Sobre o Autor

Clarice Lispector

Clarice Lispector (1920 - 1977), escritora brasileira de origem judia nascida na Ucrânia

Fantástico: o mundo por um instante é exatamente o que o meu coração pede.

Fiz tudo certo. Só errei quando coloquei sentimento..

Jamais perca a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe a alma.

“Quero que todos sejam felizes e me deixem em paz.”

Tudo me atinge - vejo demais, ouço demais, tudo exige demais de mim.

Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter... calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.

Ela é assim! Pronto. - Mas assim como? Explica! - Ela é assim um mix de tudo que se possa imaginar dentro de uma grande capacidade de apenas não ser nada em definitivo. Ela é aquilo que não consegue se encaixar em moldes pré-existentes, parece que ninguém nunca foi antes dela. Ela se incomoda com isso, às vezes, muito. Ela é cheia de sentimentos, parece que suas experiências se manifestam é no dorso do seu colo, e quase sempre, de vez em quando, tudo isso pesa. Mas não tem modo, não existe maneira que a faça ser diferente. E ainda, graças a Deus, ela é diferente. Algo que pesa e que tem o dom da leveza, algo que chora e que se manifesta em sorrisos, algo de forte, mas que se desmancha quando encontra a água.

Segunda-feira é mais difícil porque é sempre a tentativa do começo de vida nova. Façamos cada domingo de noite um reveillon modesto, pois se meia noite de domingo não é começo de Ano Novo é começo de semana nova, o que significa fazer planos e fabricar sonhos.

...Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação a ser? E no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo?...

Tudo tem que ser bem de leve para eu não me assustar e não assustar os que amo. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza : obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim.

Antes do aparecimento do espelho a pessoa não conhecia o próprio rosto senão refletido nas águas de um lago.Depois de certo tempo cada um é responsável pela cara que tem.Vou olhar agora a minha.É um rosto nu. E quando penso que inexiste um igual ao meu no mundo, fico de susto alegre.Nem nunca haverá.Nunca é o impossível.Gosto de nunca.Também gosto de sempre.Que há entre nunca e sempre que os liga tão indiretamente e intimamente?

Eu já começara a adivinhar que ele me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

— pois olhe – declarou de repente uma velha fechando o jornal com decisão – pois olhe, eu só lhe digo uma coisa: Deus sabe o que faz.

Eu sou tímida e ousada ao mesmo tempo.

Eu sei gargalhar com os olhos, e sorrir com o corpo todo.

Eu vivo me completando... mas falta um bocado.

Ah! que vontade de alegria.

É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção...porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada.

Desculpa, mas não entendo. Eu quero tudo e mais ainda. Amor tem que encher o coração, a casa, a alma. Pouco ou metades nunca me completaram.

Desculpa, mas não entendo. Eu quero tudo e mais ainda. Amor tem que encher o coração, a casa, a alma. Pouco ou metades nunca me completaram.

Mas a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez não soubesse jamais se livrar.

Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respirar nossas fraquezas.

Sou vulnerável às menores bobagens, às mínimas palavras ditas, a olhares até, e sobretudo, a imaginações.

A gente tem o direito de deixar o barco correr. As coisas se arranjam, não é preciso empurrar com tanta força.

Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.

Ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

Viver ultrapassa qualquer entendimento.

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo.

No meu temperamento tem um pouco de pimenta: não é todo mundo que gosta… Nem todo mundo que aguenta…