Não liguei a televisão. Descobri que quando a gente está mal essa filha da puta só faz a gente se sentir pior.

Sobre o Autor

Charles Bukowski

Charles Bukowski foi um poeta e escritor alemão, mas que viveu e morreu nos Estados Unidos. Autor de diversas obras, é um dos escritores mais conhecidos nos EUA.

Mais frases de Charles Bukowski

Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?

Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.

Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”

Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto.

Definição de bom bairro: lugar onde a gente não tem condições econômicas para morar.

Se você vai tentar, vá até o fim caso contrário, nem comece

A vida me fode, não nos damos bem. Tenho que comê-la pelas beiradas, não tudo de uma vez só. É como engolir baldes de merda.

Me sinto bem em não participar de nada. Me alegra não estar apaixonado e não estar de bem com o mundo. Gosto de me sentir estranho a tudo...

Se vai tentar siga em frente. Senão, nem começe! Isso pode significar perder namoradas esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça. Pode significar ficar sem comer por dias, Pode significar congelar em um parque, Pode significar cadeia, Pode significar caçoadas, desolação... A desolação é o presente O resto é uma prova de sua paciência, do quanto realmente quis fazer E farei, apesar do menosprezo E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar. Se vai tentar, Vá em frente. Não há outro sentimento como este Ficará sozinho com os Deuses E as noites serão quentes Levará a vida com um sorriso perfeito É a única coisa que vale a pena.

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.

há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica aí dentro, não vou deixar ninguém ver-te. há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu despejo whisky para cima dele e inalo fumo de cigarros e as putas e os empregados de bar e os funcionários da mercearia nunca saberão que ele se encontra lá dentro. há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica escondido, queres arruinar-me? queres foder-me o meu trabalho? queres arruinar as minhas vendas de livros na Europa? há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado esperto, só o deixo sair à noite por vezes quando todos estão a dormir. digo-lhe, eu sei que estás aí, por isso não estejas triste. depois, coloco-o de volta, mas ele canta um pouco lá dentro, não o deixei morrer de todo e dormimos juntos assim com o nosso pacto secreto e é bom o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro, e tu?

Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito delas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura.

Às dez horas subi para o pequeno-almoço. Encontrei-me com Pete e Selma. Selma estava esplêndida. O que se pode fazer para arranjar uma Selma? Os cães acabam sempre com cães. Selma serviu-nos o pequenoalmoço. Ela era bela e pertencia a um homem, a um professor da faculdade. Não era muito justo. Os sedutores bem educados. A educação era o novo deus, e os homens educados os novos senhores do mundo.

Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas,psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.

Tudo o que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma, opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil.

É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”

A dor é uma coisa estranha. Um gato que mata um pássaro, um acidente de automóvel, um incêndio... A dor chega, BANG, e eis que ela te atinge. É real. E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido. Como se te tornasses, de repente, num idiota. E não há cura para isso, a menos que encontres alguém que compreenda realmente o que sentes e te saiba ajudar...

E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora. Certamente eu nunca seria capaz de ser feliz, de me casar, nunca poderia ter filhos. Mas que diabo, eu nem conseguia um emprego de lavador de pratos. Talvez eu pudesse ser um ladrão de bancos. Alguma porra. Alguma coisa flamejante, com fogo. Você só tinha direito a uma tentativa. Por que ser um limpador de vidraças?

Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. E horror é uma gentileza.

As pessoas que resolviam as coisas em geral tinham muita persistência e um pouco de sorte. Se a gente persistisse o bastante, a sorte em geral chegava. Mas a maioria das pessoas não podia esperar a sorte, por isso desistia.

Esperamos e esperamos. Todos nós. Não saberia o analista que a espera é uma das coisas que faziam as pessoas ficarem loucas? Esperavam para viver, esperavam para morrer. Esperavam para comprar papel higiênico. Esperavam na fila para pegar dinheiro. E, se não tinham dinheiro, precisavam esperar em filas mais longas. A gente tinha de esperar para dormir e esperar para acordar. Tinha de esperar para se casar e para se divorciar. Esperar para comer e esperar para comer de novo. A gente tinha de esperar na sala de espera do analista com um monte de doidos, e começava a pensar se não estava doido também.

Cheguei numa fase da minha vida que vejo que a única coisa que fiz até agora foi fugir, fugir de mim mesmo, do meu nada, e agora não tenho mais para onde ir, nem sei o que vou fazer, fui péssimo em tudo.

Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: fogaréu vivo ambulante. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e não se importavam se ela era maluca ou não. Passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão. in A Crônica do Amor Louco

confissão à espera da morte como um gato que saltará sobre a cama sinto terrivelmente por minha esposa ela verá este corpo duro e branco vai sacudi-lo uma vez, depois quem sabe outra: Hank! Hank não responderá. não é minha morte o que me preocupa, é minha mulher abandonada com este monte de nada. quero no entando que ela saiba que todas as noites dormindo ao seu lado que mesmo as discussões inúteis sempre foram esplêndidas e que as palavras difíceis que sempre temi dizer podem agora ser ditas: eu te amo.

They thought I had guts but they had it all wrong. I was only frightened of more important things.

Advogados, médicos, bombeiros mecânicos, eles é que ficavam com a grana toda. Escritores? Os escritores morriam de fome. Os escritores se suicidavam. Os escritores enloqueciam.

Literatura é que nem mulher: quando não presta, nem vale a pena perder tempo.

Gostava mais quando conseguia imaginar grandeza nos outros, mesmo que nem sempre houvesse.

