Mario de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em Alegrete na noite de 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre, em 5 de maio de 1994.

Mario de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em Alegrete na noite de 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre, em 5 de maio de 1994.

Frases e Pensamentos

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    "No retrato que me faço
    - traço a traço -
    às vezes me pinto nuvem,
    às vezes me pinto árvore...
    às vezes me pinto coisas
    de que nem há mais lembrança...
    ou coisas que não existem
    mas que um dia existirão...
    e, desta lida, em que busco
    - pouco a pouco -
    minha eterna semelhança,
    no final, que restará?
    Um desenho de criança...
    Terminado por um louco!"

        Mario Quintana

    " Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto,
    Mesmo quando a situação não for muito alegre...
    E que esse meu sorriso consiga transmitir paz
    para os que estiverem ao meu redor.
    Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...
    E poder ter a absoluta certeza de que esse alguém
    também pensa em mim quando fecha os olhos,
    que faço falta quando não estou por perto.
    Queria ter a certeza de que apesar de minhas
    renúncias e loucuras, alguém me valoriza
    pelo que sou, não pelo que tenho...
    Que me veja como um ser humano completo,
    que abusa demais dos bons sentimentos
    que a vida proporciona,
    que dê valor ao que realmente importa,
    que é meu sentimento...e não brinque com ele."

        Mario Quintana

    "FELICIDADE REALISTA

    princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
    Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta
    termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto
    ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
    Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser
    surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo
    selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito."

        Mario Quintana

    "Amar, nunca me coube
    Mas sempre transbordou
    O rio de lembranças
    Que um dia me afogou

    E nesta correnteza
    Fiquei a navegar
    Embora, com certeza,
    Não possa me salvar

    Amar nunca me trouxe
    Completo esquecimento
    Mas antes me somou
    Ao antigo tormento

    E assim, cada vez mais,
    Me prendo neste nó
    E cada grito meu
    Parece ser maior"

        Mario Quintana

    "Passageiro Clandestino

    No porta-mala do meu automovel
    Levo um anjo escondido...
    Quando chegamos a um descampado,
    Ele sai lá de dentro, distente as asas, bela como a vitoria
    E ai, então, nos seus ombros, dou uma longa volta pelos céus da cidade..."

        Mario Quintana

    "AMOR É SÍNTESE

    Por favor, não me analise
    Não fique procurando cada ponto fraco meu.
    Se ninguém resiste a uma análise profunda,
    Quanto mais eu...

    Ciumento, exigente, inseguro, carente
    Todo cheio de marcas que a vida deixou
    Vejo em cada grito de exigência
    Um pedido de carência, um pedido de amor.

    Amor é síntese
    É uma integração de dados
    Não há que tirar nem pôr
    Não me corte em fatias
    Ninguém consegue abraçar um pedaço
    Me envolva todo em seus braços
    E eu serei o perfeito amor."

        Mario Quintana

    "E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas."

        Mario Quintana

    "Um dia você aprende que deve obedecer. Um dia você aprende que não pode ter tudo o que quer, que gente que tem orgulho próprio é chato e que se deve ser solidário. Que você não deve confiar em ninguém, que deve fazer o bem sem olhar a quem, que, se for menino, não chora e que, se for menina, deve se preservar.

    Você vê que a vida é só uma e que deve aproveitá-la. Você aprende que deve-se pensar duas vezes antes de tomar qualquer atitude. Você aprende que deve aprender com seus erros e aprende que raramente aprende com seus erros. Você aprende a se contradizer, você aprende a mudar de idéia, você aprende a se calar, você aprende a aceitar. Aprende que deve lutar pelos seus ideais. Aprende que deve sonhar e que deve ter os pés no chão.

    Você percebe que quem imita os outros não tem personalidade e que quem é autêntico é esquisito e excluído. Você aprende que as pessoas podem ser muito cruéis. Que as pessoas podem dar tudo de si mesmas para ajudar. Você aprende que sentir ciúmes é ruim. Você aprende que quem não sente ciúmes é desleixado.

