Sobre o Autor

Buson

Taniguichi Buson, depois denominado Yosa Buson (1716-1783), pintor, calígrafo e poeta, um dos quatro mestres do Haicai japonês, ao lado de Matsuo Bashô, Kobayashi Issa e Masaoka Shiki.

Lentos dias se acumulam - Como vão longe Os tempos de outrora.

lavrando o campo: do templo aos cumes o canto do galo

Oh cruel vendaval! Um bando de pequenos pardais agarra-se à relva.

em rincões e esquinas frios cadáveres: flores de ameixeira

curta noite perto de mim, junto ao travesseiro um biombo de prata

A sensação de tocar com os dedos O que não tem realidade - Uma pequena borboleta.

menina muda, convertida em mulher já se perfuma

florescente espinheiro tão parecido aos caminhos onde eu nasci!

a borboleta pousa sobre o sino do templo adormecido

sinto um agudo frio: no embarcadouro ainda resta um filete de lua

capulhos na pereira e uma mulger à luz da luz lendo uma carta

Um rouxinol!... E na hora do jantar a família reunida.

Casal de patos. Mas o tanque é velho e a doninha os vigia.

Partem os barcos - Como ficam distantes Os dias de outono!

faisão da montanha, o sol da primavera pisa sua cauda

frio na alcova ao pisar teu pente, minha esposa morta

o crisântemo amarelo sob a luz da lanterna de mão perde sua cor

o lutador, na velhice, conta à sua mulher o combate que não devia ter perdido

o velho calendário enche-me de gratidão como um sutra

Brilho da lua se move para oeste a sombra das flores caminha para leste.

o ruído de um rato sobre o prato como resulta frio!

Mar de primavera - O dia todo Lentamente ondula.

a noite passou rápida: sobre a peluda eruca contas de orvalho

sob a folhagem amarela o mundo repousa enterrado... exceto o Fuji

lavrando o campo a nuvem imóvel se foi

Lentos dias se acumulam - Como vão longe Os tempos de outrora.

chegado para ver as flores, sobre elas dormirei sem sentir o tempo