Acompanho ele com os olhos. Desce a escada. Um pouco gordo. Mas nele não compromete. Poder. Excesso de poder. Está radiante e bêbado. Vai dar um rabino do rabo. Gosto muito dele. De repente some, desaparece de vista e eu sento pra escrever isto. Cinza de cigarro espalhada pela máquina toda. Só pra você saber como é que é e o que vem depois. Do lado da máquina tem dois sapatinhos brancos de boneca, cada um com pouco mais de um centímetro. Minha filha, Marina, deixou aqui. Anda lá pelo Arizona, não sei bem onde, a estas horas, com a mãe revolucionária. É julho de 1968 e bato à máquina, enquanto espero que a porta seja arrombada por dois sujeitos de cara esverdeada com olhos da cor de gelatina mofada, a mão fria em cima das metralhadoras. Tomara que não venham. Foi uma noite bonita. E só algumas perdizes solitárias serão capazes de se lembrar do barulho dos dados rolando no chão e da maneira das paredes sorrirem. Até amanhã.

Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda; não suportava ajuntamentos perto de mim e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse. E é nisso que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. Tentei me matar com gás e não consegui. Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre tive ódio disso. Vivia afirmando: as duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo. Acharam que estava louco. Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança - passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida. Sim, eu odiava ter que me levantar da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois que se passa a noite inteira dormindo cria-se uma espécie de intimidade especial que fica muito mais dificíl de abrir mão. Sempre fui solitário. Você vai me desculpar, creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, se não fosse por uma que outra trepadinha legal, não me faria a mínima diferença se todas as pessoas do mundo morressem. É, eu sei que isso não é uma atitude simpática. Mas ficaria todo refestelado aqui dentro do meu caracol. Afinal de contas, foram essas pessoas que me tornaram infeliz.

Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado, e obscuro pra viver a minha solidão; por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo, e não conseguia nada.

Que sentimentalismo barato. Mas o rosto dela, de Tina, parecia mais de 10 mil filmes de felicidade. Nunca havia visto coisa igual. Teve que se munir de uma couraça de ferro e apertar o estômago, os pulmões e os olhos pra não chorar.

..sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso

A Love Poem todas as mulheres todos os beijos as diferentes formas que amam e falam e carecem. suas orelhas todas elas têm orelhas e gargantas e vestidos e sapatos e automóveis e ex- maridos. na maioria das vezes as mulheres são muito quentes elas me lembram torrada com a manteiga derretida nela. está estampado no olhar: elas foram tomadas elas foram enganadas. eu nunca sei o que fazer por elas. sou um bom cozinheiro um bom ouvinte mas nunca aprendi a dançar — eu estava ocupado com coisas maiores. mas eu apreciei suas variadas camas fumando cigarros olhando para o teto. não fui nocivo nem desleal. apenas um aprendiz. eu sei que todas têm pés e descalças elas andam pelo piso enquanto eu olho suas modestas bundas no escuro. sei que gostam de mim, algumas até me amam mas eu amo muito poucas. algumas me dão laranjas e vitaminas; outras falam mansamente da infância e pais e paisagens; algumas são quase loucas mas nenhuma delas deixa de fazer sentido; algumas amam bem, outras nem tanto; as melhores no sexo nem sempre são as melhores em outras coisas; cada uma tem seus limites como eu tenho limites e nós aprendemos cada qual rapidamente. todas as mulheres todas as mulheres todos os quartos os tapetes as fotos as cortinas, é algo como uma igreja raramente se ouve uma risada. essas orelhas esses braços esses cotovelos esses olhos olhando, o afeto e a carência eu tenho agüentado eu tenho agüentado.

Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as porcentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.

Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.

Freqüentemente, os melhores momentos na vida são quando a gente não está fazendo nada, só ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência da falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista.

Outro dia, fiquei pensando no mundo sem mim. Há o mundo continuando a fazer o que faz. E eu não estou lá. Muito estranho. Penso no caminhão do lixo passando e levando o lixo e eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim e eu não estou lá para pegá-lo. Impossível. E pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser verdadeiramente descoberto. E todos aqueles que tinham medo de mim ou me odiavam vão subitamente me aceitar. Minhas palavras vão estar em todos os lugares. Vão se formar clubes e sociedades. Será nojento. Será feito um filme sobre a minha vida. Me farão muito mais corajoso e talentoso do que sou. Muito mais. Será suficiente para fazer os deuses vomitarem. A raça humana exagera em tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.

Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.

Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos. Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.

Eu era um solitário por natureza, que se contentava em viver com uma mulher, em comer com ela, dormir com ela e sair à rua com ela. Não queria conversas, nem passear, a não ser para ir às corridas de cavalos ou às lutas de boxe. Não gostava de TV, e achava estúpido gastar dinheiro para ir numa sala de cinema com outras pessoas e partilhar as suas emoções. As festas me deixavam doente. Detestava as falsas aparências, os jogos sujos, os namoricos, os bêbados amadores e os chatos. [...] Como solitário, eu não suportava invasões. Isto não tinha nada a ver com ciúmes, simplesmente não gostava de pessoas, multidões, onde quer que fosse, exceto nas minhas leituras. As pessoas diminuíam-me e deixavam-me sem ar. [...] Eu não gostava de Nova Iorque, não gostava de Hollywood, não gostava de Rock, não gostava de nada. Talvez tivesse medo... os maiores homens são os mais solitários.

Há alguma coisa em mim que não consigo controlar. Nunca dirijo meu carro por cima de uma ponte sem pensar em suicídio. Quero dizer, não fico pensando nisso. Mas passa pela minha cabeça: SUICÍDIO. Como uma luz que pisca. No escuro. Alguma coisa que faz você continuar. Saca? De outra forma, seria apenas loucura. E não é engraçado, colega. E cada vez que escrevo um bom poema, é mais uma muleta que me fazer seguir em frente. Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora? A vida me fode, não nos damos bem. Tenho que comê-la pelas beiradas, não tudo de uma vez só. É como engolir baldes de merda. Não me supreende que os hospícios e as cadeias estejam cheios e que as ruas estejam cheias. Gosto de olhar os meus gatos. Eles me alcamam. Eles me fazem sentir bem. Mas não me coloque em uma sala cheia de humanos. Nunca faça isso comigo. Especialmente numa festa. Não faça isso.

