Olhar para trás após uma longa caminhada pode fazer perder a noção da distância que percorremos, mas se nos detivermos em nossa imagem, quando a iniciamos e ao término, certamente nos lembraremos o quanto nos custou chegar até o ponto final, e hoje temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos os mesmos, mas sabemos mais uns dos outros. E é por esse motivo que dizer adeus se torna complicado! Digamos então que nada se perderá. Pelo menos dentro da gente...

Sobre o Autor

João Guimarães Rosa

Mais frases de João Guimarães Rosa

Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim, penso também - mas Diadorim é a minha neblina...

Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos... Essa... a alegria que ele quer

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem

Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia

Quem muito se evita, se convive!

O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas.

Todas as coisas surgidas do opaco

Talvez não devesse, não fosse direito ter por causa dele aquele doer, que põe e punge, de dó, desgosto e desngano.

Representar é aprender a viver além dos levianos sentimentos, na verdadeira dignidade.

O passado é que veio até mim ,como uma nuvem, vem para ser reconhecido;apenas não estou sabendo desifra-lo.

A gente cresce sem saber para onde. Nenum,nehuma

No que vagueia os olhos,cntudo, surpreende-se-lhe o imanecer da bem-aventura, transordinária benignidade, o bom fantástico.

Inútil fugir, inútil resistir, inútil tudo A menina de lá Primeiras estórias

As coisas mudam no devagar depressa dos tempos A menina de lá

As coisas assim a gente não perde nem abarca. Cabem é no brilho da noite. Aragem do sagrado. Absolutas estrelas.

Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.

O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo.

Quando nada acontece há um grande milagre acontecendo que não estamos vendo.

Viver de graça é mais barato.

Malagourado de ódio: que sempre surge mais cedo e às vezes dá certo, igual palpite de amor

Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos... Essa... a alegria que ele quer Infelizmente para os psicólogos e analistas, não sou chegada à esta tal Depre .... Falirião caso dependessem de mim..!!!!!!! Beijos...!!!!! Abraços...!!!! Cheiros...HHHUUUMMM...!!!!

Na própria precisão com que outras passagens lembradas se oferecem, de entre impressões confusas, talvez se agite a maligna astúcia da porção escura de nós mesmos, que tenta incompreensivelmente enganar-nos, ou, pelo menos, retardar que prescrutemos qualquer verdade. Nenhum,nenhuma

“O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.“

PÍLULAS DO GRANDE SERTÃO Coração de gente — o escuro, escuros. Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade. Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar. No sistema de jagunços, amigo era o braço, e o aço! Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou — amigo — é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é. O amor? Pássaro que põe ovos de ferro. Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. A colheita é comum, mas o capinar é sozinho. O diabo é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! O diabo na rua, no meio do redemunho. O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejos... Pois, não existe! E se não existe, como é que se pode se contratar pacto com ele? Quem muito se evita, se convive. Julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado. O que lembro, tenho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. Quem mói no aspro não fantaseia. Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente. Vingar... é lamber, frio, o que outro cozinhou quente demais. Quem sabe do orgulho, quem sabe da loucura alheia? Ser chefe — por fora um pouquinho amargo; mas, por dentro, é risonhas flores. Um chefe carece de saber é aquilo que ele não pergunta. Comandar é só assim: ficar quieto e ter mais coragem. Toda saudade é uma espécie de velhice. Riu de me dar nojo. Mas nojo medo é, é não? Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor. Tudo é e não é. Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir. Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! O sertão é do tamanho do mundo. Sertão é dentro da gente. O sertão é sem lugar. O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena. O sertão é uma espera enorme. Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas. A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. A vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas de Siruiz. Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver. Manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso. Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... Feito flecha, feito fogo, feito faca. Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem. Até que, um dia, eu estava repousando, no claro estar, em rede de algodão rendada. Alegria me espertou, um pressentimento. Quando eu olhei, vinha vindo uma moça. Otacília. // Meu coração rebateu, estava dizendo que o velho era sempre novo. Afirmo ao senhor, minha Otacília ainda se orçava mais linda, me saudou com o salvável carinho, adianto de amor.

“Eu olhava esse menino, com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu não tinha sentido. Achava que ele era muito diferente, gostei daquelas finas feições, a voz mesma, muito leve, muito aprazível. Porque ele falava sem mudança, nem intenção, sem sobêjo de esforço, fazia de conversar uma conversinha adulta e antiga. Fui recebendo em mim um desejo que ele não fosse mais embora, mas ficasse, sobre as horas, e assim como estava sendo, sem parolagem miúda, sem brincadeira— só meu companheiro amigo desconhecido.[...] Mas eu aguentei o aque do olhar dele. Aqueles olhos então foram ficando bons, retomando brilho. E o menino pôs a mão na minha. Encostava e ficava fazendo parte melhor da minha pele, no profundo, désse as minhas carnes alguma coisa. “

Não gosto desse passarinho. Não gosto de violão. Não gosto de nada que põe saudades na gente.

Há pessoas que estão vindo muito demoradas...

Fino, estranho, inacabado, é sempre o destino da gente

Ninguém é doido. Ou, então, todos.

Coração de gente — o escuro, escuros.

Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniÃES...

O verdadeiro amor é um calafrio doce, um susto sem perigos

Qual o caminho da gente? Nem para frente nem para trás: só para cima. Ou parar curto quieto. Feito os bichos fazem. Viver... o senhor já sabe: viver é etcétera...

O trágico não vem a conta-gotas.

Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida?

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

Eu estou só. O gato está só. As árvores estão sós. Mas não o só da solidão: o só da solistência.

...o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam.

A história de um burrinho, como a história de um homem grande, é bem dada no resumo de um só dia de sua vida.

Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas, para ver se já somos capazes da alegria sozinhos! Essa é a alegria que ELE quer.

Minha tristeza é uma volta em medida; mas minha alegria é forte demais.

O verdadeiro mestre não é aquele que ensina, é aquele que derrepente descobre que aprende.

- Amor? Um pássaro que põe ovos de ferro.

Eu queria sair de tudo o que eu era, para entrar num destino melhor.

Olhar para trás após uma longa caminhada pode fazer perder a noção da distância que percorremos, mas se nos detivermos em nossa imagem, quando a iniciamos e ao término, certamente nos lembraremos o quanto nos custou chegar até o ponto final, e hoje temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos os mesmos, mas sabemos mais uns dos outros. E é por esse motivo que dizer adeus se torna complicado! Digamos então que nada se perderá. Pelo menos dentro da gente...

Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego.

Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens.

Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais - a gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, E ainda mais alegre no meio da tristeza...