Alberto Caeiro, é considerado o mestre de todos os heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o

Alberto Caeiro, é considerado o mestre de todos os heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o

Frases e Pensamentos

47 frases no total. Página 1/2, de 1-30

    "Para mim, graças a ter olhos só para ver,
    Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
    Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não significar nada.
    Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação."

        Alberto Caeiro

    "Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
    Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
    mas porque a amo, e amo-a por isso,
    Porque quem ama nunca sabe o que ama.
    Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
    Amar é a eterna inocência
    E a única inocência é não pensar."

        Alberto Caeiro

    "Aceito por personalidade.
    Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
    Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
    Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
    Nunca ao defeito de exigir do Mundo
    Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo."

        Alberto Caeiro

    "A espantosa realidade das coisas
    É a minha descoberta de todos os dias.
    Cada coisa é o que é,
    E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
    E quanto isso me basta.

    Basta existir para se ser completo.

    Tenho escrito bastantes poemas.
    Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
    Cada poema meu diz isto,
    E todos os meus poemas são diferentes,
    Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

    Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
    Não me ponho a pensar se ela sente.
    Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
    Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
    Gosto dela porque ela não sente nada,
    Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

    Outras vezes ouço passar o vento,
    E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

    Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
    Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
    Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
    Porque o penso sem pensamentos,
    Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

    Uma vez chamaram-me poeta materialista,
    E eu admirei-me, porque não julgava
    Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
    Eu nem sequer sou poeta: vejo.
    Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
    O valor está ali, nos meus versos.
    Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade."

        Alberto Caeiro

    "Nas cidades a vida é mais pequena
    Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
    Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
    Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que nossos olhos
    nos podem dar
    E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver"

        Alberto Caeiro

    "Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
    Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
    Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
    O que for, quando for, é que será o que é."

        Alberto Caeiro

    "Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
    Nunca fui senão uma criança que brincava.
    Fui gentio como o sol e a água,
    De uma religião universal que só os homens não têm.
    Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
    Nem procurei achar nada,
    Nem achei que houvesse mais explicação
    Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
    Não desejei senão estar ao sol ou à chuva —
    Ao sol quando havia sol
    E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
    Sentir calor e frio e vento,
    E não ir mais longe.
    Uma vez amei, julguei que me amariam,
    Mas não fui amado.
    Não fui amado pela única grande razão —
    Porque não tinha que ser."

        Alberto Caeiro

    "Quando tornar a vir a Primavera
    Talvez já não me encontre no mundo.
    Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
    Para poder supor que ela choraria,
    Vendo que perdera o seu único amigo.
    Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
    É uma maneira de dizer.
    Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
    Há novas flores, novas folhas verdes.
    Há outros dias suaves.
    Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."

        Alberto Caeiro

    "Para além da curva da estrada
    Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
    E talvez apenas a continuação da estrada.
    Não sei nem pergunto.
    Enquanto vou na estrada antes da curva
    Só olho para a estrada antes da curva,
    Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
    De nada me serviria estar olhando para outro lado
    E para aquilo que não vejo.
    Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
    Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
    Se há alguém para além da curva da estrada,
    Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.

    Essa é que é a estrada para eles.
    Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
    Por ora só sabemos que lá não estamos.
    Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
    Há a estrada sem curva nenhuma."

        Alberto Caeiro

    "Uma vez amei, julguei que me amariam Mas não fui amado. Não fui amado pela única grande razão — Porque não tinha que ser. Consolei-me voltando ao sol e à chuva, E sentando-me outra vez à porta de casa. Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados Como para os que o não são. Sentir é estar distraído."

        Alberto Caeiro

    "Não acredito em Deus porque nunca o vi
    Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
    Sem dúvida que viria falar comigo
    E entraria pela minha porta adentro
    Dizendo-me, Aqui estou!"

        Alberto Caeiro

    "O único sentido íntimo das coisas
    É elas não terem sentido íntimo nenhum"

        Alberto Caeiro

    "Quem está ao sol e fecha os olhos,
    Começa a não saber o que é sol.
    (...)
    Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
    De todos os filósofos e de todos o poetas."

        Alberto Caeiro

    "As palavras que falham"

        Alberto Caeiro

    "(...) porque ser uma cousa é não significar nada.
    Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação."

        Alberto Caeiro

    "Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
    Ser real é isto."

        Alberto Caeiro

    "Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
    Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
    E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar."

        Alberto Caeiro

    "Pensar é estar doente dos olhos"

        Alberto Caeiro

    "Há metafísica bastante em pensar em nada."

        Alberto Caeiro

    "( ... ) um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse ,
    Que nunca é o que se vê quando se abre a janela ."

        Alberto Caeiro

    "Há metafísica bastante em não pensar em nada.
    O que penso eu do mundo?
    Sei lá o que penso do mundo!
    Se eu adoecesse pensaria nisso.