Eu não aguento isto, você não aguenta isto e nós não vamos compreender isto então não aposte nisto ou nem mesmo pense nisto simplesmente levante-se da cama a cada manhã lave-se barbeie-se vista-se saia de casa e aceite isto porque fora isso tudo o que resta é suicídio e loucura então você simplesmente não pode ter muitas expectativas você não pode nem ter expectativas então o que você faz é trabalhar a partir de uma modesta remuneração mínima como quando você sai fique contente que seu carro possivelmente esteja lá e se está ... fique contente pelos pneus não estarem furados então você entra e se ele dá a partida ... você dá a partida. e este é o filme mais desgraçado que você já viu porque você está nele... cachê baixo e 4 bilhões de críticos e o período mais longo de exibição que você já desejou é um dia.

A tua vida é a tua vida Não a deixes ser dividida em submissão fria. Está atento Há outros caminhos, Há uma luz algures. Pode não ser muita luz mas vence a escuridão. Está atento. Os deuses oferecer-te-ão hipóteses. Conhece-las. Agarra-las. Não podes vencer a morte mas podes vencer a morte em vida, às vezes. E quanto mais o aprendes a fazê-lo, mais luz haverá. A tua vida é a tua vida. Memoriza-o enquanto a tens. És magnífico. Os deuses esperam por se deliciarem em ti.

Como qualquer um pode lhe dizer, não sou um homem muito bom. Não sei que palavra usar para me definir. Sempre admirei o vilão, o fora-da-lei, o filho-da-puta. Não gosto dos garotos bem barbeados com gravatas e bons empregos. Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que me interessam. Sempre cheios de supresas e explosões. Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas. Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade.

Acho que estou acostumado a me sentar num quartinho e fazer com que as palavras tenham algum sentido. Já vejo o suficiente da humanidade nos hipódromos, nos supermercados, nos postos de gasolina, nas estradas, nos cafés etc. Não se pode evitar. Mas tenho vontade de me dar um chute na bunda quando vou a festas, mesmo que a bebida seja de graça. Nunca funciona comigo. Já tenho argila suficiente para brincar. As pessoas me esvaziam. Preciso sair para me reabastecer. Sou o que é melhor para mim, sentado aqui atirado, fumando um baseadinho e vendo as palavras brilharem na tela. Raramente encontro uma pessoa rara ou interessante. É mais que pertubador, é um choque constante. Está me tornando um maldito mal-humorado. Qualquer um pode ser um maldito mal-humorado, e a maioria é.

Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouví-la. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.

Nunca pedi para ser do jeito que sou Nunca quis que minha vida fosse assim mas suponho que não há motivo para se queixar Para quem é que eu vou me queixar? Eu quero uma forma vazada que guie as lamúrias do mundo quero um peru grande e gordo todos os dias do ano e não somente no dia de Ação de Graças quero paz, a paz desses vampiros esquisitos que não querem me deixar sozinho eu quero a morte tanto quanto quero a vida A única diferença entre elas é que a morte é muito fácil e eu sempre tenho uma para que não haja discordância quero me levantar, algum dia, antes do meio-dia quero bater punheta até me entediar quero ver o deserto, em segurança, de dentro do meu carro com ar condicionado. Eu vou querer uma outra dose!

Tenho problemas com o rosto humano. Acho muito difícil olhar para ele. Encontro a soma total da vida de cada pessoa escrita nele e é uma visão terrível. Quando se vêm milhares de rostos em um só dia, é cansativo dos pés à cabeça. E por todas as entranhas. É por isso que admiro os bilheteiros do hipódromo. E a maioria é bem legal. Acho que os anos que passaram lidando com a humanidade lhes deram uma certa visão. Por exemplo, sabem que a maior parte da raça humana é uma grande merda. Eu poderia ficar em casa. Poderia trancar a porta e brincar com tintas ou qualquer coisa assim. Mas, de alguma forma, tenho que sair, e ter a certeza que toda a humanidade é uma grande merda. Como se fosse mudar...

Esse é o problema com a bebida, pensava, enquanto enchia o corpo. Se acontece uma coisa boa, você bebe pra comemorar; se não acontece nada, você bebe pra que aconteça alguma coisa.

Estávamos todos juntos nisso. Todos juntos num grande vaso cheio de merda. Não havia escapatória. Todos desceríamos juntos com a descarga.

Existem coisas piores que estar sozinho mas geralmente leva decadas para entender isso e quase sempre quando você entende é tarde demais. E não há nada pior que tarde demais.

Mas as encrencas e a dor é que mantêm a gente vivo. Um trabalho de tempo integral. E ás vezes nem dormindo dá para descansar. No meu último sono, eu me via embaixo de um elefante, não podia me mexer e ele soltava um dos maiores cagalhões que eu já vira, já ia cair, e aí meu gato, Hamburger, passou por cima da minha cabeça e eu acordei. Se a gente contar esse sonho a um psiquiatra, ele vai tirar uma conclusão horrível. Pois se a gente lhe paga os tubos, ele vai dar um jeito para que a gente se sinta mal. Vai dizer á gente que o cagalhão é um pênis, e que a gente está assustado ou que deseja aquilo, alguma merda deste tipo. O que ele quer dizer é que ele está assustado, ou que ele deseja o pênis. É só um sonho sobre um grande cagalhão de elefante, nada mais. Ás vezes as coisas são apenas o que parecem ser, sem nada demais. O melhor intérprete de um sonho é o próprio sonhador. Guarde o seu dinheiro no bolso. Ou aposte num bom cavalo.

