Eu vivo em tempos sombrios. Uma linguagem sem mal√≠cia √© sinal de estupidez, uma testa sem rugas √© sinal de indiferen√ßa. Aquele que ainda ri √© porque ainda n√£o recebeu a terr√≠vel not√≠cia. Que tempos s√£o esses, quando falar sobre flores √© quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injusti√ßa? Aquele que cruza tranq√ľilamente a rua j√° est√° ent√£o inacess√≠vel aos amigos que se encontram necessitados? √Č verdade: eu ainda ganho o bastante para viver. Mas acreditem: √© por acaso. Nado do que eu fa√ßo D√°-me o direito de comer quando eu tenho fome. Por acaso estou sendo poupado. (Se a minha sorte me deixa estou perdido!) Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como √© que posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome? se o copo de √°gua que eu bebo, faz falta a quem tem sede? Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

Sobre o Autor

Bertolt Brecht

Bertolt Brecht. (10 de Fevereiro de 1898 ¬Ė 14 de Agosto de 1956) foi um influente dramaturgo, poeta e encenador alem√£o do s√©culo XX.

Mais frases de Bertolt Brecht

Não conseguireis desgostar-me da guerra. Diz-se que ela destrói os fracos, mas a paz faz o mesmo.

Para quem tem uma boa posi√ß√£o social, / falar de comida √© coisa baixa. / √Č compreens√≠vel: eles j√° comeram.

Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.

A vida é curta e o dinheiro também.

Temam menos a morte e mais a vida insuficiente.

Apenas a violência pode servir onde reina a violência, e / apenas os homens podem servir onde existem homens.

De todas as coisas seguras, / a mais segura √© a d√ļvida.

Primeiro vem o est√īmago, depois a moral.

Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito.

O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.

Quem não conhece a verdade não passa de um tolo; mas quem a conhece e a chama de mentira é um criminoso!

O amor é a arte de criar algo com a ajuda da capacidade do outro.

A confiança pode exaurir-se caso seja muito exigida.

Perante um obst√°culo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva.

Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis.

Pão e um gole de leite são vitórias! / Um quarto quente: uma batalha vencida! / Para te fazer crescer / Devo combater dia e noite.

Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la.

Tenho muito o que fazer. Preparo o meu próximo erro.

DA SEDUÇÃO DOS ANJOS Anjos seduzem-se: nunca ou a matar. Puxa-o só para dentro de casa e mete - - Lhe a língua na boca e os dedos sem frete Por baixo da saia até se molhar. Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia E fode-o. Se gemer, algo crispado Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado Pra que do choque no fim te não caia. Exorta-o a que agite bem o cu Manda-o tocar-te os guizos atrevido Diz que ousar na queda lhe é permitido Desde que entre o céu e a terra flutue - Mas não o olhes na cara enquanto fodes E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.

O USO DAS PALAVRAS OBSCENAS Desmedido eu que vivo com medida Amigos, deixai-me que vos explique Com grosseiras palavras vos fustigue Como se aos milhares fossem nesta vida! Há palavras que a foder dão euforia: Para o fodidor, foda é palavra louca E se a palavra traz sempre na boca Qualquer colchão furado o alivia. O puro fodilhão é de enforcar! Se ela o der até se esvaziar: bem. Maré não lava o que a arvore retém! Só não façam lavagem ao juizo! Do homem a arte é: foder e pensar. (Mas o luxo do homem é: o riso).

AULA DE AMOR Mas, menina, vai com calma Mais sedu√ß√£o nesse grasne: Carnalmente eu amo a alma E com alma eu amo a carne. Faminto, me queria eu cheio N√£o morra o cio com pudor Amo virtude com traseiro E no traseiro virtude p√īr. Muita menina sentiu perigo Desde que o deus no cisne entrou Foi com gosto ela ao castigo: O canto do cisne ele n√£o perdoou.

O COITO E A SAUNA Melhor √© foder primeiro, e ent√£o banhar. Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite O traseiro nu miras com deleite E tocas-lhe entre as coxas a reinar. Mant√©m-na em posi√ß√£o, mas logo ap√≥s Assento no pi√ßo lhe seja permitido Se duche quiser na cona, invertido. Depois, claro, seguindo nossos av√≥s, Serve ela no banho. As pedras p√Ķe a apitar Com b√°tega r√°pida (que a √°gua ferva) Com tenra b√©tula te a√ßoita e corado Em bals√Ęmico vapor mais esquentado A pouco e pouco te deixas refrescar Suando agora a fodan√ßa em caterva.

