Carlos Drummond de Andrade foi um poeta brasileiro (1902 - 1987), também cronista, contista e tradutor. Entre suas obras de maior destaque, Alguma poesia, Sentimento do mundo e A rosa do povo.

Carlos Drummond de Andrade foi um poeta brasileiro (1902 - 1987), também cronista, contista e tradutor. Entre suas obras de maior destaque, Alguma poesia, Sentimento do mundo e A rosa do povo.

Frases e Pensamentos

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    "Amor é privilégio de maduros estendidos na mais estreita cama,
    que se torna a mais larga e mais relvosa,roçando, em cada poro, o céu do corpo.
    É isto, amor: o ganho não previsto,o prêmio subterrâneo e coruscante,leitura de relâmpago cifrado,que, decifrado, nada mais existe valendo a pena e o preço do terrestre,salvo o minuto de ouro no relógio minúsculo,vibrando no crepúsculo.
    Amor é o que se aprende no limite,depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida.
    Amor começa tarde."

        Carlos Drummond de Andrade

    " Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
    Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
    com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."

        Carlos Drummond de Andrade

    "As sem-razões do amor

    Eu te amo porque te amo,
    Não precisas ser amante,
    e nem sempre sabes sê-lo.
    Eu te amo porque te amo.
    Amor é estado de graça
    e com amor não se paga.

    OBS: Eu Te amo porque mesmo sabendo que errei no passado os meus olhos ainda querem encontrar os seus."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Morte do Leiteiro

    Há pouco leite no país,
    é preciso entregá-lo cedo.
    Há muita sede no país,
    é preciso entregá-lo cedo.
    Há no país uma legenda,
    que ladrão se mata com tiro.
    Então o moço que é leiteiro
    de madrugada com sua lata
    sai correndo e distribuindo
    leite bom para gente ruim.
    Sua lata, suas garrafas
    e seus sapatos de borracha
    vão dizendo aos homens no sono
    que alguém acordou cedinho
    e veio do último subúrbio
    trazer o leite mais frio
    e mais alvo da melhor vaca
    para todos criarem força
    na luta brava da cidade.

    Na mão a garrafa branca
    não tem tempo de dizer
    as coisas que lhe atribuo
    nem o moço leiteiro ignaro,
    morados na Rua Namur,
    empregado no entreposto,
    com 21 anos de idade,
    sabe lá o que seja impulso
    de humana compreensão.
    E já que tem pressa, o corpo
    vai deixando à beira das casas
    uma apenas mercadoria.

    E como a porta dos fundos
    também escondesse gente
    que aspira ao pouco de leite
    disponível em nosso tempo,
    avancemos por esse beco,
    peguemos o corredor,
    depositemos o litro...
    Sem fazer barulho, é claro,
    que barulho nada resolve.

    Meu leiteiro tão sutil
    de passo maneiro e leve,
    antes desliza que marcha.
    É certo que algum rumor
    sempre se faz: passo errado,
    vaso de flor no caminho,
    cão latindo por princípio,
    ou um gato quizilento.
    E há sempre um senhor que acorda,
    resmunga e torna a dormir.

    Mas este acordou em pânico
    (ladrões infestam o bairro),
    não quis saber de mais nada.
    O revólver da gaveta
    saltou para sua mão.
    Ladrão? se pega com tiro.
    Os tiros na madrugada
    liquidaram meu leiteiro.
    Se era noivo, se era virgem,
    se era alegre, se era bom,
    não sei,
    é tarde para saber.

    Mas o homem perdeu o sono
    de todo, e foge pra rua.
    Meu Deus, matei um inocente.
    Bala que mata gatuno
    também serve pra furtar
    a vida de nosso irmão.
    Quem quiser que chame médico,
    polícia não bota a mão
    neste filho de meu pai.
    Está salva a propriedade.
    A noite geral prossegue,
    a manhã custa a chegar,
    mas o leiteiro
    estatelado, ao relento,
    perdeu a pressa que tinha.