Esperamos e esperamos. Todos nós. Não saberia o analista que a espera é uma das coisas que faziam as pessoas ficar loucas? Esperavam para viver, esperavam para morrer. Esperavam para comprar papel higiênico. Esperavam na fila para pegar dinheiro. E se não tinham dinheiro, precisavam esperar em filas mais longas. A gente tinha de esperar para dormir, e esperar para acordar. Tinha de esperar para se casar, e para se divorciar. Esperar pela chuva e esperar pelo sol. Esperar para comer e esperar para comer de novo. A gente tinha de esperar na sala de espera do analista com um monte de doidos, e começava a pensar se não estava ficando doido também.

Essas coisas, você sabe. Parece que não consigo entrar em nada. Tudo travado. Todas as cartas tomadas. Eu não me ligo em política nem religião, nem seja lá o que for. Realmente não sei o que está acontecendo por aí. Não tenho TV, não leio jornais, nada disso. Não sei quem está certo ou errado, se é que isso existe.

Me sentia insatisfeito e, francamente, meio com medo de tudo. Não estava indo a lugar nenhum, nem o resto do mundo. Estávamos todos rolando por aí, á espera da morte, e enquanto isso fazendo coisinhas para encher o tempo. Alguns nem faziam coisinhas. Eram vegetais. Eu era um deles. Não sei que tipo de vegetal. Me sentia um nabo. Acendi um charuto, traguei, e fiquei fingindo saber que diabos acontecia.

Gosto da forma com que os filósofos destroem conceitos e as teorias que os precederam. Isso tem acontecido há séculos. Não, não é assim, dizem. É desse jeito. Isto continua sem parar e parece lógica, esta continuidade. O principal problema é que os filósofos devem humanizar sua linguagem, torná-la mais acessível, então os pensamentos se iluminam mais, ficam mais interessantes. Acho que estão aprendendo a fazer isso. A simplicidade é essencial.

O mundo inteiro é um saco de merdas se rasgando. Não posso salvá-lo. Sei que nos movemos em direção à miragem, nossas vidas são desperdiçadas, como as de todo mundo. Eu sei que nove décimos de mim já morreram, mas eu guardo o décimo restante como uma arma.

Revolução soa muito romântico, vocês sabem, mas não é. É sangue, culhão e loucura; é menininhos mortos que ficam no caminho, menininhos que não entendem porra nenhuma do que está acontecendo. É a sua puta, a sua mulher rasgada na barriga por uma baioneta e depois estuprada no cú enquanto você olha. É homens torturando homens que costumavam rir com as historinhas do Mickey Mouse . Antes de você entrar nesta coisa, decida onde está seu espírito e onde ele estará quando a coisa tiver terminado. Eu não acredito que nenhum homem tem o direito de tirar a vida de outro homem. Mas talvez mereça um pouco de reflexão antes. É claro, a porra é que eles têm tirado as nossas vidas sem disparar um tiro.

Gosto de olhar os meus gatos, eles me acalmam. Eles me fazem sentir bem. Você sabia que os gatos dormem 20 das 24 horas do dia? Não se admira que tenham melhor aparência do que eu. Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu. Os humanos são desgraçados demais, irados demais, obcecados demais.

Um dia, dirão: Bukowski está morto, e daí serei verdadeiramente descoberto e pendurado em fedorentos e brilhantes postes de luz. E daí? A imortalidade é uma estúpida invenção dos vivos. Não estou competindo com ninguém, não tenho ilusões com a imortalidade, não estou nem aí pra ela. É a ação enquanto você está vivo. Os partidores se abrindo na luz do sol, os cavalos mergulhando na luz, todos os jóqueis, bravos e pequenos diabos em sua seda brilhante, indo fundo, fazendo acontecer. A glória é o movimento e a audácia. Que a morte se foda. É hoje o que importa. É hoje e hoje. Sim.

Eu podia ver a estrada à minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria alguma lugar para me esconder. Um lugar onde ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava como me deixava enojado. Pensar em ser um advogado, um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisa simples, participar de piqueniques em famílias, festas de Natal, 4 de Julho, Dia do Trabalhador, Dia das Mães...afinal, é pra isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, voltar para a solidão de um cubículo e beber até dormir.

Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesse por nada. Não fazia a miníma idéia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Freqüentemente me sentia inferior. Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. Sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam.

Éramos como éramos, e não queríamos ser nada além disso. Todos vínhamos de famílias vítimas da depressão e a maioria entre nós era mal alimentada, embora tivéssemos crescido a ponto de nos tornar grandes e fortes. Em grande parte, creio eu, recebíamos pouco amor de nossas famílias e não pedíamos amor ou gentileza a quem quer que fosse. Éramos uma piada, mas as pessoas tomavam cuidado para não rir na nossa cara. Era como se tivéssemos crescido rápido demais e estivéssemos de saco cheio de ser crianças. Não tínhamos qualquer respeito pelos mais velhos. Éramos como tigres com sarna.

A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes... enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: Te amo. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.

Não suportava ajuntamentos perto de mim, e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida para esperar seja lá o que fosse. E é nisto que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. Tentei me matar com gás e não consegui. Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre tive ódio disso. Vivia afirmando: “as duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica. Não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo. Acharam que estava louco. Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança – passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com esse horror que é a vida.

Sempre nos pedem para compreender o ponto de vista do próximo não importa quão antiquado tolo ou obnóxio. Pedem para enxergar com bondade todos os seus erros, suas vidas desperdiçadas, principalmente se eles são velhos. Mas envelhecer é tudo que nós fazemos. Eles envelheceram mal porque viveram fora de foco, eles se recusaram a entender. Não é culpa deles? É culpa de quem? Minha? Me pedem para esconder deles meu ponto de vista por medo de seus medos. envelhecer não é crime mas a vergonha de uma vida deliberadamente desperdiçada entre tantas vidas deliberadamente desperdiçadas é.

