Sobre o Autor

Cecília Meireles

Cecília Meireles foi uma poetisa e jornalista, e é considerada umas das maiores escritoras brasileiras.

Epigrama Narciso,foste caluniado pelos homens, por teres deixado cair, uma tarde, na água incolor, a desfeita grinalda do teu sorriso. Narciso, eu sei que não sorrias para o teu vulto, dentro da onda: sorrias para a onda, apenas, que enlouquecera, e que sonhava gerar no ritmo do seu corpo, ermo e indeciso, a estátua de cristal que, sobre a tarde, a contemplava, florindo-a para sempre, com o seu efêmero sorriso...

COMPRAS DE NATAL São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.

Quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Frase de Realização de um Sonho Encontrados 730 frases e pensamentos: frase realização sonho Tenho em mim todos os sonhos do mundo Fernando Pessoa Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 925 pessoas Mais InformaçãoSonhar é acordar-se para dentro. Mário Quintana Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 430 pessoas Mais InformaçãoSonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida. Che Guevara Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 242 pessoas Mais InformaçãoNós somos do tecido de que são feitos os sonhos. William Shakespeare Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 162 pessoas Mais InformaçãoO futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. Elleanor Roosevelt Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 140 pessoas Mais InformaçãoNunca se afaste de seus sonhos. Porque se eles forem, você continuara vivendo, mas terá deixado de existir. mark Twain Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 98 pessoas Mais InformaçãoSe podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade. Walt Disney Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 96 pessoas Mais InformaçãoGosto daquele que sonha o impossível. Johann Goethe Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 67 pessoas Mais InformaçãoFica estabelecida a possibilidade de sonhar coisas impossíveis e de caminhar livremente em direção aos sonhos. Luciano Luppi Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 16 pessoas Mais InformaçãoAs Vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais! Bob Marley Adicionar à minha coleçãoNa coleção de 4202 pessoas Mais InformaçãoO Amor... É difícil para os indecisos. É assustador para os medrosos. Avassalador para os apaixonados! Mas, os vencedores no amor são os fortes. Os que sabem o que querem e querem o que têm! Sonhar um sonho a dois, e nunca desistir da busca de ser feliz, é para poucos!!

Não faças de ti Um sonho a se realizar. Vai. Sem caminho marcado. Tu é o de todos os caminhos. Sê apenas uma presença. Invisível presença silenciosa. Todas as coisas esperam a luz, sem dizerem que a esperam. Sem saberem que existe. Todas as coisas esperarão por ti, Sem te falarem. Sem lhes falares.

CANTEIROS Quando penso em você fecho os olhos de saudade Tenho tido muita coisa, menos a felicidade Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento Pode ser até manhã, cedo claro feito dia mas nada do que me dizem me faz sentir alegria Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa Para correr entre os canteiros e esconder minha tristeza Que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida, Pois se não chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,que estão diante de cada janela,uns dizem que essas coisas não existem,outros que só existem diante das minhas janelas, e outros finalmente, que é preciso aprender a olhar,para poder vê-las assim...

Mundo Engraçado O mundo está cheio de coisas engraçadas; quem se quiser distrair não precisa ir à Pasárgada do Bandeira, nem à minha Ilha do Nanja; não precisa sair de sua cidade, talvez nem da sua rua, nem da sua pessoa! (Somos engraçadíssimos, também, com tantas dúvidas, audácias, temores, ignorância, convicções...) Abre-se um jornal – e tudo é engraçado, mesmo o que parece triste. Cada fato, cada raciocínio, cada opinião nos faria sorrir por muitas horas, se ainda tivéssemos horas disponíveis. Há os mentirosos, por exemplo. E pode haver coisa mais engraçada que o mentiroso? Ele diz isto e aquilo, com a maior seriedade; fala-nos de seus planos; de seus amigos (poderosos, influentes, ricos); queixa-se de algumas perseguições (que aliás, profundamente despreza); às vezes conta-nos que foi roubado em algum quadro célebre ou numa pedra preciosa, oferecida à sua bisavó pelo Primeiro Ministro da Cochinchina. O mentiroso conhece as maiores personalidades do Mundo – trata-as até por tu! Seus amores são a coisa mais poética do século. Suas futuras viagens prometem ser as mais sensacionais, depois dessas banalidades de UIisses e Simbad... Certamente escreverá o seu diário, mas não o publicará jamais, porque é preciso um papel que não existe, um editor que ainda não nasceu e um leitor que terá de sofrer várias encarnações para ser digno de o entender. Em geral os mentirosos são muito agradáveis, desde que não se tome como verdade nada do que dizem. E esse é o inconveniente: às vezes, leva-se algum tempo para se fazer a identificação. Uma vez feita, porém, que maravilha! – é só deixá-los falar. É como um sonho, uma história de aventuras, um filme colorido. Há também os posudos. Os posudos ainda são mais engraçados que os mentirosos e geralmente acumulam as funções. O que os torna mais engraçados é serem tão solenes. Os posudos funcionários são deslumbrantes! Como se sentam à sua mesa! Como consertam os óculos! Que coisas dizem! As coisas que dizem são poemas épicos com a fita posta ao contrário. Não se entende nada – mas que diapasão! Que delicadas barafundas! Que sons! Que ritmos! Seus discursos e as palmas que os acompanham conseguem realizar o prodígio de serem a coisa mais cômica da terra pronunciada no tom mais sério, mais grave, mais trágico – de modo que o ouvinte, que rebenta de rir por dentro, sofre uma atrapalhação emocional e consegue manter-se estático, paralisado, equivocado. Os posudos, porém, são menos agradáveis que os simples mentirosos. Os mentirosos têm um jeito frívolo, como se andassem acompanhados de um criado que anunciasse: Não creiam em nada do que o meu amo diz! Mas os posudos levam um séqüito de criados, todos posudos também, que recolhem nas sacolas, grandes e pequenas gorjetas, porque uma das qualidades do posudo é andar sempre com muito dinheiro – que não é seu!