    Da garrafa estilhaçada,
    no ladrilho já sereno
    escorre uma coisa espessa
    que é leite, sangue... não sei.
    Por entre objetos confusos,
    mal redimidos da noite,
    duas cores se procuram,
    suavemente se tocam,
    amorosamente se enlaçam,
    formando um terceiro tom
    a que chamamos aurora."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Desejo a você...
    Fruto do mato
    Cheiro de jardim
    Namoro no portão
    Domingo sem chuva
    Segunda sem mau humor
    Sábado com seu amor
    Ouvir uma palavra amável
    Ter uma surpresa agradável
    Noite de lua Cheia
    Rever uma velha amizade
    Ter fé em Deus
    Não ter que ouvir a palavra não
    Nem nunca, nem jamais e adeus.
    Rir como criança
    Ouvir canto de passarinho
    Escrever um poema de Amor
    Que nunca será rasgado
    Formar um par ideal
    Tomar banho de cachoeira
    Aprender uma nova canção
    Esperar alguém na estação
    Queijo com goiabada
    Pôr-do-Sol na roça
    Uma festa
    Um violão
    Uma seresta
    Recordar um amor antigo
    Ter um ombro sempre amigo
    Bater palmas de alegria
    Uma tarde amena
    Calçar um velho chinelo
    Sentar numa velha poltrona
    Tocar violão para alguém
    Ouvir a chuva no telhado
    Vinho branco
    Bolero de Ravel...
    E muito carinho meu."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Se um dia olhar para o céu e não te ver, é que sou a onda do mar e não consigo te esqueçer, sou feliz do teu lado sem do seu lado estar, pois vc é isolado no meu modo de pensar, quando estou triste e não tem solução, lembro que vc existe e mora no meu corção!"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Reverência ao destino



    Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
    Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

    Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
    Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

    Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
    Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

    Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
    Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

    Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
    Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
    E é assim que perdemos pessoas especiais.

    Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
    Difícil é mentir para o nosso coração.

    Fácil é ver o que queremos enxergar.
    Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
    Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

    Fácil é dizer oi ou como vai?
    Difícil é dizer adeus, principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

    Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
    Difícil é sentir a energia que é transmitida.
    Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

    Fácil é querer ser amado.
    Difícil é amar completamente só.
    Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

    Fácil é ouvir a música que toca.
    Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

    Fácil é ditar regras.
    Difícil é segui-las.
    Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

    Fácil é perguntar o que deseja saber.
    Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

    Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
    Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

    Fácil é dar um beijo.
    Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

    Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
    Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

    Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
    Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

    Fácil é sonhar todas as noites.
    Difícil é lutar por um sonho.

    Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Não se mate
    Carlos, sossegue, o amor
    é isso que você está vendo:
    hoje beija, amanhã não beija,
    depois de amanhã é domingo
    e segunda-feira ninguém sabe
    o que será.

    Inútil você resistir
    ou mesmo suicidar-se.
    Não se mate, oh não se mate,
    Reserve-se todo para
    as bodas que ninguém sabe
    quando virão,
    se é que virão.

    O amor, Carlos, você telúrico,
    a noite passou em você,
    e os recalques se sublimando,
    lá dentro um barulho inefável,
    rezas,
    vitrolas,
    santos que se persignam,
    anúncios do melhor sabão,
    barulho que ninguém sabe
    de quê, praquê.

