"- Eu retribuo o sorriso. Eu correspondo ao abraço. Eu digo sim. Eu quero sim. Eu sinto sins. Só porque estou vivo. - Tinha esquecido do perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser. - Sempre há alguma coisa que falta. Guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa. - Livrai-me de tudo que trava o riso, amém! - Livrai-me, Senhor, de tudo aquilo que for vazio de amor. - Decepções são apenas uma forma de Deus dizer: eu tenho algo melhor para você. - Não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda. - E todos os dias, por mais amargos que sejam, eu digo: - Amanhã fico triste, hoje não. - Nem que eu lute contra mim todos os dias. As coisas vão mudar. - Deus sabe quem colocar na sua vida, da mesma forma que sabe quem tirar. - Desnecessário é sofrer por alguém que você sabia que nunca iria dar certo. - Pare de correr atrás, pare de se importar. Seja indisponível, desapegue. Pessoas gostam, do que não têm. - Você se foi e eu afundei numa melancolia de dar gosto. - Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. - Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? (...)"

Caio Fernando de Abreu


Caio Fernando Loureiro de Abreu (1948 - 1996) foi um jornalista e escritor brasileiro.

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