    Aprende que não deve se preocupar muito com as coisas. Aprende que não deve deixar a vida correr solta. Que o maior tesouro são os amigos e que você perde os amigos. E ao perder, ainda jogam na sua cara que não era uma amizade verdadeira. Que os outros te julgam e que você não deve julgar ninguém. Que deve-se olhar além das aparências. Que as pessoas te julgam pelo que você aparenta. Que dinheiro importa. Que amor acaba. Que amor verdadeiro não acaba. Que não existe amor verdadeiro. Que dinheiro não trás felicidade.

    Aprende que quanto mais você se esforça, mais insuficiente parece ser. E que não se deve desistir dos sonhos. Também, que se deve desistir de coisas que não se consegue depois de tentar muito. Aprende que a vida é curta. Aprende que você ainda tem a vida toda pela frente. Aprende que há burrices como preconceito e discriminação. Aprende que sente preconceito. Aprende que julga os outros e aprende que se deve aprender a tratar as pessoas igualmente. Aprende que as pessoas não são iguais. Aprende que as pessoas somos iguais. E que alguns são mais iguais que os outros.

    Aprende que não pode errar e que não se acerta sempre.

    Aprende que cantar faz bem. Aprende que pode-se ser altamente repreendido por cantar. Aprende que dançar é bom e que as pessoas podem te repreender por dançar. Aprende que as pessoas te magoam sem nem precisarem de um motivo. E que podem fazer comentários como se você não se importasse com aquilo.

    Aprende que quando a pessoa é fora dos padrões ela se sente ofendida quando lhe falam isso. Aprende que as pessoas são fora dos padrões e fingem não se importar. Que fazer piadas é legal e que é melhor fazê-las do que manter a amizade. E que quem não aceita as piadas são tolos. Que a sinceridade é utópica e desnecessária. Que sinceridade é tudo. Que confiança se perde fácil.

    Aprende que por mais que tente o contrário, um dia vai magoar alguém. Aprende que com conversas tudo se resolve. Aprende que tem gente que não sabe conversar e que nessas conversas, as palavras podem funcionar como armas.

    Aprende que de repente as palavras podem significar nada, algo muito importante ou várias coisas. Aprende que alguns momentos são inúteis... e que outros, que parecem ser tão simples, mudam tudo.

    No fim, você aprende que tudo o que você aprende chega a um belo resultado: aporia."

        Mario Quintana

    "Voa um par de andorinhas, fazendo verão. E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas cartas recebidas. Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro... Vontade.. para que esse pudor de certas palavras?...vontade de amar, simplesmente."

        Mario Quintana

    "Das Utopias
    Não desças os degraus do sonho
    Para não despertar os monstros.
    Não subas aos sótãos - onde
    Os deuses, por trás das suas máscaras,
    Ocultam o próprio enigma.

    Não desças, não subas, fica.
    O mistério está é na tua vida!
    E é um sonho louco este nosso mundo...


    Se as coisas são inatingíveis... ora!
    Não é motivo para não querê-las...
    Que tristes os caminhos, se não fora
    A mágica presença das estrelas!


    Tão bom viver dia a dia...
    A vida assim, jamais cansa...

    Viver tão só de momentos
    Como estas nuvens no céu...

    E só ganhar, toda a vida,
    Inexperiência... esperança...

    E a rosa louca dos ventos
    Presa à copa do chapéu.

    Nunca dês um nome a um rio:
    Sempre é outro rio a passar.

    Nada jamais continua,
    Tudo vai recomeçar!

    E sem nenhuma lembrança
    Das outras vezes perdidas,
    Atiro a rosa do sonho
    Nas tuas mãos distraídas..."

        Mario Quintana

    "PROJETO DE PREFÁCIO

    Sábias agudezas... refinamentos...
    - não!
    Nada disso encontrarás aqui.
    Um poema não é para te distraíres
    como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
    Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
    Um poema não é também quando paras no fim,
    porque um verdadeiro poema continua sempre...
    Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
    não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras."