    Entretanto você caminha
    melancólico e vertical.
    Você é a palmeira, você é o grito
    que ninguém ouviu no teatro
    e as luzes todas se apagam.
    O amor no escuro, não, no claro,
    é sempre triste, meu filho, Carlos,
    mas não diga nada a ninguém,
    ninguém sabe nem saberá.
    Não se mate"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Gastei uma hora pensando um verso
    que a pena não quer escrever.
    No entanto ele está cá dentro
    inquieto, vivo.
    Ele está cá dentro
    e não quer sair.
    Mas a poesia deste momento
    inunda minha vida inteira."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Sete. Sinônimo de azar?
    Praia. Um ótimo lugar pra fazer novas amizades, conversar com pessoas bacanas, pegar um corzinha. Um ótimo lugar pra quem quer perder a esposa. Ainda mais se for com o melhor amigo da família. Foi o que aconteceu comigo em sete de julho de mil novecentos e setenta e sete. Uma data inesquecível para quem perdeu o grande amor da vida. É muito difícil para eu contar uma história onde o equivocado fui eu, onde o ludibriado fui eu, onde o “corno” fui eu. Eu fui traído pelo meu melhor amigo francês e pela minha linda negra mulher, Verônica e Sthéphan. Uma afro-descendente com um moderno francês. Não combinariam. Era dia de muito calor; estávamos em 1977, era sete de julho, estávamos de férias do trabalho; Sthépan me liga e me propõe um banho de mar em Copacabana, confirmo a presença de minha família ao encontro. Desligo o telefone. Apreço Maria Isabel, minha filha, e minha mulher, Verônica. Pego meu Volvo 76, e saímos em partida ao nosso chalé em Copacabana, chegamos por volta das 13h40. Avistamos Sthépan sentado na cadeira de montar bebendo uma água de coco. Ele nos oferece. Dizemos não. Agradecemos. Pedimos dois guarda-sóis e outras cadeiras. Ele está hospedado no Palace Hotel, que á dois meses foi comprado por meu avô. Sthépan é filho de um grande amigo de meu pai, por isso ele está pagando metade da diária. O sonho de Verônica sempre foi conhecer Paris e andar em um transatlântico. Mas todas as vezes que lhe propunha viajar ela preferia gastar em joias e roupas de grifes, e ela nem sabia o que era isso. Verônica pede para ver as fotos novas que ele tirou em paris durante esses anos. Então ele pede para que ela o acompanhe até o Hotel, pede para que eu e minha filha olhemos as coisas, para que eles fossem ver as fotos. Concordamos. E eles se foram. Sthépan sempre ficou admirado com a beleza de minha esposa, pois ele nunca tinha visto uma negra tão linda como Verônica. Em mil novecentos e cinqüenta quando eu me noivei com Verônica, ele morava aqui no Brasil. Sempre nos finais de semanas íamos à praia. E eu percebia como ele olhava para o grande busto de minha mulher, ficava impressionado com o tamanho de seus seios, ficava bobo de ver que aqueles grandes pomos eram “frutos” de uma pele negra. Ele adorava vê-los. Verônica sabia disso. Eu ainda não. Também já estava desconfiado de como ele não se casava de segui-la, sempre que ela ia para o nosso chalé preparar alguma coisa para comermos na praia ele ia atrás. Podia ser uma urgência urinária, um reforço na bebida, não importava o que fosse tudo era pretexto para ele se engraçar com ela. Aposto que o caso começou daí, ela farta das pobres cantadas dele, não se importou de lhe abrir a blusa e lhe conceder alguns momentos de prazer em minha casa - que ficava ao lado do Hotel de meu avô. – E pronto. Não custou tanto assim satisfazer aquele grande homem, meio sem-vergonha, mais algumas vezes. E daí não teria o porquê de recusar visitas intimas na casa dele. Não sei se felizmente ou infelizmente nunca peguei os dois se deleitando. Revirando o baú da memória, enquanto Maria Isabel se banhava nas águas salgadas de Copacabana me lembrei de tudo isso e me perguntei se eles depois de tantos anos poderiam ainda me trair. Se dependesse daquele crápula com certeza sim. Mil vezes sim. Não esperei nem mais um segundo. Atravessei a Avenida Copacabana sem olhar para os lados. Cheguei às portas do hotel, subi as escadas. Todas as 264 escadas em poucos minutos. Nem um empregado ousou a me parar, estava disposto a atropelar qualquer um que tivesse tamanha estupidez. O pouco tempo que levei para subir a escadaria fiquei pensando no que os dois estariam fazendo. E se não fosse nada daquilo que imaginei? E se fosse somente alucinações? E se os dois apenas estivessem vendo fotos de Paris? Mas para saber era preciso ir até lá. Pagar esse preço que talvez seja o mais alto que temos que pagar na vida. Subi. Cheguei. Esmurrei a porta. Berrei: POLÍCIA. Ele abriu. Vi Verônica se escondendo atrás do lençol. O que não adiantou. Reconheceria aqueles pés tamanhos 33 com as solas encardidas de areia e sal em qualquer lugar. Com um safanão arranquei o lençol que ela estava embrulhada. Simultaneamente Sthépan me chamou de covarde tipo selvagem. Iria lhe responder rispidamente, mas nem isso ele merecia. E Verônica só sabia chorar. Eu a agarrei e a levantei pelos cabelos. Arrastei-a pelas escadas, humilhei-a perante os porteiros, faxineiros, recepcionistas do hotel. Bati-lhe entre os bêbados das ruas e avenidas. E com isso ela veio ao falecimento, e eu ao sabor da vitória de que uma vez na vida fiz o que achei conveniente. Condenado a prisão eu fui. Depois eu nunca mais vi Sthépan, o fim dele certamente foi a morte por uma baiana infeliz."

