Sobre o Autor

Manoel de Barros

Advogado e poeta brasileiro, Manoel de Barros é um dos principais autores contemporâneos do país. O Pantanal é tema frequente de seus escritos.

“Poesia não é para compreender mas para incorporar Entender é parede: procure ser árvore.”

“Sol, s.m. Quem tira a roupa da manhã e acende o mar”

Sou fuga para flauta de pedra doce. A poesia me desbrava. Com águas me alinhavo”

Poetas e tontos são feitos com palavras

E agora o que fazer com essa manhã desabrochada a pássaros?

Deixei uma ave me amanhecer.

A tarde está verde no olho das garças.

Só quem está em estado de palavra pode enxergar as coisas sem feitio.

Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão – Antes que das coisas celestiais.

Aqui de cima do telhado a lua prateava

Há um comportamento de eternidade nos caramujos.

Gosto de viajar por palavras do que de trem.

Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa com janelas de aurora e árvores no quintal. Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores e ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores.

A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas.

A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas.

A voz de uma passarinho me recita.

O mundo não foi feito em alfabeto. Senão que primeiro em água e luz. Depois árvore.

Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.

Quando o mundo abandonar o meu olho. Quando o meu olho furado de beleza for esquecido pelo mundo. Que hei de fazer.

Poesia é voar fora da asa.

Eu precisava de ficar pregado nas coisas vegetalmente e achar o que não procurava.

Afundo um pouco o rio com meus sapatos. Desperto um som de raízes com isso A altura do som é quase azul.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos.

Eu via a natureza como quem a veste. Eu me fechava com espumas.

...que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.

Um fim de mar colore os horizontes.

No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal : Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro.

Tentei descobrir na alma alguma coisa mais profunda do que não saber nada sobre as coisas profundas. Consegui não descobrir.

As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.

Por viver muitos anos dentro do mato Moda ave O menino pegou um olhar de pássaro - Contraiu visão fontana. Por forma que ele enxergava as coisas Por igual como os pássaros enxergam.