        Mario Quintana

    "Aprenda a gostar de você

    Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você...
    A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando...
    A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar...
    Mas uma coisa parece estar sempre presente... A busca pela felicidade, com o amor da sua vida.
    Desde pequenas ficamos nos perguntando quando será que vai chegar? E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida será que é ele?.
    Como diz meu pai: nessa idade tudo é definitivo, pelo menos a gente sempre achava que era.
    Cada namorado era o novo homem da sua vida.
    Fazíamos planos, escolhíamos o nome dos filhos, o lugar da
    lua-de-mel e, de repente...
    PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito do próximo.
    Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses.
    Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva.
    Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido,
    inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite.
    Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue imagem e ação e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando você está de short,camiseta e chinelo.
    A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação, já não tem o mesmo valor que tinha antes.
    A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas
    continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal,que nos complete, e vice-versa.
    Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta... E
    haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da
    cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira.
    Sem falar na diversidade, que vai do Forró ao Beatles.
    Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som...
    Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
    Com o tempo, voce vai percebendo que para ser feliz com
    uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
    Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama), e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida.
    Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
    O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.
    No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você! "

        Mario Quintana

    "Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você."

        Mario Quintana

    "A saudade que dói mais fundo e irremediavelmente é a saudade que temos de nós."

        Mario Quintana

    "Era uma vez duas pulguinhas que passaram a vida inteira economizando e compraram um cachorro só pra elas..."

        Mario Quintana

    "Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso."

        Mario Quintana

    "A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta."

        Mario Quintana

    "Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada."

        Mario Quintana

    "Sê bom
    Mas ao coração
    Prudência e cautela ajuntam.
    Quem todo de mel se unta,
    Os ursos o lamberão."

        Mario Quintana

    "Quem ama inventa as coisas a que ama...
    Talvez chegaste quando eu te sonhava.
    Então de súbito acendeu-se a chama!
    Era a brasa dormida que acordava."

        Mario Quintana

    "Só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia-a-dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos..."

        Mario Quintana

    "Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado;
    Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja"

        Mario Quintana

    "A eternidade é um relógio sem ponteiros."

        Mario Quintana

    "Com o tempo, não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram, vamos ficando sozinhos uns dos outros."

        Mario Quintana

    "DOS PONTOS DE VISTA

    A mosca, a debater-se: Não! Deus não existe!
    Somente o Acaso rege a terrena existência.
    A Aranha: Glória a Ti, Divina Providência,
    Que à minha humilde teia essa mosca atraíste!"

        Mario Quintana

    "Sentir primeiro, pensar depois
    Perdoar primeiro, julgar depois
    Amar primeiro, educar depois
    Esquecer primeiro, aprender depois
    Libertar primeiro, ensinar depois
    Alimentar primeiro, cantar depois
    Possuir primeiro, contemplar depois
    Agir primeiro, julgar depois
    Navegar primeiro, aportar depois
    Viver primeiro, morrer depois."

        Mario Quintana

    "UM DIA

    Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.Você não só não esquece a outra como pensa muito mais nela...Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...Um dia percebemos que o comum não nos atrai...Um dia saberemos que ser classificado como o bonzinho não é bom...Um dia perceberemos que a pessoa que não te liga é a que mais pensa em você...Um dia saberemos a importância da frase:Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...Um dia percebemos que somos muito importantes para alguém mas não damos valor a isso...Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...Enfim...um dia descobrimos que apesar de viver quase 100 anos, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem de ser dito...O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação."

        Mario Quintana

    "Alma errada

    Há coisas que a minha alma,
    já mortificada não admite:
    assistir novelas de TV
    ouvir música Pop
    um filme apenas de corridas de automóvel
    uma corrida de automóvel num filme
    um livro de páginas ligadas

    porque, sendo bom,
    a gente abre sofregamente a dedo:
    espátulas não há…

    e quem é que hoje faz questão de virgindades…

    E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
    fugir desesperada

    me deixará aqui, ouvindo o que todos ouvem,
    bebendo o que todos bebem,
    comendo o que todos comem.

    A estes, a falta de alma não incomoda.

    (Desconfio até que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).

    E ligarei o rádio a todo o volume,
    gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
    seguirei, irresistivelmente,
    o desfilar das grandes paradas do Exército.

    E apenas sentirei, uma vez que outra,
    a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…"

        Mario Quintana

    "Ela era branca, branca. Dessa brancura que não se usa mais. Mas sua alma era furta-cor."

        Mario Quintana

    "DA ETERNA PROCURA

    Só o desejo inquieto, que não passa,
    Faz o encanto da coisa desejada...
    E terminamos desdenhando a caça
    Pela doida aventura da caçada."

