Carlos Drummond de Andrade foi um poeta brasileiro (1902 - 1987), também cronista, contista e tradutor. Entre suas obras de maior destaque, Alguma poesia, Sentimento do mundo e A rosa do povo.

Carlos Drummond de Andrade foi um poeta brasileiro (1902 - 1987), também cronista, contista e tradutor. Entre suas obras de maior destaque, Alguma poesia, Sentimento do mundo e A rosa do povo.

Frases e Pensamentos

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    "A Um Ausente
    Tenho razão de sentir saudade
    tenho razão de te recusar.
    Houve um pacto implícito que rompeste
    e sem te despedires foste embora.
    Detonaste o pacto.
    Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
    de viver e explorar os rumos de obscuridade
    sem prazo sem consulta sem provocação
    até o limite das folhas caídas na hora de cair."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Com que inocência demito-me de ser
    eu que antes era e me sabia
    tão diverso dos outros, tão mim-mesmo,
    ser pensante, sentinte e solidário
    com outros seres diversos e conscientes
    Da sua humana, invencível condição.
    Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro,
    em língua nacional ou em qualquer língua
    (qualquer, principalmente).
    E nisto me comprazo, tiro glória
    de minha anulação."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Este o nosso destino: amor sem conta,
    distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
    doação ilimitada a uma completa ingratidão,
    e na concha vazia do amor a procura medrosa,
    paciente, de mais e mais amor."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado… Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados… Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite… Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado… Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela… Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Balada do amor através das idades

    Eu te gosto, você me gosta
    desde tempos imemoriais.
    Eu era grego, você troiana,
    troiana mas não Helena.
    Saí do cavalo de pau
    para matar meu irmão.
    Matei, brigamos, morremos.


    Virei soldado romano,
    perseguidor de cristãos.
    Na porta da catatumba
    encontrei-te novamente.
    Mas quando vi você nua
    caída na areia do circo
    e o leão que vinha vindo,
    dei um pulo desesperado
    e o leão comeu nós dois.

    Depois fui pirata mouro,
    flagelo da Tripolitânia.
    Toquei fogo na fragata
    onde você se escondia
    da fúria do meu bergantim.
    Mas quando ia te pegar
    e te fazer minha escrava,
    você fez o sinal da cruz
    e rasgou o peito a punhal…
    Me suicidei também.

    Depois (tempos mais amenos)
    fui cortesão de Versailles,
    espirituoso e devasso.
    Você cismou de ser freira…
    Pulei muro de convento
    mas complicações políticas
    nos levaram à guilhotina.

    Hoje sou moço moderno,
    remo, pulo, danço, boxo,
    tenho dinheiro no banco.
    Você é uma loura notável,
    boxa, dança, pula, rema.
    Seu pai é que não faz gosto.
    Mas depois de mil peripécias,
    eu, herói da Paramount,
    te abraço, beijo e casamos."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
    Difícil é sentir a energia que é transmitida.
    Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Quero que todos os dias do ano

    todos os dias da vida

    de meia em meia hora

    de 5 em 5 minutos

    me digas: Eu te amo.



    Ouvindo-te dizer: Eu te amo,

    creio, no momento, que sou amado.

    No momento anterior

    e no seguinte,

    como sabê-lo?



    Quero que me repitas até a exaustão

    que me amas que me amas que me amas.

    Do contrário evapora-se a amação

    pois ao dizer: Eu te amo,

    desmentes

    apagas

    teu amor por mim.



    Exijo de ti o perene comunicado.

    Não exijo senão isto,

    isto sempre, isto cada vez mais.



    Quero ser amado por e em tua palavra

    nem sei de outra maneira a não ser esta

    de reconhecer o dom amoroso,



    a perfeita maneira de saber-se amado:

    amor na raiz da palavra

    e na sua emissão

    amor

    saltando da língua nacional,

    amor

    feito som

    vibração espacial.



    No momento em que não me dizes:

    Eu te amo,

    inexoravelmente sei

    que deixaste de amar-me,

    que nunca me amaste antes.



    Se não me disseres urgente repetido

    Eu te amoamoamoamoamoamo,

    verdade fulminante que acabas de desentranhar,

    eu me precipito no caos,

    essa coleção de objetos de não-amor."

        Carlos Drummond de Andrade

    "A melhor medicina contra a saudade é a falta de memória."

        Carlos Drummond de Andrade

    "É próprio da mulher o sorriso que nada promete e permite tudo imaginar."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Tudo vale a pena se alma não é pequena."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Amor é o que se aprende no limite,
    depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida.
    Amor começa tarde."

        Carlos Drummond de Andrade

    "As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
    Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão."

        Carlos Drummond de Andrade

    "A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação."

        Carlos Drummond de Andrade

    "O beijo é flor no canteiro ou desejo na boca?"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Sim, tenho saudades.
    Sim, acuso-te porque fizeste
    o não previsto nas leis da amizade e da natureza
    nem nos deixaste sequer o direito de indagar
    porque o fizeste, porque te foste"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um

    verso:



    Se iludindo menos e vivendo mais!!!

    A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida

    está no amor que não damos, nas forças que não usamos,

    na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do

    sofrimento,perdemos também a felicidade.



    A dor é inevitável.

