Sobre o Autor

Anatole France

Jacques Anatole François Thibault, mais conhecido como Anatole France (16 de abril de 1844 em Paris - 12 de outubro de 1924 em Saint-Cyr-sur-Loire) foi um escritor francês. Seus livros apresentam um tom céptico.

Pois todas as nossas misérias verdadeiras são íntimas e causadas por nós mesmos. Acreditamos erradamente que elas vêm de fora, mas formamo-las dentro de nós, da nossa própria substância.

O que seriam os desertos da vida sem as brilhantes miragens dos nossos pensamentos!

Os poetas ajudam-nos a amar: só servem para isso.

O que a juventude tem de melhor é ser capaz de admirar sem compreender.

Todos os homens que não sabem o que fazer desta vida desejam outra, que nunca acabe.

A fome e o amor são os dois sexos do mundo. A humanidade gira toda sobre o amor e a fome.

A ignorância é a condição necessária da felicidade dos homens, e é preciso reconhecer que as mais das vezes a satisfazem bem.

Muito aprendeu quem bem conheceu o sofrimento.

Agradeço ao destino por ter-me feito nascer pobre. A pobreza foi-me uma amiga benfazeja; ensinou-me o preço verdadeiro dos bens úteis à vida, que sem ela não teria conhecido. Evitando-me o peso do luxo, devotou-me à arte e à beleza..

As verdades descobertas pela inteligência são estéreis. Apenas o coração é capaz de fecundar os seus sonhos.

Sabendo sofrer, sofre-se menos.

É-se rebelde quando se é vencido. Os vitoriosos nunca são rebeldes.

A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas.

O Estado é como o corpo humano. Nem todas as funções que desempenha são nobres.

Só os homens que não se interessam por mulheres interessam-se pelas suas roupas. Os homens que realmente gostam de mulheres nem percebem o que elas estão a usar.

Um bom retrato é uma biografia pintada.

O senso comum diz-nos que a terra é imóvel, que o sol gira à sua volta e que os homens que vivem nos antípodas andam de cabeça para baixo.

O dinheiro é um dos fins para se viver feliz: os homens transformaram-no no único fim.

O pensamento é uma doença peculiar a alguns indivíduos e que não se propagaria sem ocasionar prontamente o fim da espécie.

A virtude está toda no esforço.

As opiniões comuns passam sem exame. Na maioria das vezes não as admitiríamos se lhes prestássemos atenção.

O passado é a única realidade humana. Tudo o que é já foi.

A virtude, tal como os corvos, aninha-se nas ruínas.

O real serve-nos para fabricar melhor ou pior um pouco de ideal.

A vida de uma nação, como a de um indivíduo, é uma ruína perpétua, uma sequência de desabamentos, uma interminável expansão de misérias e crimes.

A religião prestou ao amor um grande serviço, quando o anunciou como pecado.

Só amamos verdadeiramente se amarmos sem causa.

A mulher alimenta-se de carícias, como a abelha das flores.

Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença.

Por mais que busquemos, apenas nos encontramos a nós próprios.