A carne cobre os ossos e colocam uma mente ali dentro e algumas vezes uma alma. E as mulheres quebram vasos contra as paredes e os homens bebem demais e ninguém encontra o par ideal mas seguem na procura rastejando para dentro e para fora dos leitos. A carne cobre os ossos e a carne busca muito mais do que mera carne. De fato, não há qualquer chance: estamos todos presos a um destino singular. Ninguém nunca encontra o par ideal. As lixeiras da cidade se completam, os ferros-velhos se completam, os hospícios se completam, as sepulturas se completam, nada mais se completa.

Sentia-me frustrado, tudo me derrotava. Eu começava a ficar deprimido. Minha vida não estava indo para lugar algum. Precisava de alguma coisa, o brilho das luzes, glamour, alguma porra. Me sentia esquisito. Como se nada tivesse importância. O jogo me cansava. Eu perdera a garra. A existência não era apenas absurda, era simplesmente trabalho pesado. Pense em quantas vezes a gente veste as roupas de baixo em toda a vida. Era surpreendente, era repugnante, era estúpido.

Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria algum lugar para me esconder, um lugar em que ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enojado. Pensar em ser um advogado ou um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, participar de pique-niques em família, festas de Natal, 4 de Julho, Dia do Trabalho, Dia das Mães..., afinal, é para isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, retornar para a solidão de um cubículo e beber até dormir.

A ganância humana não dá tréguas e desconhece limites. A sociedade americana considera o dinheiro um assunto muito mais sério que a própria morte, o que torna dificílimo conseguir alguma coisa a troco de nada. Não se ganha nada de graça neste mundo. Os comunistas que se danem. Na América quando surge algo bom, os ricos metem a mão e tiram de circulação até estragar ou mudar e só então deixam a gente tira uma casquinha. Mas aqui estou eu, malhando e pichando a América por ter corrido comigo. Um lugar onde sempre procuraram acabar com meu couro, cavar minha sepultura.

O enterro de meu pai. Lembro que atravessamos a rua e entramos na casa mortuária. Alguém dizia que meu pai tinha sido um bom homem. Me deu vontade de contar a eles o outro lado. Que ele era um homem ignorante. Cruel. Patriótico. Com fome de dinheiro. Mentiroso. Covarde. Um impostor. Minha mãe só estava há um mês debaixo do chão e ele já estava chupando os peitos e dividindo o papel higiênico com outra mulher. Depois alguém cantou. Nós desfilamos diante do caixão. Talvez eu cuspa nele, pensei.

A história da melancolia inclui todos nós. Eu escrevo em lençóis sujos enquanto olho para paredes azuis e nada. Eu já me acostumei tanto com a melancolia que eu a recebo como uma velha amiga. E agora eu terei 15 minutos de aflição pela ruiva perdida, eu digo aos deuses. Eu faço isso e me sinto bastante mal bastante tristeentão eu levanto LIMPO apesar de que nada está resolvido. Isso é o que eu ganho por chutar a religião na bunda. eu deveria ter chutado a ruiva na bunda onde o cérebro e o pão e a manteiga dela estão... mas, não, eu me senti triste por tudo. A ruiva perdida foi apenas outro rompimento em uma vida de perdas... Eu ouço a bateria no rádio agora e sorrio. Há alguma coisa errada comigo além da melancolia...

Algumas pessoas falam que eu tenho problemas com bebidas. Meu único problema é estar sóbrio. Eu me considero um bêbado socialista mais do que um bebedor social. Às vezes, a única felicidade é a bebedeira às vezes, nada mais importa. Eu continuo me perguntando porque me preocupo quando ninguém mais se importa.

Quando era jovem, eu vivia deprimido. Mas, agora, o suicídio não era mais uma saída pra mim. É o que parecia. Na minha idade, já não sobrava muito que matar.

É, eu sou o herói, o mito. Sou o não mimado, o que não se vendeu. Minhas cartas são vendidas por 250 dólares lá no leste. E eu não consigo comprar um saco de peidos.

A diferença entre a Arte e a Vida é que a Arte é mais suportável.

- Querida, vamos trepar? - Não quero. - De certa forma, eu também não queria. Aliás, foi por isso que perguntei.

Bem, todos morrem um dia, é simples matemática. Nada de novo. A espera é que é um problema.

Um intelectual é um homem que diz uma coisa simples de uma maneira difícil; um artista é um homem que diz uma coisa difícil de uma maneira simples.

De algum modo, sentia que estava ficando meio maluco. Mas sempre me sentia assim. De qualquer forma, a insanidade é relativa. Quem estabelece a norma?

Se o homem pode fazer apenas uma pessoa feliz durante toda uma vida, então sua vida foi justificada.

SOU UM ALCOLATRA QUE VIROU ESCRITOR, PRA PODER FICAR NA CAMA ATÉ O MEIO-DIA.

Estranho: Volta e meia deixar de foder é melhor que foder. Apesar de que posso estar enganado. Em geral dizem que estou.

E logo vai amanhecer. Os trabalhadores vão se levantar e vão procurar por mim no estaleiro, e dirão: ele tá bêbado de novo.

Vai ser o inferno, mas sou durão, e existe maneira melhor de se sacrificar do que pela felicidade de outra pessoa?

O indivíduo bem equilibrado é insano.