    O sofrimento é opcional..."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Eterno é a flor que se fana
    se soube florir
    é o meninno recém-nascido
    antes que lhe deem nome
    e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
    é o gesto de enlaçar e beijar
    na visita do amor às almas
    eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
    mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força
    [o resgata."

        Carlos Drummond de Andrade

    "O quarto em desordem.

    Na curva perigosa dos cinquenta
    derrapei neste amor. Que dor! que pétala
    sensível e secreta me atormenta
    e me provoca à síntese da flor

    que não se sabe como é feita: amor,
    na quinta-essência da palavra, e mudo
    de natural silêncio já não cabe
    em tanto gesto de colher e amar

    a nuvem que de ambígua se dilui
    nesse objeto mais vago do que nuvem
    e mais defeso, corpo! corpo, corpo,

    verdade tão final, sede tão vária,
    e esse cavalo solto pela cama,
    a passear o peito de quem ama."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Onde você quer chegar? Ir alto?
    Sonhe alto... Queira o melhor do melhor...
    Se pensarmos pequeno... Coisas pequenas teremos...
    Mas se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor...
    O melhor vai se instalar em nossa vida.
    Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Amor – pois que é palavra essencial
    comece esta canção e toda a envolva.
    Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
    reúna alma e desejo, membro e vulva.

    Quem ousará dizer que ele é só alma?
    Quem não sente no corpo a alma expandir-se
    até desabrochar em puro grito
    de orgasmo, num instante de infinito?

    O corpo noutro corpo entrelaçado,
    fundido, dissolvido, volta à origem
    dos seres, que Platão viu completados:
    é um, perfeito em dois; são dois em um.

    Integração na cama ou já no cosmo?
    Onde termina o quarto e chega aos astros?
    Que força em nossos flancos nos transporta
    a essa extrema região, etérea, eterna?

    Ao delicioso toque do clitóris,
    já tudo se transforma, num relâmpago.
    Em pequenino ponto desse corpo,
    a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

    Vai a penetração rompendo nuvens
    e devassando sóis tão fulgurantes
    que nunca a vista humana os suportara,
    mas, varado de luz, o coito segue.

    E prossegue e se espraia de tal sorte
    que, além de nós, além da prórpia vida,
    como ativa abstração que se faz carne,
    a idéia de gozar está gozando.

    E num sofrer de gozo entre palavras,
    menos que isto, sons, arquejos, ais,
    um só espasmo em nós atinge o climax:
    é quando o amor morre de amor, divino.

    Quantas vezes morremos um no outro,
    no úmido subterrâneo da vagina,
    nessa morte mais suave do que o sono:
    a pausa dos sentidos, satisfeita.

    Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
    estendidos na cama, qual estátuas
    vestidas de suor, agradecendo
    o que a um deus acrescenta o amor terrestre."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata
    ...
    É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.
    Eternos! Eternos, miseravelmente.
    O relógio no pulso é nosso confidente."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Há maquinas terrívelmente complicadas para as necessidades mais simples.
    Se quer fumar um cachuto aperte um botão,
    Paletós abotoam-se por eletricidade,
    Amor e faz pelo sem-fio,
    Não precisa estômago para digestão (...)"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração, fique pronto para a vida, para um novo amor. Lembre-se somos apaixonáveis, somos capazes de amar muitas e muitas vezes. Afinal de contas, nós somos o amor."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado… Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados… Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite… Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado… Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela… Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Fácil é dizer oi, ou como vai ?.
    Difícil é dizer adeus...

    Fácil é abraçar, apertar a mão.
    Difícil é sentir a energia que é transmitida...

    Fácil é querer ser amado.
    Difícil é amar completamente só..."

        Carlos Drummond de Andrade

    "Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata..."

        Carlos Drummond de Andrade

    "“O melhor remédio contra a saudade é a falta de memória.”"

        Carlos Drummond de Andrade

    "Depois, cantou “se mil vezes você me deixar e voltar, eu aceito”."

        Carlos Drummond de Andrade

Biografia


Poeta, cronista, contista e tradutor brasileiro. Sua obra traduz a visão de um individualista comprometido com a realidade social.

Na poética de Carlos Drummond de Andrade, a expressão pessoal evolui numa linha em que a originalidade e a unidade do projeto se confirmam a cada passo. Ao mesmo tempo, também se assiste à construção de uma obra fiel à tradição literária que reúne a paisagem brasileira à poesia culta ibérica e européia.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade natal, em Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Excelente funcionário, passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.

Predomínio da individualidade. O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.

Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo, no que desmonta, dispersa, desarruma, do berço ao túmulo -- do indivíduo ou de uma cultura.

Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.

Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

"Onde não puderes amar, não te demores..."

    Augusto Branco

"Eu não desisti...apenas não insisto mais."

    Cazuza

"As coisas muito claras me noturnam."

    Manoel de Barros

"Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho."

    Carlos Drummond de Andrade

"Os mentirosos estão sempre prontos a jurar."

    Vittorio Alfieri

"O sexo é o alívio da tensão. O amor é a causa"

    Woody Allen

"Soltar os demônios pode ser muito educativo em certas ocasiões."

    Deepak Chopra

"Todo o homem é culpado do bem que não fez."

    Voltaire

"A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."

    Fiódor Dostoiévski

"Vento

Pastor das nuvens."

    Mario Quintana