Nem tudo é fácil É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre. É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar. É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

Tentativa Andei pelo mundo no meio dos homens. uns compravam jóias, uns compravam pão. Não houve mercado nem mercadoria que seduzisse a minha vaga mão. Calado, Calado, me dia, Calado. por onde se encontra minha sedução. Alguns sorririam, muitos soluçaram, uns, porque tiveram, outros porque não. Calado, Calado, eu, que não quis nada, por que ando com pena do meu coração? Se não vou ser Santa, Calado, Calado, os sonhos de todos por que não me dão? Calado, Calado, perderam meus dias? ou gastei-os todos, só por distração? Não sou dos que levam: sou coisa levada ... E nem sei daqueles que me levarão... Calado, me diga se devo ir-me embora, para que outro mundo e em que embarcação!

Desenho Traça a reta e a curva, a quebrada e a sinuosa Tudo é preciso. De tudo viverás. Cuida com exatidão da perpendicular e das paralelas perfeitas. Com apurado rigor. Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo, traçarás perspectivas, projetarás estruturas. Número, ritmo, distância, dimensão. Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória. Construirás os labirintos impermanentes que sucessivamente habitarás. Todos os dias estarás refazendo o teu desenho. Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida. E nem para o teu sepulcro terás a medida certa. Somos sempre um pouco menos do que pensávamos. Raramente, um pouco mais.

Os que sabem o que querem e querem o que têm! Sonhar um sonho a dois,e nunca desistir da busca de ser feliz, é para poucos!

Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.

Eu não tinha este rosto de hoje assim calmo,assim triste magro nem esses olhos tao vazios.

Encostei-me a ti, sabendo que eras somente onda. Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti. Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino, frágil, Fiquei sem poder chorar quando caí.

Quem falou de primavera sem ter visto seu sorriso, falou sem saber o que era.

Eu não dei por esta mudança Tão simples, tão certa, tão fácil. Em que espelho Ficou perdida A minha face?

Aprendi com as primaveras a me deixar cortar e voltar inteira.

Tenho fases como a lua: fases de andar escondida, fases de andar na rua

Nunca tive os olhos tão claros e o sorriso em tanta loucura. Sinto-me toda igual às árvores: solítária, perfeita e pura

Quem nasceu mesmo moreno, moreno de vocação gosta de mar e sereno, de estrela e de violão. Pode até gostar de alguém Mas nunca deixa a solidão.

Tão liso está meu coração, tão lisos, meus pensamentos, que as lágrimas rolarão, e os contentamentos.

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa: Fizeste para sempre a vida ficar triste: Porque um dia se vê que as horas todas passam, e um tempo despovoado e profundo, persiste.

E é nisto que se resume o sofrimento: cai a flor, — e deixa o perfume no vento!

Desfaze-te da vaidade triste de falar. Pensa,completamente silencioso, Até a glória de ficar silencioso, Sem pensar.

Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. (...) Tu és a folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim.

A bailarina Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé. Não conhece nem mi nem fá Mas inclina o corpo para cá e para lá Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri. Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar. Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu. Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças.

Renova-te. Renasce em ti mesmo. Multiplica os teus olhos, para verem mais. Multiplica os teus braços para semeares tudo. Destrói os olhos que tiverem visto. Cria outros, para as visões novas. Destrói os braços que tiverem semeado, para se esquecerem de colher. Sê sempre o mesmo. Sempre outro. Mas sempre alto. Sempre longe. E dentro de tudo.

Noções Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos. Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos. Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge. Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram. Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a. Minha virtude era esta errância por mares contraditórios, e este abandono para além da felicidade e da beleza. Ó meu Deus, isto é minha alma: qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário, como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...

Primeiro Motivo da Rosa Vejo-te em seda e nácar, e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera, toda a Beleza em lágrimas por ser bela e ser frágil. Meus olhos te ofereço: espelho para face que terás, no meu verso, quando, depois que passes, jamais ninguém te esqueça. Então, de seda e nácar, toda de orvalho trêmula, serás eterna. E efêmero o rosto meu, nas lágrimas do teu orvalho... E frágil.