Nunca fui elegante. Minhas camisas eram todas desbotadas, encolhidas, surradas, e já tinham cinco ou seis anos. Minhas calças, a mesma coisa. Detestava as grandes lojas, detestava os vendedores, eles se faziam de superiores, pareciam conhecer o sentido da vida, tinham uma segurança que me faltava. Meus sapatos eram sempre velhos e estropiados, e eu detestava lojas de sapatos também. Nunca comprava nada de novo, a menos que as minhas coisas já estivessem completamente inutilizadas - automóveis inclusive. Não era questão de economia; é que eu não era tolerava ser um comprador na dependência dos vendedores, aqueles caras tão altivos e superiores. Além disso, eu perdia tempo, um tempo em que eu podia muito bem estar de papo pro ar, bebendo.

Fiquei pensando como eram difíceis as separações. Mas, era só mesmo rompendo com uma mulher que se podia encontrar outra. Eu precisava degustar as mulheres pra conhecê-las bem, pra entrar no âmago delas. Homem nenhum precisava de mulher pra se sentir real de verdade, mas era bem legal conhecer algumas. Daí, quando o caso ia mal, o sujeito conhecia pra valer o que era a solidão e a loucura, e assim ficava sabendo o que o esperava quando seu próprio fim chegasse...

Afinal de contas, eu tinha feito tudo que me havia proposto na vida. Dera os passos certos. Não dormia na rua. Claro, havia um bocado de gente boa dormindo nas ruas. Não eram idiotas, apenas não se encaixavam na maquinaria necessária no momento. E essas necessidades viviam mudando. Era uma luta desigual, e se a gente dormia na própria cama já era uma vitória contra as forças. Eu tivera sorte, mas alguns dos passos que dera não os dera inteiramente sem pensar. Em geral, porém, era um mundo horrível, e eu muitas vezes me sentia triste pelos outros. Bem, ao diabo com isso. Peguei a vodca e tomei um trago.

Não me preocupo com a morte ou não tenho pena de morrer. Parece uma tarefa desgraçada. Quando? Na próxima quarta-feira á noite? Ou quando estiver dormindo? Ou por causa da próxima terrível ressaca? Acidente de trânsito? É uma carga, uma coisa que deve ser feita. E vou morrer sem acreditar em Deus. Isso vai ser bom, posso enfrentá-la de cabeça em pé. É uma coisa que você tem que fazer, como calçar os sapatos de manhã.

Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica aí dentro, não vou deixar ninguém ver-te. Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado esperto, só o deixo sair à noite por vezes quando todos estão a dormir. digo-lhe, eu sei que estás aí, por isso não estejas triste. Depois, coloco-o de volta, mas ele canta um pouco lá dentro, não o deixei morrer de todo e dormimos juntos assim com o nosso pacto secreto e é bom o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro, e tu?

Você tem mais é que comer muita mulher, mulheres bonitas. E escrever uns poemas de amor decentes. Não se preocupe com a idade ou...com os novos talentos, apenas beba mais cerveja. Mais e mais cerveja. Veja o futebol uma vez por semana, escolhe o time que ganha, se possível. Aprender a ganhar é foda, qualquer porcão pode ser um bom perdedor. E não se esqueça de Brahms, de Bach e do teu trago. Não faça muito exercício, durma até o meio-dia. Evite cartões de crédito ou pagar qualquer coisa no dia. Lembre-se: não existe um cu nesse mundo que vale mais do que cem pila. E se você tiver a capacidade de amar, ame primeiro a si mesmo. Mas sempre tenha na cabeça a possibilidade de derrota total, mesmo que a razão dessa derrota seja certa ou errada. Um gostinho de morte cedo não é necessariamente uma coisa ruim. Fique longe de bares, igrejas, museus. Faça como a aranha: seja paciente. O tempo é a cruz de todo mundo mais derrota, traição, solidão. Toda essa sujeira, fique com a cerveja. Cerveja é sangue contínuo, um amor contínuo. Pegue uma boa caneta e um papel, enquanto o mundo acontece, fora da tua janela, risca nele, risca nele com força. Como se fosse uma luta de pesos pesados, faça como o touro no seu primeiro ataque. E lembre-se dos velhões que lutaram tão bem. Hemingway, Dostoievski...se você acha que eles não enlouqueceram em quartos minúsculos, como o que você ta fazendo agora, sem mulheres, sem comida, sem...sem esperança. Beba mais cerveja, ainda da tempo. E se não der, tá tudo bem.

...QUANDO JA SE ESTÁ QUASE SEM ALMA E SE TEM CONSCIÊNCIA DISSO, É PORQUE AINDA SE EXISTE. Depois sentava e coNtemplava o mar. Numa hora dessas, torna-se dificil acreditar numa série de coisas, como, por exemplo, que houvesse país como a China e os EUA, ou um lugar como o vietnã, ou que ja tivesse sido criança. Não, pensando bem não era tão inacreditavel assim; a infãncia tinha sido um horror, impossível esquecer isso. E a vida de adulto: todos os empregos, as mulheres, de repente nenhuma, e agora desempregado. Sem ter o que fazer, aos 60 anos. Liquidado. Sem nada. Com um dolar e 20 cents no bolso, o aluguel, pago de antemão por uma semana. O oceano...recapitulou as mulheres na lembrança. Algumas haviam sido boas pra ele, outras não passavam de megeras, interesseiras, meio loucas e tremendamente brutais. Quartos, camas, casas, natais, empregos, cantorias, hospitais, apatia, dias e noites de pura monotonia, sem sentido nenhum, sem chance alguma.

Corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso com os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espirito impaciente para romper o molde, incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balancavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos que jamais poderiam compreendê-la. E passava a vida a dancar, a namorar e a beijar. Mas, salvo a raras exceções, na hora H sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelevel na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.

´ A dor é estranha. Um gato matando um passarinho, um acidente de carro, um incêndio... A dor chega, BANG, e aí está ela, instalada em você. É real. Aos olhos dos outros, parece que você está de bobeira. Um idiota, de repente. Não há cura pra dor, a menos que você conheça alguém capaz de entender seus sentimentos e saiba como ajudar. ´

Sentia-me contente por não estar apaixonado (…) As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas, psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.