        Carlos Drummond de Andrade

    "...ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternura e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.
    Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Ser feliz sem motivo
    é a mais autêntica
    forma de felicidade.

    -Drummond-

    Postado por Daniela Carvalho"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Amar se aprende amando."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Cuidado por onde andas, que é sobre os meus sonhos que caminhas"

        Carlos Drummond de Andrade

    "E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Porque calando nem sempre quer dizer que concordamos com o que ouvimos ou lemos,mas estamos dando a outrem a chance de pensar, refletir, saber o que falou ou escreveu."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Professorinha ensinando à crianças; a adultos; ao povo;
    toda a arte de ser, sem esconder o ser.


    (Trecho de Drummond, no dia da morte de Leila)"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Os senhores me desculpem, mas devido ao adiantado das horas eu me sinto anterior às fronteiras."

        Carlos Drummond de Andrade

    "“A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Palavras, palavras, se me desafias, aceito o combate."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo que a vida é uma ordem."

        Carlos Drummond de Andrade

    "A tarde talvez fosse azul não houvesse tantos desejos."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Que pode uma criatura senão,
    entre outras criaturas, amar?
    amar e esquecer,
    amar e malamar,
    amar, desamar, amar?
    sempre, e até de olhos vidrados, amar?"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Carlos, sossegue, o amor
    é isso que você está vendo:
    hoje beija, amanhã não beija,
    depois de amanhã é domingo
    e segunda-feira ninguém sabe
    o que será."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Os impactos de amor não são poesia."

        Carlos Drummond de Andrade

    "A flor e a náusea

    Uma flor nasceu na rua!
    Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
    Uma flor ainda desbotada
    ilude a polícia, rompe o asfalto.
    Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
    garanto que uma flor nasceu.
    É feia. Mas é flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Nosso Tempo

    I
    Esse é tempo de partido,
    tempo de homens partidos.

    Em vão percorremos volumes,
    viajamos e nos colorimos.
    A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
    Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
    As leis não bastam. Os lírios não nascem
    da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
    na pedra.

    Visito os fatos, não te encontro.
    Onde te ocultas, precária síntese,
    penhor de meu sono, luz
    dormindo acesa na varanda?
    Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
    sobe ao ombro para contar-me
    a cidade dos homens completos.

    Calo-me, espero, decifro.
    As coisas talvez melhorem.
    São tão fortes as coisas!
    Mas eu não sou as coisas e me revolto.
    Tenho palavras em mim buscando canal,
    são roucas e duras,
    irritadas, enérgicas,
    comprimidas há tanto tempo,
    perderam o sentido, apenas querem explodir.

    II
    Esse é tempo de divisas,
    tempo de gente cortada.
    De mãos viajando sem braços,
    obscenos gestos avulsos.

    Mudou-se a rua da infância.
    E o vestido vermelho
    vermelho
    cobre a nudez do amor,
    ao relento, no vale.

    Símbolos obscuros se multiplicam.
    Guerra, verdade, flores?
    Dos laboratórios platônicos mobilizados
    vem um sopro que cresta as faces
    e dissipa, na praia, as palavras.

    A escuridão estende-se mas não elimina
    o sucedâneo da estrela nas mãos.
    Certas partes de nós como brilham! São unhas,
    anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
    são partes mais íntimas,
    e pulsação, o ofego,
    e o ar da noite é o estritamente necessário
    para continuar, e continuamos.

    III
    E continuamos. É tempo de muletas.
    Tempo de mortos faladores
    e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
    mas ainda é tempo de viver e contar.
    Certas histórias não se perderam.
    Conheço bem esta casa,
    pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,
    a sala grande conduz a quartos terríveis,
    como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,
    conduz à copa de frutas ácidas,
    ao claro jardim central, à água
    que goteja e segreda
    o incesto, a bênção, a partida,
    conduz às celas fechadas, que contêm:
    papéis?
    crimes?
    moedas?