Ah! Desgraçados! Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado? Grita de dor o ferido e vocês ficam calados? A violência faz a ronda e escolhe a vítima, e vocês dizem: a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando. Mas que cidade? Que espécie de gente é essa? Quando campeia em uma cidade a injustiça, é necessário que alguem se levante. Não havendo quem se levante, é preferível que em um grande incêndio, toda cidade desapareça, antes que a noite desça.

O Analfabeto Pol√≠tico O pior analfabeto √© o analfabeto pol√≠tico. Ele n√£o ouve, n√£o fala, nem participa dos acontecimentos pol√≠ticos. Ele n√£o sabe o custo de vida, o pre√ßo do feij√£o, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do rem√©dio dependem das decis√Ķes pol√≠ticas. O analfabeto pol√≠tico √© t√£o burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a pol√≠tica. N√£o sabe o imbecil que, da sua ignor√Ęncia pol√≠tica, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que √© o pol√≠tico vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Privatizado Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. √Č da empresa privada o seu passo em frente, seu p√£o e seu sal√°rio. E agora n√£o contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que s√≥ √† humanidade pertence.

O que tem fome e te rouba O √ļltimo peda√ßo de p√£o, chama-o teu inimigo Mas n√£o saltas ao pesco√ßo Do teu ladr√£o que nunca teve fome.

Só acredite no que os seus olhos vêem e seus ouvidos escutam. Não acredite nem no que os seus olhos vêem e seus ouvidos escutam. E saiba que não acreditar ainda é acreditar.

Todos correm atr√°s da felicidade sem perceber que a felicidade est√° nos seus calcanhares.

Wer kämpft, kann verlieren. Wer nicht kämpft, hat schon verloren.

A M√°scara Do Mal Em minha parede h√° uma escultura de madeira japonesa M√°scara de um dem√īnio mau, coberta de esmalte dourado. Compreensivo observo As veias dilatadas da fronte, indicando Como √© cansativo ser mal

Eu vivo em tempos sombrios. Uma linguagem sem mal√≠cia √© sinal de estupidez, uma testa sem rugas √© sinal de indiferen√ßa. Aquele que ainda ri √© porque ainda n√£o recebeu a terr√≠vel not√≠cia. Que tempos s√£o esses, quando falar sobre flores √© quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injusti√ßa? Aquele que cruza tranq√ľilamente a rua j√° est√° ent√£o inacess√≠vel aos amigos que se encontram necessitados? √Č verdade: eu ainda ganho o bastante para viver. Mas acreditem: √© por acaso. Nado do que eu fa√ßo D√°-me o direito de comer quando eu tenho fome. Por acaso estou sendo poupado. (Se a minha sorte me deixa estou perdido!) Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como √© que posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome? se o copo de √°gua que eu bebo, faz falta a quem tem sede? Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

¬ďSe os tubar√Ķes fossem homens¬Ē, perguntou ao sr K. a filha da sua senhoria, ¬ďeles seriam mais am√°veis com os peixinhos?¬Ē. ¬ďCertamente¬Ē, disse ele. ¬ďSe os tubar√Ķes fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal.

Sobre A Violência A corrente impetuosa é chamada de violenta Mas o leito do rio que a contem Ninguem chama de violento. A tempestade que faz dobrar as betulas E tida como violenta E a tempetasde que faz dobrar Os dorsos dos operarios na rua?

1. Primeiro levaram os negros, Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários, Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, Mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável. Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.

VOC√äS, ART√ćSTAS QUE FAZEM TEATRO EM GRANDES CASAS, SOB S√ďIS ARTIFICIAIS! DIANTE DA MULTID√ÉO CALADA, PROCUREM DE VEZ EM QUANDO; O TEATRO QUE √Č ENCENADO NA RUA. COTIDIANO, V√ĀRIOS E AN√ĒNIMO, NUTRIDO DA CONVIV√äNCIA... DOS HOMENS, O TEATRO QUE SE PASSA NA RUA.