The Laughing Heart Sua vida é a sua vida. Não deixe que ela seja esmagada na fria submissão. Esteja atento. Existem outros caminhos. E em algum lugar, ainda existe luz. Pode não ser muita luz, mas ela vence a escuridão. Esteja atento. Os deuses vão lhe oferecer oportunidades. Conheça-as. Agarre- as. Você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte durante a vida, às vezes. E quanto mais você aprender a fazer isso, mais luz vai existir. Sua vida é a sua vida. Conheça-a enquanto ela ainda é sua. Você é maravilhoso, os deuses esperam para se deliciar em você.

Se você for tentar, tente de verdade. Caso contrário nem comece. Isso pode significar perder tudo. E talvez até sua cabeça. Isso pode significar não comer nada por três ou quatro dias. Isso pode significar congelar num banco de praça. Isso pode significar escárnio, isolamento. Isolamento é uma dádiva. Todo o resto é teste da sua resistência. De quanto você realmente quer fazer isso. E você vai fazer isso, enfrentando rejeições das piores espécies. E isso será melhor do que qualquer coisa que você já imaginou. Se você for tentar, tente de verdade. Não há outro sentimento melhor que isso. Você estará sozinho com os deuses. E as noites vão arder em chamas. Você levará sua vida direto para a risada perfeita. Esta é a única briga boa que existe.

Quanto mais o tempo passa, menos eu significo pras pessoas e menos elas significam pra mim.

Ser são é fácil, mas pra ser bêbado tem que ter talento.

o relógio estava funcionando, velho despertador, deus o abençoe, quantas vezes olhei para ele às 7 e meia da manhã, manhãs de ressaca, e disse, foda-se o trabalho? FODA-SE O TRABALHO!

O problema com o mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, enquanto os estúpidos estão cheios de confiança.

Quando a gente acha que chegou no fundo do poço, sempre descobre que pode ir ainda mais fundo. Que escrotidão.

Eu continuo me perguntando porque me preocupo quando ninguém mais se importa.

Não há nada que ensine mais do que se reorganizar depois do fracasso e seguir em frente.

O amor é pros que aguentam a sobrecarga psíquica.

Sempre haverá alguma coisa para arruinar nossas vidas. Tudo depende do quê, ou de quem nos encontra antes... Nós estamos sempre maduros e prontos para sermos levados.

Posso viver sem a grande maioria das pessoas. Elas não me completam, me esvaziam.

Nunca espere demais, da sorte ou dos outros, no fim não há quem não decepcione você.

Meu único problema é estar sóbrio.

A vida pode ser boa em certos momentos, mas, às vezes, isso depende de nós.

Tem sempre alguém para estragar o dia da gente, senão a vida.

É que nem mulher que não presta. Não adianta voltar. Não dá nem pra olhar para ela.

Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.

Minha ambição é prejudicado pela preguiça.

Se você está perdendo sua alma e você sabe disso, então você ainda tem uma alma a perder.

Eu gostava do lugar, tinha grandes árvores que davam sombra, e desde que algumas pessoas haviam me dito que eu era feio, sempre preferia a sombra ao sol, a escuridão à luz.

Os melhores geralmente morrem por suas próprias mãos apenas para escapar e aqueles que ficam pra trás nunca conseguem compreender por que alguem iria querer escapar deles.

O mundo inteiro é um saco de merda se rasgando. Não posso salvá-lo.

Humanidade/bondade, nunca existiu nada disso desde o inicio.

Sim, eu odiava ter que me levantar da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois de se passar a noite inteira a dormir cria-se uma espécie de intimidade especial que fica muito mais dificíl de largar. Sempre fui solitário. Desculpe-me, creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, se não fosse por uma ou outra fodidela, não me faria a mínima diferença se todas as pessoas do mundo morressem. Eu sei que não é uma atitude simpática. Mas ficaria todo refestelado aqui dentro do meu caracol. Afinal de contas, foram as pessoas que me tornaram infeliz.

O trabalho estava me dando nos nervos. Seis anos, e não tinha um centavo no banco. Era assim que pegavam a gente - só davam o bastante para a gente se manter vivo, mas nunca para acabar se escapando.

Gosto da forma com que os filósofos destroem conceitos e as teorias que os precederam. Isso tem acontecido há séculos. Não é assim, dizem. É desse jeito. Isto continua sem parar e parece lógica, esta continuidade. O principal problema é que os filósofos devem humanizar sua linguagem, torná-la mais acessível, então os pensamentos se iluminam mais e ficam mais interessantes. Acho que estão aprendendo a fazer isso. A simplicidade é essencial.

Não, eu não odeio as pessoas. Só me sinto melhor quando elas não estão por perto.

Os grandes homens são sempre os mais solitários.

É possível amar o ser humano caso você não o conheça tão bem.

Ás vezes você acha bondade no meio do inferno.

Saber que não tinha coragem de fazer o que era necessário, me fez sentir horrível.

(...) era isso que eles queriam: Mentiras. Mentiras maravilhosas. Era disso que precisavam. As pessoas eram idiotas, seria fácil pra mim assim.

Sem ambição, sem talento, sem sorte. O que me mantinha fora da sarjeta era pura sorte, e a sorte jamais durava.

Minha única ambição é não ser nada, me parece a coisa mais sensata.

De alguma forma, nunca consegui me ajustar na sociedade. Não gosto da humanidade. Não tenho o menor desejo de me ajustar, nenhum senso de lealdade, nenhum objetivo de fato.

Não é morrer que é ruim, é estar perdido que é ruim.

Estar sozinho nunca me pareceu certo. Às vezes me senti bem, mas isso nunca me pareceu certo.