    Ó conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiados urbano,
    ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,
    moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,
    pessoas e coisas enigmáticas, contai;
    capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;
    velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;
    ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da
    costureira, luto no braço, pombas, cães errantes, animais caçados, contai.
    Tudo tão difícil depois que vos calastes...
    E muitos de vós nunca se abriram.

    IV
    É tempo de meio silêncio,
    de boca gelada e murmúrio,
    palavra indireta, aviso
    na esquina. Tempo de cinco sentidos
    num só. O espião janta conosco.

    É tempo de cortinas pardas,
    de céu neutro, política
    na maçã, no santo, no gozo,
    amor e desamor, cólera
    branda, gim com água tônica,
    olhos pintados,
    dentes de vidro,
    grotesca língua torcida.
    A isso chamamos: balanço.

    No beco,
    apenas um muro,
    sobre ele a polícia.
    No céu da propaganda
    aves anunciam
    a glória.
    No quarto,
    irrisão e três colarinhos sujos.

    V
    Escuta a hora formidável do almoço
    na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
    As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
    Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
    Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,
    olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
    Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
    mais tarde será o de amor.

    Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
    O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
    Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
    Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
    vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
    toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

    Escuta a hora espandongada da volta.
    Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
    roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
    homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem,
    imaginam esperar qualquer coisa,
    e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
    últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
    já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
    Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
    o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
    com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
    escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
    errar em objetos remotos e, sob eles soterrados sem dor,
    confiar-se ao que bem me importa
    do sono.

    Escuta o horrível emprego do dia
    em todos os países de fala humana,
    a falsificação das palavras pingando nos jornais,
    o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
    os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
    a constelação das formigas e usurários,
    a má poesia, o mau romance,
    os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
    o homem feio, de mortal feiúra,
    passeando de bote
    num sinistro crepúsculo de sábado.

    VI
    Nos porões da família
    orquídeas e opções
    de compra e desquite.
    A gravidez elétrica
    já não traz delíquios.
    Crianças alérgicas
    trocam-se; reformam-se.
    Há uma implacável
    guerra às baratas.
    Contam-se histórias
    por correspondência.
    A mesa reúne
    um copo, uma faca,
    e a cama devora
    tua solidão.
    Salva-se a honra
    e a herança do gado.

    VII
    Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
    para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
    dores de classe, de sangrenta fúria
    e plácido rosto. E há mínimos
    bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
    lesões que nenhum governo autoriza,
    não obstante doem,
    melancolias insubornáveis,
    ira, reprovação, desgosto
    desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.
    Há o pranto no teatro,
    no palco ? no público ? nas poltronas ?
    há sobretudo o pranto no teatro,
    já tarde, já confuso,
    ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,
    vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,
    vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,
    e secar ao sol, em poça amarga.
    E dentro do pranto minha face trocista,
    meu olho que ri e despreza,
    minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
    que polui a essência mesma dos diamantes.

    VIII
    O poeta
    declina de toda responsabilidade
    na marcha do mundo capitalista
    e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
    prometa ajudar
    a destruí-lo
    como uma pedreira, uma floresta
    um verme."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Resíduo

    De tudo ficou um pouco
    Do meu medo. Do teu asco.
    Dos gritos gagos. Da rosa
    ficou um pouco

    Ficou um pouco de luz
    captada no chapéu.
    Nos olhos do rufião
    de ternura ficou um pouco
    (muito pouco).

    Pouco ficou deste pó
    de que teu branco sapato
    se cobriu. Ficaram poucas
    roupas, poucos véus rotos
    pouco, pouco, muito pouco.

    Mas de tudo fica um pouco.
    Da ponte bombardeada,
    de duas folhas de grama,
    do maço
    - vazio - de cigarros, ficou um pouco.

    Pois de tudo fica um pouco.
    Fica um pouco de teu queixo
    no queixo de tua filha.
    De teu áspero silêncio
    um pouco ficou, um pouco
    nos muros zangados,
    nas folhas, mudas, que sobem.

    Ficou um pouco de tudo
    no pires de porcelana,
    dragão partido, flor branca,
    ficou um pouco
    de ruga na vossa testa,
    retrato.

    Se de tudo fica um pouco,
    mas por que não ficaria
    um pouco de mim? no trem
    que leva ao norte, no barco,
    nos anúncios de jornal,
    um pouco de mim em Londres,
    um pouco de mim algures?
    na consoante?
    no poço?

