as coisa visive
    Do meu querido sertão.
    Canto as fulô e os abróio
    Com toda coisas daqui:
    Pra toda parte que eu óio
    Vejo um verso se buli.
    Se as vez andando no vale
    Atrás de cura meus males
    Quero repará pra serra,
    Assim que eu óio pra cima,
    Vejo um diluve de rima
    Caindo inriba da terra.

    Mas tudo é rima rastêra
    De fruita de jatobá,
    De fôia de gamelêra
    E fulô de trapiá,
    De canto de passarinho
    E da poêra do caminho,
    Quando a ventania vem,
    Pois você já tá ciente:
    Nossa vida é deferente
    E nosso verso também.
    Repare que deferença
    Iziste na vida nossa:
    Inquanto eu tô na sentença,
    Trabaiando em minha roça
    Você lá no seu descanso,
    Fuma o seu cigarro manso,
    Bem perfumado e sadio;
    Já eu, aqui tive a sorte
    De fumá cigarro forte
    Feito de paia de mio.
    Você, vaidoso e facêro,
    Toda vez que qué fumá,
    Tira do bôrso um isquêro
    Do mais bonito meta.
    Eu que não posso com isso,
    Puxo por meu artifiço
    Arranjado por aqui,
    Feito de chifre de gado,
    Cheio de argodão queimado,
    Boa pedra e bom fuzí.
    Sua vida é divertida
    E a minha é grande pena.
    Só numa parte de vida
    Nóis dois samo bem iguá
    É no dereito sagrado,
    Por Jesus abençoado
    Pra consolá nosso pranto,
    Conheço e não me confundo
    Da coisa mio do mundo
    Nóis goza do mesmo tanto.
    Eu não posso lhe inveja
    Nem você invejá eu
    O que Deus lhe deu por lá,
    Aqui Deus também me deu.
    Pois minha boa muié,
    Me estima com munta fé,
    Me abraça, beja e qué bem
    E ninguém pode negá
    Que das coisa naturá
    Tem ela o que a sua tem.
    Aqui findo esta verdade.
    Toda cheia de razão:
    Fique na sua cidade
    Que eu fico no meu sertão.
    Já lhe mostrei um ispeio,
    Já lhe dei grande conseio
    Que você deve toma.
    Por favô, não mêxa aqui,
    Que eu também não mexo aí,
    Cante lá que eu canto cá.

    (De Cante lá que eu canto Cá - Filosofia de um trovador nordestino - Ed.Vozes, Petrópolis, 1982)"

        Patativa do Assaré

    "Sertão, argúem te cantô,
    Eu sempre tenho cantado
    E ainda cantando tô,
    Pruquê, meu torrão amado,
    Munto te prezo, te quero
    E vejo qui os teus mistéro
    Ninguém sabe decifrá.
    A tua beleza é tanta,
    Qui o poeta canta, canta,
    E inda fica o qui cantá.

    (De EU E O SERTÃO - Cante lá que eu canto Cá - Filosofia de um trovador nordestino - Ed.Vozes, Petrópolis, 1982)"

        Patativa do Assaré

    "Eu sou de uma terra que o povo padece
    Mas não esmorece e procura vencer.
    Da terra querida, que a linda cabocla
    De riso na boca zomba no sofrer
    Não nego meu sangue, não nego meu nome
    Olho para a fome, pergunto o que há?
    Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
    Sou cabra da Peste, sou do Ceará."

        Patativa do Assaré

    "...Faz pena o nortista, tão forte e tão bravo, morrer como escravo no NORTE do SUL."

        Patativa do Assaré

    "Se ser político é reclamar das injustiças. Então, eu sou político"

        Patativa do Assaré

    "Meus versos é como semente
    Que nasce arriba do chão;
    Não tenho estudo nem arte,
    A minha rima faz parte
    Das obras da criação"

        Patativa do Assaré

    "Há dor que mata a pessoa
    Sem dó nem piedade.
    Porém não há dor que doa
    Como a dor de uma saudade."

        Patativa do Assaré

"As coisas muito claras me noturnam."

    Manoel de Barros

"Onde não puderes amar, não te demores..."

    Augusto Branco

"Eu não desisti...apenas não insisto mais."

    Cazuza

"Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho."

    Carlos Drummond de Andrade

"Todo o homem é culpado do bem que não fez."

    Voltaire

"Os mentirosos estão sempre prontos a jurar."

    Vittorio Alfieri

"Soltar os demônios pode ser muito educativo em certas ocasiões."

    Deepak Chopra

"O sexo é o alívio da tensão. O amor é a causa"

    Woody Allen

"Vento

Pastor das nuvens."

    Mario Quintana

"A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."

    Fiódor Dostoiévski