        Mario Quintana

Biografia


Mario de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista. É considerado um dos maiores poetas brasileiros do século 20.

Mario de Miranda Quintana nasceu prematuramente na noite de 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete, situada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Seus pais, o farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e Virgínia de Miranda Quintana, ensinaram ao poeta aquilo que seria uma de suas maiores formas de expressão - a escrita. Coincidentemente, isso ocorreu pelas páginas do jornal Correio do Povo, onde, no futuro, trabalharia por muitos anos de sua vida.

O poeta também inicia na infância o aprendizado da língua francesa, idioma muito usado em sua casa. Em 1915 ainda estuda em Alegrete e conclui o curso primário, na escola do português Antônio Cabral Beirão. Aos 13 anos, em 1919, vai estudar em regime de internato no Colégio Militar de Porto Alegre. É quando começa a traçar suas primeiras linhas e publica seus primeiros trabalhos na revista Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos Alunos do Colégio Militar.

Cinco anos depois sai da escola e vai trabalhar como caixeiro (atendente) na Livraria do Globo, contrariando seu pai, que queria o filho doutor. Mas Mario permanece por lá nos três meses seguintes. Aos 17 anos publica um soneto em jornal de Alegrete, com o pseudônimo JB. O poema era tão bom que seu Celso queria contar que era pai do poeta. Mas quem era JB? Mario, então, não perde a chance de lembrar ao pai que ele não gostava de poesia e se diverte com isso.

Em 1925 retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia de propriedade de seu pai. Nos dois anos seguintes a tristeza marca a vida do jovem Mario: a perda dos pais. Primeiro sua mãe, em 1926, e no ano seguinte, seu pai. Mas a alegria também não estava ausente e se mostra na premiação do concurso de contos do jornal Diário de Notícias de Porto Alegre com A Sétima Passagem e na publicação de um de seus poemas na revista carioca Para Todos, de Alvaro Moreyra.

Corre o ano de 1929 e Mario já está com 23 anos quando vai para a redação do jornal O Estado do Rio Grande traduzir telegramas e redigir uma seção chamada O Jornal dos Jornais. O veículo era comandado por Raul Pilla, mais tarde considerado por Quintana como seu melhor patrão.

A Revista do Globo e o Correio do Povo publicam seus versos em 1930, ano em que eclode o movimento liderado por Getúlio Vargas e O Estado do Rio Grande é fechado. Quintana parte para o Rio de Janeiro e torna-se voluntário do 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Seis meses depois retorna à capital gaúcha e reinicia seu trabalho na redação de O Estado do Rio Grande.

Em 1934 a Editora Globo lança a primeira tradução de Mario. Trata-se de uma obra de Giovanni Papini, intitulada Palavras e Sangue. A partir daí, segue-se uma série de obras francesas traduzidas para a Editora Globo. O poeta é responsável pelas primeiras traduções no Brasil de obras de autores do quilate de Voltaire, Virginia Woolf, Charles Morgan, Marcel Proust, entre outros.

Dois anos depois ele decide deixar a Editora Globo e transferir-se para a Livraria do Globo, onde vai trabalhar com Erico Verissimo, que lembra de Quintana justamente pela fluência na língua francesa. É por esta época que seus textos publicados na revista Ibirapuitan chegam ao conhecimento de Monteiro Lobato, que pede ao poeta gaúcho uma nova obra. Quintana escreve, então, Espelho Mágico, que só é publicado em 1951, com prefácio de Lobato.

Na década de 40, Quintana é alvo de elogios dos maiores intelectuais da época e recebe uma indicação para a Academia Brasileira de Letras, que nunca se concretizou. Sobre isso ele compõe, com seu afamado bom humor, o conhecido Poeminha do Contra.

Como colaborador permanente do Correio do Povo, Mario Quintana publica semanalmente Do Caderno H, que, conforme ele mesmo, se chamava assim, porque era feito na última hora, na hora “H”. A publicação dura, com breves interrupções, até 1984. É desta época também o lançamento de A Rua dos Cataventos, que passa a ser utilizado como livro escolar.