    Um pouco fica oscilando
    na embocadura dos rios
    e os peixes não o evitam,
    um pouco: não está nos livros.

    De tudo fica um pouco.
    Não muito: de uma torneira
    pinga esta gota absurda,
    meio sal e meio álcool,
    salta esta perna de rã,
    este vidro de relógio
    partido em mil esperanças,
    este pescoço de cisne,
    este segredo infantil...
    De tudo ficou um pouco:
    de mim; de ti; de Abelardo.
    Cabelo na minha manga,
    de tudo ficou um pouco;
    vento nas orelhas minhas,
    simplório arroto, gemido
    de víscera inconformada,
    e minúsculos artefatos:
    campânula, alvéolo, cápsula
    de revólver... de aspirina.
    De tudo ficou um pouco.

    E de tudo fica um pouco.
    Oh abre os vidros de loção
    e abafa
    o insuportável mau cheiro da memória.

    Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
    e sob as ondas ritmadas
    e sob as nuvens e os ventos
    e sob as pontes e sob os túneis
    e sob as labaredas e sob o sarcasmo
    e sob a gosma e sob o vômito
    e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
    e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
    e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
    e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
    e sob os gonzos da família e da classe,
    fica sempre um pouco de tudo.
    Às vezes um botão. Às vezes um rato."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
    Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
    Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem dágua neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
    Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
    Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
    Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
    Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
    Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
    Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
    Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
    É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
    seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
    preste atenção: pode ser a pessoa
    mais importante da sua vida.

    Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
    houver o mesmo brilho intenso entre eles,
    fique alerta: pode ser a pessoa que você está
    esperando desde o dia em que nasceu.

    Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
    for apaixonante, e os olhos se encherem
    dágua neste momento, perceba:
    existe algo mágico entre vocês.

    Se o 1º e o último pensamento do seu dia
    for essa pessoa, se a vontade de ficar
    juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
    Algo do céu te mandou
    um presente divino : O AMOR.

    Se um dia tiverem que pedir perdão um
    ao outro por algum motivo e, em troca,
    receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
    e os gestos valerem mais que mil palavras,
    entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

    Se por algum motivo você estiver triste,
    se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
    sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
    lágrimas e enxugá-las com ternura, que
    coisa maravilhosa: você poderá contar
    com ela em qualquer momento de sua vida.

    Se você conseguir, em pensamento, sentir
    o cheiro da pessoa como
    se ela estivesse ali do seu lado...

    Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
    mesmo ela estando de pijamas velhos,
    chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


    Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
    ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

    Se você não consegue imaginar, de maneira
    nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

    Se você tiver a certeza que vai ver a outra
    envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
    que vai continuar sendo louco por ela...

    Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
    a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

    Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
    na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

    Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
    nesses sinais, deixam o amor passar,
    sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

    É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
    Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
    cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!"

        Carlos Drummond de Andrade

Biografia


Poeta, cronista, contista e tradutor brasileiro. Sua obra traduz a visão de um individualista comprometido com a realidade social.

Na poética de Carlos Drummond de Andrade, a expressão pessoal evolui numa linha em que a originalidade e a unidade do projeto se confirmam a cada passo. Ao mesmo tempo, também se assiste à construção de uma obra fiel à tradição literária que reúne a paisagem brasileira à poesia culta ibérica e européia.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade natal, em Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Excelente funcionário, passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.

Predomínio da individualidade. O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.

Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo, no que desmonta, dispersa, desarruma, do berço ao túmulo -- do indivíduo ou de uma cultura.

Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.

Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

"Onde não puderes amar, não te demores..."

    Augusto Branco

"Eu não desisti...apenas não insisto mais."

    Cazuza

"As coisas muito claras me noturnam."

    Manoel de Barros

"Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho."

    Carlos Drummond de Andrade

"Os mentirosos estão sempre prontos a jurar."

    Vittorio Alfieri

"O sexo é o alívio da tensão. O amor é a causa"

    Woody Allen

"Soltar os demônios pode ser muito educativo em certas ocasiões."

    Deepak Chopra

"Todo o homem é culpado do bem que não fez."

    Voltaire

"A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."

    Fiódor Dostoiévski

"Vento

Pastor das nuvens."

    Mario Quintana