    (in O Guardador de Rebanhos)"

        Alberto Caeiro

    "Preciso despir-me do que aprendi. Desencaixotar minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu! Uma aprendizagem de desaprendisagem..."

        Alberto Caeiro

    "Passa uma Borboleta

    Passa uma borboleta por diante de mim
    E pela primeira vez no Universo eu reparo
    Que as borboletas não têm cor nem movimento,
    Assim como as flores não têm perfume nem cor.
    A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
    No movimento da borboleta o movimento é que se move,
    O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
    A borboleta é apenas borboleta
    E a flor é apenas flor."

        Alberto Caeiro

    "Não basta abrir a janela
    para ver os campos e o rio.
    Não é o bastante não ser cego
    para ver as árvores e as flores.
    É preciso também não ter filosofia nenhuma.
    Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
    Há só cada um de nós, como uma cave.
    Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
    E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
    Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

        Alberto Caeiro

    "A guerra, como todo humano, quer alterar.
    Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
    E alterar depressa.

    Mas a guerra inflige morte.
    E a morte é o desprezo do universo por nós.
    Tenso por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
    Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

    Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs."

        Alberto Caeiro

    "Assim Como

    Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
    Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
    Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
    Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
    Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
    O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
    Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença."

        Alberto Caeiro

    "A Espantosa Realidade das Cousas


    A espantosa realidade das cousas
    É a minha descoberta de todos os dias.
    Cada cousa é o que é,
    E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
    E quanto isso me basta.

    Basta existir para se ser completo.

    Tenho escrito bastantes poemas.
    Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

    Cada poema meu diz isto,
    E todos os meus poemas são diferentes,
    Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

    Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
    Não me ponho a pensar se ela sente.
    Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
    Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
    Gosto dela porque ela não sente nada.
    Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

    Outras vezes oiço passar o vento,
    E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

    Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
    Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
    Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
    Porque o penso sem pensamentos
    Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

    Uma vez chamaram-me poeta materialista,
    E eu admirei-me, porque não julgava
    Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
    Eu nem sequer sou poeta: vejo.
    Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
    O valor está ali, nos meus versos.
    Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade."

        Alberto Caeiro

    "XLIV - Acordo de Noite


    Acordo de noite subitamente,
    E o meu relógio ocupa a noite toda.
    Não sinto a Natureza lá fora.
    O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas.
    Lá fora há um sossego como se nada existisse.
    Só o relógio prossegue o seu ruído.
    E esta pequena cousa de engrenagens que está em cima da minha mesa
    Abafa toda a existência da terra e do céu...
    Quase que me perco a pensar o que isto significa,
    Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
    Porque a única cousa que o meu relógio simboliza ou significa
    Enchendo com a sua pequenez a noite enorme
    É a curiosa sensação de encher a noite enorme
    Com a sua pequenez..."

        Alberto Caeiro

    "XXXIV - Acho tão Natural que não se Pense


    Acho tão natural que não se pense
    Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
    Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
    Que tem que ver com haver gente que pensa ...

    Que pensará o meu muro da minha sombra?
    Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
    A perguntar-me cousas. . .
    E então desagrado-me, e incomodo-me
    Como se desse por mim com um pé dormente. . .

    Que pensará isto de aquilo?
    Nada pensa nada.
    Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
    Se ela a tiver, que a tenha...
    Que me importa isso a mim?
    Se eu pensasse nessas cousas,
    Deixaria de ver as árvores e as plantas
    E deixava de ver a Terra,
    Para ver só os meus pensamentos ...
    Entristecia e ficava às escuras.
    E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu."

        Alberto Caeiro

    "O Tejo é mais Belo


    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
    O Tejo tem grandes navios
    E navega nele ainda,
    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
    A memória das naus.

    O Tejo desce de Espanha
    E o Tejo entra no mar em Portugal.
    Toda a gente sabe isso.
    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
    E para onde ele vai
    E donde ele vem.
    E por isso porque pertence a menos gente,
    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
    Para além do Tejo há a América
    E a fortuna daqueles que a encontram.
    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele."

        Alberto Caeiro

Biografia


Alberto Caeiro, é considerado o mestre de todos os heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso."

Pessoa criou uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição à sua poesia. Caeiro escrevia com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista.

"As coisas muito claras me noturnam."

    Manoel de Barros

"Onde não puderes amar, não te demores..."

    Augusto Branco

"Eu não desisti...apenas não insisto mais."

    Cazuza

"Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho."

    Carlos Drummond de Andrade

"Os mentirosos estão sempre prontos a jurar."

    Vittorio Alfieri

"Vento

Pastor das nuvens."

    Mario Quintana

"O sexo é o alívio da tensão. O amor é a causa"

    Woody Allen

"Todo o homem é culpado do bem que não fez."

    Voltaire

"Soltar os demônios pode ser muito educativo em certas ocasiões."

    Deepak Chopra

"A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."

    Fiódor Dostoiévski