O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas...

Me sinto bem em não participar de nada. Me alegra não estar apaixonado e não estar de bem com o mundo. Gosto de me sentir estranho a tudo...

Há coisas piores do que estar só, mas costuma levar décadas até que o percebamos. E, frequentemente, quando o conseguimos, é demasiado tarde. E nada pior do que ser demasiado tarde.

Costumo levar coisas para ler, para que eu não tenha de olhar para as pessoas.

Cuidado com o homem vulgar. A mulher vulgar. Cuidado com o amor deles.

Não quero trocar ideias - ou almas.

Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la.

Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte.

.. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.

Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.

Essas coisas, você sabe. Parece que não consigo entrar em nada. Tudo travado. Todas as cartas tomadas. Eu não me ligo em política nem religião, nem seja lá o que for. Realmente não sei o que está acontecendo por aí. Não tenho TV, não leio jornais, nada disso. Não sei quem está certo ou errado, se é que isso existe.

Contudo, todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. Tudo logo se torna chato e mortal. Acordamos pela manhã, jogamos o pé para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ah, merda, e agora?

Às vezes, me sinto como se estivéssemos todos presos num filme. Sabemos nossas falas, onde caminhar, como atuar, só que não há uma câmera. No entanto, não conseguimos sair do filme. E é um filme ruim.

O que eu odeio é que algum dia tudo se reduzirá a nada, os amores, os poemas. Acabaremos recheados de terra como um taco barato. Que coisa mais triste, tudo é tão triste - a gente passa a vida inteira feito bobo pra depois morrer que nem besta.

Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade.

A maior parte do mundo estava doida. E a parte que não era doida era furiosa. E a parte que não era doida nem furiosa era apenas idiota.

As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava.

Não liguei a televisão. Descobri que quando a gente está mal essa filha da puta só faz a gente se sentir pior.

Acho que a gente devia encher a cara hoje, depois a gente fala mal dos inúteis que se acham super importantes.

Não era meu dia. Não era minha semana. Não era meu mês. Não era meu ano. Não era a porra da minha vida.

-A Bíblia diz: Amai ao próximo. - Isso poderia significar algo como: Deixe-o em paz.

O Inferno são as pessoas.

Raramente encontro uma pessoa rara ou interessante. É mais que perturbador, é um choque constante.

Tudo é inverossímil enquanto não acontece pela primeira vez. Quem há de acreditar em coisas que ainda estão por vir?

As pessoas engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas.

Já fui alfinetado, lancetado, é, inclusive bombardeado… com tanta frequência que simplesmente não agüento mais; não conseguiria enfrentar outro fogo cerrado.

Não estou minimamente interessado em perguntar como vão suas almas. Suponho que era o que eu deveria fazer.

Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer.

Acho que viver com mulheres loucas faz bem para a espinha.

E se por acaso a religião não contivesse em si verdade nenhuma, os tolos que nela acreditavam seriam então, duplamente idiotas

A poesia abre os olhos,cala a boca e estremece a alma...

“Não gostava de nada. Vai ver eu estava com medo. É isso: eu tinha medo. Eu queria ficar sozinho num quarto com a janela fechada. Fiquei curtindo essa ideia. Eu era um trambolho. Eu era um lunático.”

Sentamos e esperamos pelo sol e tudo o que viria pela frente. Eu não gostava do mundo, mas em tempos precavidos e tranquilos, dava até quase para compreendê-lo.

Talvez a miséria tenha chegado. Não se pode viver da própria alma. Não se pode pagar o aluguel com a alma. Experimente fazer isso um dia. É o início do Declínio e a Queda do Ocidente, como Splenger dizia. Todo mundo é tão ganancioso e decadente, a decomposição realmente começou. Eles matam gente aos milhões nas guerras e dão medalhas por isso. Metade das pessoas deste mundo vai morrer de fome enquanto a gente fica por aí sentado vendo TV.

Sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era a soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias e nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho.

As garotas pareciam legais a certa distância, o sol resplandecendo em seus vestidos, em seus cabelos. Mas vá se aproximar e ouvir seus pensamentos escorrendo boca afora, você vai sentir vontade de cavar um buraco ao sopé de uma colina e se entrincheirar com uma metralhadora.

Sou apenas um bloco de pedra para mim mesmo. Quero ficar dentro desse bloco, sem ser perturbado. Foi assim desde o começo. Resisti a meus pais, resisti à escola e depois resisti a tornar-me um cidadão decente. O que quer que eu fosse, fui desde o começo. Não queria que ninguém mexesse com isso. E ainda não quero.

Nós nascemos assim, nisso: Nos hospitais que são tão caros, que são baratos para morrer; num país onde as cadeias estão cheias e os hospícios estão fechados; num lugar onde as massas elevam idiotas em heróis ricos.

[...] isto não é um poema. Poemas são um tédio, eles te fazem dormir. Estas palavras te arrastam para uma nova loucura. Você foi abençoado, você foi atirado num lugar que cega de tanta luz. O elefante sonha com você agora. A curva do espaço se curva e ri. Você já pode morrer agora. Você já pode morrer do jeito que as pessoas deveriam morrer: esplêndidas, vitoriosas, ouvindo a música, sendo a música, rugindo, rugindo, rugindo.

Estou sozinho afinal sem estar sozinho.

Sou um alcoólatra que virou escritor para poder ficar na cama até meio-dia.

Nove décimos de mim já morreram, mas eu guardo o décimo restante como uma arma.

Mas divertimento e perigo dificilmente passam margarina na torrada ou alimentam o gato. Você desiste da torrada e acaba comendo o gato.

Às vezes a gente pensa que está num asilo de loucos. E de certa forma está.

...Quando uma vai Outra vem Pior do que sua antecessora...