Em agosto de 1966 o poeta é homenageado na Academia Brasileira de Letras pelos ilustres Manuel Bandeira e Augusto Meyer. Neste mesmo ano sua obra Antologia Poética recebe o Prêmio Fernando Chinaglia de melhor livro do ano. No ano seguinte, vem o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Esta homenagem, concedida em 1967, e uma placa de bronze eternizada na praça principal de sua terra natal, Alegrete, no ano seguinte, sempre eram citadas por Mario como motivo de orgulho. Nove anos depois, recebe a maior condecoração que o Governo do Rio Grande do Sul concede a pessoas que se destacam: a medalha Negrinho do Pastoreio.

A década de 80 traz diversas honrarias ao poeta. Primeiro veio o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Mais tarde, em 1981, a reverência veio pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços de Passo Fundo, durante a Jornada de Literatura Sul-rio-grandense, de Passo Fundo.

Em 1982, outra importante homenagem distingue o poeta. É o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Oito anos depois, outras duas universidades, a Unicamp, de Campinas (SP), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro concedem o mesmo tipo de honraria a Mario Quintana. Mas talvez a mais importante tenha vindo em 1983, quando o Hotel Majestic, onde o poeta morou de 1968 a 1980, passa a chamar-se Casa de Cultura Mario Quintana. A proposta do então deputado Ruy Carlos Ostermann obteve a aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Ao comemorar os 80 anos de Mario Quintana, em 1986, a Editora Globo lança a coletânea 80 Anos de Poesia. Três anos depois, ele é eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, pela Academia Nilopolitana de Letras, Centro de Memórias e Dados de Nilópolis e pelo jornal carioca A Voz. Em 1992, A Rua dos Cataventos tem uma edição comemorativa aos 50 anos de sua primeira publicação, patrocinada pela Ufrgs. E, mesmo com toda a proverbial timidez, as homenagens ao poeta não cessam até e depois de sua morte, aos 88 anos, em 5 de maio de 1994.

Bibliografia:

- A Rua dos Cata-ventos (1940)
- Canções (1946)
- Sapato Florido (1948)
- O Batalhão de Letras (1948)
- O Aprendiz de Feiticeiro (1950)
- Espelho Mágico (1951)
- Inéditos e Esparsos (1953)
- Poesias (1962)
- Antologia Poética (1966)
- Pé de Pilão (1968) - literatura infanto-juvenil
- Caderno H (1973)
- Apontamentos de História Sobrenatural (1976)
- Quintanares (1976) - edição especial para a MPM Propaganda.
- A Vaca e o Hipogrifo (1977)
- Prosa e Verso (1978)
- Na Volta da Esquina (1979)
- Esconderijos do Tempo (1980)
- Nova Antologia Poética (1981)
- Mario Quintana (1982)
- Lili Inventa o Mundo (1983)
- Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)
- Nariz de Vidro (1984)
- O Sapato Amarelo (1984) - literatura infanto-juvenil
- Primavera cruza o rio (1985)
- Oitenta anos de poesia (1986)
- Baú de espantos ((1986)
- Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)
- Preparativos de Viagem (1987)
- Porta Giratória (1988)
- A Cor do Invisível (1989)
- Antologia poética de Mario Quintana (1989)
- Velório sem Defunto (1990)
- A Rua dos Cata-ventos (1992) - reedição para os 50 anos da 1a. publicação.
- Sapato Furado (1994)
- Mario Quintana - Poesia completa (2005)
- Quintana de bolso (2006)

No exterior:

- Em espanhol:
- Objetos Perdidos y Otros Poemas (1979) - Buenos Aires - Argentina.
- Mario Quintana. Poemas (1984) - Lima, Peru.

"Onde não puderes amar, não te demores..."

    Augusto Branco

"Eu não desisti...apenas não insisto mais."

    Cazuza

"As coisas muito claras me noturnam."

    Manoel de Barros

"Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho."

    Carlos Drummond de Andrade

"Os mentirosos estão sempre prontos a jurar."

    Vittorio Alfieri

"O sexo é o alívio da tensão. O amor é a causa"

    Woody Allen

"Soltar os demônios pode ser muito educativo em certas ocasiões."

    Deepak Chopra

"Todo o homem é culpado do bem que não fez."

    Voltaire

"A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."

    Fiódor Dostoiévski

"Vento

Pastor das nuvens."

    Mario Quintana