Sobre o Autor

Camões

Luís Vaz de Camões - Poeta português nascido em 1524, provavelmente em Lisboa. Frequentou a corte de D. João III e de D. Sebastião. É considerado um dos grandes poetas da língua portuguesa.

Amor é um brado afeito Que Deus no Mundo pôs e a Natureza Para aumentar as coisas que criou. De amor está sujeito Tudo quanto possui a redondeza; Nada sem este efeito se gerou. Por ele conservou A causa principal o Mundo amado Donde o pai famulento foi deitado. As coisas ele as ata e as conforma Com O Mundo,e reforma A matéria. Quem há que não o veja? Quanto meu mal deseja, sempre forma.

Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades.

Raquel Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, E a ela só por prémio pretendia. Os dias, na esperança de um só dia, Passava, contentando-se com vê-la; Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava Lia. Vendo o triste pastor que com enganos Lhe fora assi negada a sua pastora, Como se a não tivera merecida; Começa de servir outros sete anos, Dizendo: – Mais servira, se não fora Para tão longo amor tão curta a vida!

5. Canção Se este meu pensamento, como é doce e suave, de alma pudesse vir gritando fora, mostrando seu tormento cruel, e grave, diante de vós só, minha Senhora: pudera ser que agora o vosso peito duro tornara manso e brando. E eu que sempre ando pássaro solitário, humilde, escuro, tornado um cisne puro, brando e sonoro pelo ar voando, com canto manifesto pintara meu tormento e vosso gesto. Pintara os olhos belos que trazem nas mininas o Minino que os seus neles cegou; e os dourados cabelos em tranças douro finas a quem o Sol seus raios abaixou; a testa que ordenou atura tão formosa; o bem proporcionado nariz, lindo, afilado, que a cada parte tem a fresca rosa; a boca graciosa, que querê-la louvar é escusado; enfim, é um tesouro: os dentes, perlas; as palavras, ouro. Vira-se claramente, ó Dama delicada, que em vós se esmerou mais a Natureza; e eu, de gente em gente, trouxera trasladada em meu tormento vossa gentileza. Somente a aspereza de vossa condição, Senhora, não dissera, porque se não soubera que em vós podia haver algum senão. E se alguém, com razão, —Porque morres? dissera, respondera: 12 —Mouro porque é tão bela que inda não sou para morrer por ela. E se pola ventura, Dama, vos ofendesse, escrevendo de vós o que não sento, e vossa fermosura tão baixo não descesse que a alcançasse um baixo entendimento, seria o fundamento daquilo que cantasse todo de puro amor, porque vosso louvor em figura de mágoas se mostrasse. E onde se julgasse a causa pelo efeito, minha dor diria ali sem medo: quem me sentir, verá de quem procedo. Então amostraria os olhos saudosos, o suspirar que a alma traz consigo; a fingida alegria, os passos vagarosos, o falar, o esquecer-me do que digo; um pelejar comigo, e logo desculpar-me; um recear, ousando; andar meu bem buscando, e de poder achá-lo acovardar-me; enfim, averiguar-me que o fim de tudo quanto estou falando são lágrimas e amores; são vossas isenções e minhas dores. Mas quem terá, Senhora, palavras com que iguale com vossa fermosura minha pena; que, em doce voz, de fora aquela glória fale que dentro na minhalma Amor ordena? Não pode tão pequena força de engenho humano com carga tão pesada, se não for ajudada dum piedoso olhar, dum doce engano; que, fazendo-me o dano tão deleitoso, e a dor tão moderada, que, enfim, se convertesse nos gostos dos louvores que escrevesse. 13 Canção, não digas mais; e se teus versos à pena vêm pequenos, não queiram de ti mais, que dirás menos.

Inimiga não há, tão dura e fera, quanto a virtude falsa da sincera.

Amar é um cuidar que se ganha em se perder.

Nas praias desertas onde mar junta ciscos, para castiçal do inferno, o cão é melhor do que cristo.

Amar e saber amar......amar com o coracao e nao com a cabeca

Amor é fogo que arde sem se ver. É ferida que dói e não se sente.

Prometeis, e não cumpris? Pois sem cumprir, tudo é nada. Não sois bem aconselhada; que quem promete, se mente, o que perde não o sente.

O amor com seus contrários se acrescenta”

Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei porquê. ...porque o amor é assim mesmo... Sente-se...apenas!

(...) Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei porquê. ...porque o amor é assim mesmo... Sente-se...apenas!